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Em 27 de dezembro de 1966, algo histórico aconteceu em Belo Horizonte. Depois de muita perseguição, preconceito e ameaças de prisão, era realizado o primeiro concurso Miss Travesti em Minas Gerais. 55 anos depois, o Museu Bajubá realiza a mostra virtual “Entre gritinhos e emoções: 55 anos de Miss Travesti Minas Gerais em Belo Horizonte”, a fim de celebrar esse marco da memória LGBTI+ local.

Na época, o concurso reuniu dez travestis em Belo Horizonte, no palco da boate Cavalo Branco, onde o júri decidiu qual delas teria a melhor performance. O evento foi para as páginas dos jornais da então provinciana capital mineira.

(Foto: Reprodução/ Acervo Bajubá)

“Celebrar os 55 anos do primeiro concurso Miss Travesti Minas Gerais é prestar homenagem a uma cultura que resiste e se transforma ao longo do tempo“, avalia Luiz Morando, pesquisador sobre memória LGBTI+ e curador da mostra. Além da perseguição policial na época, as travestis também sofreram com a forma pejorativa com a qual a imprensa tratava o assunto. “A perspectiva adotada era abordar com exotismo e desqualificação”, pontua Morando.

Uma das personagens de destaque da mostra é Sofia de Carlo, a travesti de 19 anos que foi a vencedora da edição inaugural do concurso. Após a vitória, Sofia tornou-se figura emblemática da noite de Belo Horizonte e assumiu a direção artística de várias casas noturnas da cidade. Ela também era conhecida por seu ofício de cabeleireira e maquiadora em salões de beleza que atendiam a elite da época. Sofia morreu em 2006. “Ela foi uma espécie de liderança reconhecida até os anos 1970/80”, lembra o curador.

(Foto: Reprodução/ Acervo Bajubá)

De acordo com o organizador da mostra, a partir do primeiro concurso, uma sequência de outros eventos do gênero ocorreu em BH. “Por outro lado, a experiência de persistência entre 1961 e 1966 demonstra que já havia uma rede de homossexuais e de travestis em Belo Horizonte que se montavam e participavam desses eventos”, diz Morando.

Além de casas noturnas, as praças públicas na região central de Belo Horizonte passaram a ser alvos frequentes de operações policiais, com o objetivo de encerrar qualquer tentativa de mobilização artística travesti. O Parque Municipal era um dos locais das buscas cotidianas realizadas pela polícia. Por ali eram realizados encontros de travestis, chamadas pela imprensa da época de “tipos estranhos” e “delinquentes juvenis que vêm provocando uma verdadeira inversão dos costumes”.

A mostra virtual tem visitação gratuita e pode ser conferida no site museubajuba.org. Ao longo de oito salas expositivas, o visitante tem acesso a um acervo de imagens e textos que apresentam o contexto da época. Para além do fato histórico em Belo Horizonte, a exposição também contextualiza momentos importantes da prática da montação, como as performances na mítica Galeria Alaska e o memorável show Les Girls, ambos no Rio de Janeiro, entre outros.

(Foto: Reprodução/ Acervo Bajubá)

Serviço

O que? Exposição “Entre gritinhos e emoções: 55 anos de Miss Travesti Minas Gerais em Belo Horizonte”;
Quando? De 27 de novembro de 2021 a 31 de março de 2022;
Onde? Online e gratuita no site museubajuba.org

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)