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Com o intuito de realizar um “teatro de cura”, a produtora e autora Aline Mohamad resolveu abrir seus arquivos pessoais mais íntimos para desenvolver o espetáculo inédito “JORGE pra sempre VERÃO“. O primeiro texto teatral de Aline, desenvolvido em parceria com Diego do Subúrbio, chega aos palcos neste sábado (25), às 20h, no Teatro Ipanema.

O texto surgiu após a autora escrever uma carta póstuma para seu primo, Jorge Lafond. Dirigida por Rodrigo França, a história encenada por Alexandre MitreAretha Sadick e Noemia Oliveira não fala apenas sobre o artista falecido aos 51 anos, em 2003, mas sobre a relação que, devido ao preconceito, deixou de existir entre ele e uma prima – a própria Aline.

“JORGE pra sempre VERÃO” (Foto: Rodrigo França)

Depois dos 30 anos algumas coisas foram mudando em mim. Um dia, ao voltar de uma festa onde me vi atraída por uma travesti, escrevi uma carta que nunca seria entregue ao destinatário. Um pedido de desculpas, uma redenção, uma luz nas diversas encruzilhadas que eu tenho com meu primo Jorge Lafond“, relembra Aline que, por muitos anos, não se aproximou de seu primo, devido a figura estranha que ele lhe parecia.

Faremos uma reparação histórica, humanizando um dos maiores artistas deste país. Jorge Lafond passou por um grande dilema na história da televisão brasileira, que retrata o que é o país em relação à população negra e LGBTQIAP+. A violência de ter que sair do estúdio de TV para trocar de roupa, pois um padre entraria, nos mostra o quanto é cruel sermos nós mesmos“, reflete o diretor Rodrigo.

“JORGE pra sempre VERÃO” (Foto: Rodrigo França)

Nascido em Laranjeiras e criado na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, o Lafond disse certa vez em entrevista que tinha consciência de ser gay desde os seis anos de idade. Ele formou-se em teatro pela Uni-Rio e em dança afro e balé clássico; ainda dançou com Mercedes Batista, primeira bailarina negra a ser integrante do corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Por fim, foi um ícone da representatividade negra e LGBTQIA+ no país.

Em cena, as atitudes de Lafond mostram sua força interna, apesar da sociedade opressora para quem ele foi uma pessoa exótica e, ao mesmo tempo, diversão pra “família tradicional brasileira”. “Neste ponto, Silvio de Almeida fala sobre Racismo Recreativo. Fazendo uma livre ressignificação deste termo, enxergar Jorge como o gay divertido nos mostra uma Homofobia Recreativa. […] Jorge já trazia em si muitas dores e estereótipos. Era o negão lindo e hiperssexualizado, e, ao mesmo tempo, chamar alguém de Jorge Lafond ou Vera Verão era ofender a pessoa por ela ser afeminada“, pontua Aline.

“JORGE pra sempre VERÃO” (Foto: Rodrigo França)

Serviço

“JORGE pra sempre VERÃO”
Temporada: 25 de Junho a 24 de Julho;
Dias da semana: Sexta-feira a Domingo;
Horário: 20h (sextas e sábados) e 19h (domingos);
Ingressos: Contribuição Voluntária (distribuídos 1h antes na bilheteria do teatro);
Local: Teatro Ipanema | Rua Prudente de Moraes, 824 – Ipanema.

Cartaz (Foto: Divulgação)



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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)