Aos 70 anos de idade e com mais de 40 de carreira, Angela Ro Ro se sente bem e gostosa. Ela contar estar pesando 60 kg, ainda que tenha tido hábitos nocivos (como ela mesma descreveu) abandonados desde 1998.

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Recentemente, a artista pediu ajuda nas redes sociais por estar enfrentando problemas financeiros durante o período de isolamento social para contenção do coronavírus. Ela declara que gostaria de fazer mais lives, pois depende exclusivamente de seu trabalho para viver, pois não veio de uma família de posses: “Nós fomos ricos em uma série de coisas, mas nunca de dinheiro”.

Apesar das dificuldades que vêm enfrentando, Angela Ro Ro não perdeu o bom humor sarcástico. Ao longo de quase duas horas de conversa ao telefone, a artista de voz rouca deu muitas risadas, se lamentou e também falou sério sobre alguns assuntos pessoais que marcaram a sua vida.

Não existe censura com ela. Ro Ro fala sobre qualquer coisa sem papas na língua: desde escândalos do passado, a fama de possuir gênio forte, a amizade com Cazuza e decepções amorosas. Ro Ro é intensa e avisou que a sua autobiografia será lançada em volumes, porque ela tem muita história para contar.

Divulgação
Angela Ro Ro – Foto: Alexandre Moreira

De que forma a pandemia te afetou? Além da questão financeira, mas pessoalmente falando…

Sinceramente, eu não posso reclamar. Eu vim pra cá (Saquarema, município da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro) em 18 de fevereiro. Eu vim passar o Carnaval aqui. Eu dei sorte, porque aqui tem quintal, tem céu, jardim, mangueiras e arbustos. É uma casa que pertenceu aos meus pais, que foi comprada em 1967 bem baratinha. Mas eu dei uma sorte danada, senão eu teria que ficar na ‘vaga’ onde eu moro em Copacabana. Mas estando dentro de mim. Eu estou bem porque eu gosto de ser “eu”. Então, eu acho que emocionalmente não me perturbou (ela imita um rosnado ao telefone seguido de uma gargalhada). Eu estou me sentindo ótima. Melhor do que em Copacabana, que é um edifício pobre, que tem uns 300 apartamentos por andar, todo mundo sem máscara, todo mundo apertando botão de elevador, uma pobreza, entendeu? Eu me sinto muito bem comigo. Por exemplo, eu falo sozinha às vezes, conjecturo e às vezes faço piada.

Você tem uma longa e bem sucedida carreira, deu pra ganhar muito dinheiro?

Eu não sou rica. Eu tenho cara de rica. Eu tenho uma cara de herdeira de banqueiro alemão; mas meu pai era policial e eu não ganho até hoje a pensão, não sei por quê. Fui espancada cinco vezes pela polícia civil e militar por homofobia e quase sofri uma tentativa de estupro quanto tinha 30 e poucos anos na década de 1980. Acho que em 1984/85. Eu fui muito espancada, perdi a minha visão do olho direito e tenho apenas 60% da visão do olho esquerdo, mas eu não tropeço na rua. Quando ando com alguém digo: “Olha aí, olha aqui” (risos).

Inclsuve você publicou um post pedindo ajuda financeira nas redes sociais.

Eu tenho passado um dobrado infernal financeiramente. Eu já andei pedindo dinheiro para as pessoas no Facebook, no Instagram. E ainda tá lá o post. Eu fiz sem pudor. Porque eu tenho empregados. Eu tenho o caseiro que mora aqui, distante da casa principal. Uma casa muito boa, eu moraria ali tranquilamente, com cômodos generosos, é ali onde mora o caseiro, mas eu pago carteira assinada, previdência. Não deixo nenhum empregado meu pagar os 30% que eles têm obrigação de pagar – eu pago. Porque eu digo: “Meu Deus, se eu tô dura, imagina se eu vou arrancar 30% de uma porcaria de uma previdência”. Meu signo é “sagiotário” (risos). Então eu tenho os meus deveres trabalhistas. Eu tenho uma empregada que é um doce de pessoa, mas eu não gosto de ficar explorando ela, não tem sentido eu pedir pra ela vir aqui toda hora, mas eu cumpro com os meus deveres. Eu pago integralmente, quando eu posso eu ajudo, enfim… Eu não sou nenhuma santa, eu acho que eu faço mais que obrigação.

