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Na próxima terça-feira (16), será lançado “O primeiro beijo de Romeu”, pela Galera Record. O livro, é o primeiro romance juvenil LGBTQIA+ do roteirista, ator e autor carioca Felipe Cabral. Com orelha assinada por Jean Wyllys, a obra literária traz na capa um beijo entre dois garotos numa ilustração de Johncito, a fim de abrir espaço para novas abordagens nas histórias LGBTQIA+. 

Inspirado nos acontecimentos da Bienal do Livro do Rio de 2019, onde houve uma tentativa de censura por parte do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, o livro narra as vivências de Romeu que, prestes a dar seu primeiro beijo, tem sua vida virada de cabeça para baixo. Além de ser arrancado do armário para toda a escola, ele descobre que o livro que seu pai lançaria na Bienal do Rio acaba de ser censurado pelo prefeito da cidade.

(Foto: Reprodução)

“A história nasceu ali. Um mês depois da Bienal, eu já tinha toda a premissa do livro na cabeça. É uma releitura, uma livre interpretação dos fatos, uma ficção, mas que escrevo contagiado pelas minhas lembranças”, contou Felipe que, naquela edição da Bienal, foi mediador e curador de duas mesas sobre a literatura LGBTQIA+ na Arena #SemFiltro.

Para o autor, um dos maiores desafios da escrita, foi buscar transmitir a sensação de estar no meio da ação de tentativa de censura. “Celebrávamos os 50 anos da Revolta de Stonewall e eu me senti no meio de uma revolução dos livros“, pontua Felipe. A obra também pauta a LGBTfobia, a liberdade de expressão e as novas composições familiares.

O livro ainda realiza um marco: pela primeira vez, uma obra young adult nacional publicada por uma grande editora mostra um beijo entre dois garotos na capa. Até minha adolescência, nunca havia lido um gibi sequer que tivesse um personagem gay com o qual eu pudesse me identificar. Só aos 20 anos, quando me aceitei gay, fui atrás de um livro onde pudesse me enxergar – e não existiam muitas opções. É inegável que houve um avanço nesta literatura”, aponta Felipe.

Felipe Cabral e sua obra (Foto: Reprodução/Instagram)

De acordo com Felipe, logo no começo da obra, Romeu é tirado do armário à força para toda a escola – mas ele salienta que isso não é um spoiler. “De uma hora para outra, seus medos e inseguranças vêm à tona da pior forma possível. Mas quando eu escolho esse menino como protagonista, eu quero mostrar que ele não está sozinho”, pontua o autor, que espalhou 182 títulos de livros com protagonismo LGBTQIA+ pelo texto como forma de homenagear essa literatura.

Em sua jornada de aceitação, Romeu contará com Valentim e Samuel, seus pais. “Esses dois pais, com seus quase 40 anos, adotaram esse menino e vão fazer de tudo para que ele seja feliz. Quero reforçar que toda família merece ser respeitada e ter seus direitos garantidos. É nesse núcleo familiar que está o coração da minha história”, adianta Felipe.

“Eu desejo que o meu leitor termine ‘O primeiro beijo de Romeu’ e fique com vontade de ir atrás de outros livros com personagens LGBTQIA+. Que tenha coragem para ser quem ele é. Muito já foi conquistado, mas é preciso ir além: dar espaço para histórias com personagens negros, contratar autores negros, valorizar a literatura nacional, ampliar essa representatividade dentro da própria sigla LGBTQIA+. Eu sou otimista e acredito que estamos num bom caminho”, finaliza. 

SERVIÇO

“O PRIMEIRO BEIJO DE ROMEU”, de Felipe Cabral – Editora Galera Record;
Valor: R$ 49,90;
Páginas: 434;
Gênero: Ficção, Infantojuvenil e Jovem Adulto;
Lançamento: 16 de novembro

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)