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A advogada trans e ativista cearense que lutou pelos direitos LGBTQIA+, Janaína Dutra (1960-2004), foi homenageada pelo Google nesta terça-feira, dia 30 de novembro, data em que completaria 61 anos. As informações são do G1.

Segundo a diretora da Rede Trans Brasil e ex-coordenadora do Centro de Referência LGBT Janaína Dutra de Fortaleza, Deidiane Souza, “Janaína Dutra é uma grande referência do movimento pelos direitos humanos no Brasil” e deixou um grande legado para toda a população.

“Janaína Dutra é uma grande referência do movimento pelos direitos humanos no Brasil. A gente precisa dar a dimensão que ela tem não só como uma ativista travesti, que ocupou algumas funções super importantes desse ativismo localmente aqui no Ceará, como também nacionalmente”, diz Deidiane.

Ela ganhou notoriedade por ser a primeira pessoa trans a obter uma carteira profissional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ela morreu no ano de 2004, aos 43 anos, em decorrência de um câncer de pulmão.

“Ela dá nome a espaços importantes de luta, de resistência, de afeto, mas também está nas nossas memórias, no nosso cotidiano, como uma grande ativista que sempre foi. Ela não morre, seu legado está em cada uma de nós, assim como nas próximas que virão. Janaína é luta, é ativismo, é afeto”, completa Deidiane.

Janaína Dutra, primeira advogada trans do Brasil, é homenageada pelo Google
Reprodução

Ativismo e pioneirismo

Conhecida por carregar consigo uma cópia da lei anti-homofobia aprovada por sua cidade natal, Janaína passou a vida inteira participando de conferências, seminários e mesas redondas para defender a igualdade

Ao longo da década de 1980, passou a dedicar seu tempo às causas LGBT e dos seropositivos. Foi participante ativa na construção do Grupo de Apoio Asa Branca (Grab), cuja criação é o marco fundador do movimento da livre orientação sexual e identidade de gênero no Ceará, foi co-fundadora (1989), assessora jurídica e vice-presidente (nos mandatos 1995, 1997, 1999 e 2001) da entidade. No Grupo de Apoio Asa Branca, participou de diversos projetos, entre eles destaque para o ‘Somos’ que trabalhava a prevenção de ISTs/Aids.

Também fundou, ao lado da ativista travesti Thina Rodrigues, a Associação das Travestis do Ceará (Atrac). Dutra também foi presidenta da Articulação Nacional das Travestis (Antra) e membro do Conselho Nacional Contra a Discriminação, e nesse ajudou na criação da Lei Municipal 8.211/98, lei que coíbe e pune a LGBTFobia em estabelecimentos comerciais, industriais, empresas prestadoras de serviços e similares, que discriminarem pessoas em virtude de sua orientação sexual em Fortaleza.

Ao lado do Governo Federal, Janaína Dutra ajudou na construção do programa de “Brasil sem Homofobia” e exerceu trabalho pioneiro junto ao Ministério da Saúde na elaboração da primeira campanha de prevenção da AIDS destinada especificamente às travestis

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"