GAY BLOG BR by SCRUFF

Dandara Felícia (PT), de 41 anos, concorre a uma vaga como deputada estadual em Minas Gerais. Técnica administrativa em Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ela é travesti e bissexual. A candidata é uma das entrevistadas do especial “Eleições 2022“, do Gay Blog BR.

Dandara, candidata a deputada estadual pelo PT em Minas Gerais (Foto: Divulgação)

Socióloga e mestranda em Serviço Social, Dandara foi motivada a entrar na política pela falta de acesso a políticas públicas para a população trans. “Também a falta de possibilidade que mulheres trans/travestis tem por conta da prostituição compulsória para militar e conseguir ocupar outras posições na vida. A morte de Marielle foi a faísca que faltava para perceber que precisamos ocupar a política com nossos corpos pretos, travestis, femininos e de LGBTQIPNB+”, afirma a candidata.

Suas propostas seguem alguns eixos temáticos como a vida de todas as mulheres, em que ela propõe fortalecer a luta interseccional feminista. Além disso, a educação e cultura antirracistas também fazem parte de suas pautas, com a inclusão da discussão sobre essa temática nas escolas.

Dandara (Foto: Divulgação)

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Dandara Felícia: Socióloga com Mestrado em Serviço Social a concluir. Como todas as travestis me formei tarde e entrei para o mestrado tarde também. A escola sempre é um lugar de difícil acesso para nós e só consegui me formar depois de passar em um concurso público.

GB: O que motivou a se candidatar?

Dandara: A falta de acesso a políticas públicas pela nossa população. Também a falta de possibilidade que mulheres trans/travestis tem por conta da prostituição compulsória para militar e conseguir ocupar outras posições na vida. A morte de Marielle foi a faísca que faltava para perceber que precisamos ocupar a política com nossos corpos pretos, travestis, femininos e de LGBTQIPNB+.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidata abertamente LGBTQ+?

Dandara: O principal deles é a transfobia. Em um mundo cis-heteronormativo, todos os dias a transfobia nos cerca. Algumas vezes, como doses homeopáticas, duas a três vezes ao dia. Além da falta de financiamento público e da defesa de nossas candidaturas como prioridades para o debate nacional da pauta LGBTQIAPNB+.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQIA+?

Dandara: Sim, temos propostas para a vida de todes, mulheres, LGBTQIAPNB+ e pelo bem viver.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Dandara: Que leis sejam verdadeiramente implementadas. Nós não temos nenhuma legislação antilgbtfobica no Brasil. Todos os nossos direitos são garantidos pelo judiciário. É preciso uma ampliação do debate sobre a construção de legislação que pense políticas públicas e financiamento para nossos problemas.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Dandara: Mais que necessária. A PrEP como instrumento e estratégia de prevenção combinada são uma questão de saúde pública e que precisamos incentivar e aumentar o financiamento para que as políticas de prevenção, tratamento e uma futura cura sejam cada vez mais tema de debate. Não há modo de tratar nossas práticas sexuais com o moralismo cis-heteronormativo que só nos esconde e nos oprime.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Dandara: Fora Bolsonaro e leve todos os fascistas junto com você!

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




Junte-se à nossa comunidade

Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.

Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)