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Linda Brasil (PSOL), de 49 anos, disputa uma vaga como deputada estadual do Sergipe. Mulher trans, ela foi a primeira vereadora trans eleita – e a mais votada – em Aracaju (SE), no ano de 2020. A candidata é educadora, graduada em Letras Português/Francês, cabeleireira e maquiadora.

Linda Brasil, candidata a deputada estadual pelo PSOL do SE (Foto: Divulgação)

Seu contato com a política partidária inicia a Universidade Federal de Sergipe, quando teve que lutar para que meu nome social fosse aceito na instituição. “Conheci o movimento feminista do PSOL que me abriu uma nova percepção do que pode ser a política como instrumento usado a favor das pessoas”, conta a candidata.

“Desde 2014, venho participando de processos eleitorais também como forma de fortalecer a democracia e mostrar que o processo eleitoral precisa de renovação e conscientização. Estas sementes de transformação e renovação germinaram em 2020 com minha eleição para Câmara de Aracaju”, acrescenta Linda

Em sua campanha, a candidata defende prioritariamente os direitos humanos e a educação. “Estas áreas têm impactos profundos nas comunidades de maiorias minorizadas como as mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+. No âmbito municipal defendo renda básica, agora na candidatura à deputada estadual, defendo que seja instituída como política pública no estado uma renda básica de R$600 para pessoas em situação de vulnerabilidade”, comenta.

“Entre as pautas LGBTQIA+ estão maior investimento no Centro de Referência em Direitos Humanos e Combate a LGBTQIA+fobia,  a execução do plano estadual de educação com inserção de diretrizes que possam trabalhar a valorização das mulheres e o combate à LGBTQIA+fobia”, acrescenta a candidata, que é um das entrevistadas no especial “Eleições 2022” do Gay Blog BR.

Linda Brasil (Foto: Divulgação)

Confira na íntegra a entrevista com Linda Brasil

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Linda Brasil: Minha formação no ensino médio foi em um curso técnico de contabilidade.  Sou cabeleireira e maquiadora. Sou graduada em Letras Português/Francês e mestra em Educação pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Desde 2021, atuo como vereadora em Aracaju, sendo a primeira vereadora trans eleita e a mais votada de 2020.

GB: O que motivou a se candidatar?

Linda: O meu contato com a política partidária começou na Universidade Federal de Sergipe quando tive que lutar para que meu nome social fosse aceito. Conheci o movimento feminista do PSOL que me abriu uma nova percepção do que pode ser a política como instrumento usado a favor das pessoas. Desde 2014, venho participando de processos eleitorais também como forma de fortalecer a democracia e mostrar que o processo eleitoral precisa de renovação e conscientização. Estas sementes de transformação e renovação germinaram em 2020 com minha eleição para Câmara de Aracaju.

Durante a minha atuação como vereadora, percebi, ainda mais, que a mensagem de que a política deve ser a atuação de agentes em prol do bem comum e não para interesses de grupos é muito importante e que preciso que as pessoas entendam mais os mecanismos de fortalecimento da democracia e lutem por justiça social. Recebi estímulos de várias pessoas das diversas regiões do estado que disseram que não só Aracaju precisa desta transformação, que a minha presença e intervenção no parlamento representa, mas o estado de Sergipe como um todo. Existem debates que precisam ser expandidos para todo Sergipe.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBT+?

Linda: Lidamos com fundamentalismos, preciso ficar alerta com a segurança e combater notícias falsas.  Eu costumo dizer que a minha atuação é combativa, independentemente dos ataques que façam. Nesses dois anos da mandata, conseguimos aprovar emendas que beneficiaram a população em Aracaju e sempre estamos nos posicionando nos debates sobre as emendas apresentadas pelos vereadores e vereadoras. Já houve o caso de alguns lá dentro quererem me mandar para a comissão de ética e cassar a mandata por eu falar em temas como transfobia e machismo institucionais, por eu pontuar estas questões quando elas se apresentam em discussões ou votações. A gente sabe a motivação dessas reações, elas são para manter o status quo e o sistema sem questionamentos e mudanças estruturais. Porque reconhecer que o problema existe é ter de atuar em sua solução. E eu vou continuar denunciando que estes problemas existem sim em diversas instâncias, inclusive nos parlamentos.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBT+?

