Assim como a música “Menino do Rio” foi escrita por Caetano Veloso em homenagem ao surfista José Arthur Machado, o Petit, a faixa “Leãozinho” , outro clássico da MPB, veio para fazer referência ao baixista Dadi Carvalho. A canção veio em 1977 para o álbum Bicho, da gravadora Polygram.

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leãozinho
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Dadi Carvalho nasceu no Rio de Janeiro no dia 16 de agosto de 1952, sendo do signo de Leão, vindo daí a referência para a música de Veloso. Seu primeiro trabalho profissional veio em 1970 quando se tornou baixista da banda Novos Baiano, onde permaneceu por cinco anos. Em 75, gravou a música “Scarlet” com Mick Jagger, vocalista do Rolling Stone e de lá para cá já acompanhou diversos artistas famosos, como Marisa Monte, Rita Lee e Carlinhos Brown.

Leãozinho: conheça o homem do signo de leão que inspirou a música de Caetano Veloso
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Em 2015, aos 62 anos, ele lançou sua biografia “Meu Caminho É Chão e Céu“, contando um pouco da sua trajetória, explicando quando ganhou o primeiro instrumento musical de seu pai e como ele acabou tendo uma carreira bem sucedida. No livro, ele é bem resumitivo para contar a história de “O Leãozinho”, dizendo apenas que Veloso o conheceu na época em que ele trabalhava para a Novos Baianos.

“O pessoal da editora até queria que eu escrevesse mais sobre isso, mas eu não tinha muito o que falar” – disse Carvalho para a Folha.

Veloso disse que o “Leãozinho” era o “leonino total, solar”, e que o conheceu ao ir no apartamento dos Novos Baianos em Botafogo.

“Dadi era talvez o único dos que estavam lá que eu não conhecia. Ele tinha 17 anos e era – como é até hoje – luminoso, claramente bom. Quando voltei ao Brasil definitivamente em 1972, o grupo já vivia num sítio em Vargem Grande. Dadi estava lá, com Leilinha, sua namorada (que é sua mulher até hoje, um casamento longevo como quase não há em nosso meio), transpirando virtudes espontâneas e beleza. Fiquei amigo desse casal, que, hoje com filhos e um neto, têm minha admiração pela sabedoria no desenvolvimento do amor. Dadi tinha se tornado um símbolo do novo com que sonhávamos então.”

Dadi e Caetano durante o ensaio para o filme “O Cinema Falado” de 1986 (Reprodução)

Quando questionado o porquê a MPB não explora a beleza dos homens e procura focar na beleza feminina, Veloso diz que é compreensível porque só os homens faziam as composições e que eles são oriundos da tradição poética trovadoresca e romântico

“Quando Dolores Duran escreveu o verso ‘Eu não seria esta mulher que chora’, os homens que cantavam “Castigo” diziam ‘Eu não seria esse ser que chora’ – o que fica bem menos bonito. Mas há o moreno de Assis Valente que ‘Fez Bobagem’; o outro, também dele, que saiu de “Camisa Listrada”; o “pedaço” de Ary Barroso que saiu de ‘Camisa Amarela’; o marido a quem Chico queria tratar ‘Com Açúcar, Com Afeto’ – e outras canções escritas por homens para serem cantadas por mulheres. Raramente surge um nome: só me lembro agora de ‘Frankie’, na versão brasileira gravada por Cely Campelo. Sou da geração que foi jovem nos anos 1960: convenções da tradição não são muito reverenciadas por nós.”

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".