Linda: Eu sou uma pessoa que defende prioritariamente os Direitos Humanos e a educação. Estas áreas têm impactos profundos nas comunidades de maiorias minorizadas como as mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+. No âmbito municipal defendo renda básica, agora na candidatura à deputada estadual, defendo que seja instituída como política pública no estado uma renda básica de R$600 para pessoas em situação de vulnerabilidade. Esta medidas, além de impactos positivos na economia, possibilita mudanças no IDH de Sergipe que está entre os piores do país. Defendo que sejam criados programas de geração de emprego com prioridade para mulheres negras, vítimas de violência e mães solos. Vou ampliar a luta em defesa da equiparação salarial entre homens e mulheres; tenho propostas para o combate à violência contra mulheres e pessoas que gestam, investimento em concurso público, esporte e lazer, gratuidade da passagem, desapropriação de imóveis abandonados para moradias populares;

Entre as pautas LGBTQIA+ estão maior investimento no Centro de Referência em Direitos Humanos e Combate a LGBTQIA+fobia,  a execução do plano estadual de educação com inserção de diretrizes que possam trabalhar a valorização das mulheres e o combate à LGBTQIA+fobia e vou lutar para que exista no estado um plano de enfrentamento a LGBTQIA+fobia. Também estarei na defesa da criação de centro de atendimentos especializados para saúde desta população e a criação de ambulatórios Trans.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Linda: Precisamos constantemente levar educação e informação para as pessoas. Precisamos desmistificar o que é ser uma pessoa LGBTQIA+ levando informações corretas. Precisamos combater fundamentalismos e mentiras e levar a verdade para as pessoas.

Acredito que neste momento devemos usar essa ferramenta que é o voto para eleger candidaturas que estejam compromissadas com as causas LGBTQ+, que tenham propostas e que se posicionem contra medidas reacionárias e fascistas.

Depois, é preciso tratar com a devida importância nossas pautas. Precisamos ter leis e instrumentos públicos e políticas que tratem nossas questões com a devida seriedade, sem colocar nossas pautas como menores ou as pautas que podem esperar mais um pouco. Não podemos mais esperar para sermos tratadas, tratados e tratades com dignidade, ter as mesmas oportunidades na sociedade, ter o direito à cidade e ao bem viver. Só vamos combater a LGBTfobia em coletividade e com coragem para defender a comunidade como um todo.

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Linda: Penso que precisamos informar a população que a PrEP existe e fortalecer as políticas de preventivas de saúde ao passo em que precisamos fazer uma boa distribuição de medicamentos e mecanismos que nos auxiliam neste sentido.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Linda: Uma mancha com comportamentos autoritários e que lembram movimentos perigosos como o nazifascismo na história política do país.

Um (des)governo que espero que termine esse ano e nunca mais volte, mas que deixou feridas profundas na nossa sociedade. Depois de tantos tempos sombrios que o país já viveu, parece que regredimos para o ódio. Esse governo escancarou todos os preconceitos, todas as formas de horror entre os seres humanos. Destruiu os direitos da classe trabalhadora, das mulheres, das pessoas com deficiência, destruiu a previdência, a educação e, na saúde, foi o responsável pela morte de milhares de brasileiros e brasileiras durante a pandemia. A gente vai derrotar Bolsonaro nas urnas, mas ainda precisamos trabalhar unides por muito tempo para derrotar o espírito bolsonarista que paira no país.

GB: Que desafios você imagina enfrentar caso consiga uma cadeira na assembleia legislativa?

Linda: Penso que serão muito parecidos com o que enfrento em nível municipal, com uma diferença que talvez os setores fundamentalistas e reacionárias na assembleia, atualmente tem representantes.

Espero que esta eleição mude este panorama, que existam mais mulheres, pessoas que combatam o racismo, a misoginia e queiram construir uma sociedade de fato sem injustiças e com políticas públicas que funcionem para a população.

Será um desafio enorme fazer a saúde e educação funcionarem no estado para atender necessidades básicas da população. A luta por justiça social e para acabar com a fome que marca minha trajetória política, infelizmente, ainda consistirá em grande desafio. Mas estou otimista com a recepção das pessoas

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)