Reprodução Angela Ro Ro

Por que você não recebe a pensão do seu pai, o que alegam?

Meu pai era policial civil. Até hoje reivindico uma pensão por menor que fosse e me negam. Quando veem que é a Angela Ro Ro, eu sou “barrada no baile”. Eduardo Dusek, lembra? Bom… e foram eles mesmos que me cegaram, né?

E os artistas não te ajudaram? 

Não. Não, porque cada um por si. Eu sou ateia pra não dizer o resto que é: “Deus por todos, e salve-se quem puder” (risos). É cada um por si e salva-se quem puder. Nenhum cantor. Eles têm mais o que fazer da vida deles. Inclusive eu acharia estranho, qual cantor que ia fazer o que? Me sustentar? Nem vou ficar esperando um colega meu me ajudar, me sustentar. Isso seria ótimo, mas eu não conto com isso. Eles estão fazendo a vida deles. Jamais sonhei em esperar uma coisa dessas, mas se algum colega meu botou R$50, que foram as doações maiores, né, porque várias pessoas fizeram anonimamente.

Seu nome já esteve envolvido em algumas polêmicas envolvendo outros artistas e relacionamentos…

Eu gostaria de dizer algo. Saiu uma matéria, não me lembro onde, que espalhou a fofoca, de eu falando mal de Ivete Sangalo e Daniela Mercury. Duas pessoas para mim queridíssimas, que eu admiro. Sou fã do trabalho delas. A Daniela Mercury é uma pessoa que eu adoro. Mulher de brava coragem, que assumiu ser homossexual de uma forma brilhante, e saiu truncada a matéria dizendo que ela finge ser homossexual. Imagina se eu vou dizer que alguém finge ser alguma coisa? Não tem nem sentido isso. Ridículo, né? Me jogaram contra Daniela Mercury. Poxa… Daniela, desde que surgiu, eu disse: “Essa menina tão bonita, tão graciosa, bailarina com formação clássica de balé”. Eu sou encantada pela Daniela Mercury, que foi excomungada por aquele outro Papa maluco, você lembra? Então, imagina se eu ia falar uma coisa ruim de Daniela Mercury ou de Ivete Sangalo, isso não faz o menor sentido. Eu quero esclarecer esse erro infeliz que alguém fez e se espalhou e eu senti de longe que a Daniela poderia ter se magoado, porque ela é uma pessoa sensível. Ivete não. Ivete já trabalhou comigo, sabe como eu sou, nem ia ligar pra essas coisas, mas a Daniela eu fiquei preocupada até hoje e gostaria de esclarecer isso. Eu nunca falei nada mal, nem nada dúbio ou cínico em relação a ninguém, muito menos a Daniela Mercury e Ivete Sangalo.

Reprodução Angela Ro Ro

No Youtube tem várias imagens suas do passado, inclusive uma entrevista muito divertida com Jô Soares. Você costuma assistir vídeos seus antigos?

Tem várias imagens. Eu no Jô soares pesando 130 kg, tomando uísque e fumando. Era uma época que a gente tomava uísque e fumava cigarro nos programas, nos estúdios, no palco, não sei como a plateia conseguia respirar (risos). Eu guardo tudo e às vezes eu publico alguma coisa. Porque tem muita gente, mulher e homem, que estão gordos, às vezes obesos, e ficam desesperados porque muita gente é gordofóbica. Aliás, o pessoal tem fobia de qualquer coisa, ô gente chataaaaa. Eu publico às vezes e digo: “Cara, eu estou pesando há anos, sem engordar, 60 kg”. Eu tenho quase 1,70m, eu perdi 70 kg, conservo este peso e, sabe, eu como de tudo às vezes. Andei sendo vegetariana, mas não vou te enganar não, porque eu não gosto de mentir. Hoje em dia eu estou até comendo carne, de vez em quando um camarãozinho, mas não pego pesado não. Não como linguiça, salsicha, churrascada, não como essas coisas muito pesadas não.

A partir de 1998, você largou o cigarro, o álcool e as drogas, além de ter emagrecido bastante. O que aconteceu de fato que te fez mudar radicalmente?

Você está com tempo? Porque a lista é grande (gargalhadas). Minha mãe morreu no dia 20 de maio de 1999, ela ainda teve a chance de saber que eu ia me recuperar. Foi num telefonema de mamãe, mesmo com câncer e morrendo, mas de uma lucidez absurda, e um humor insuportável. Eu dizia: “Mamãe…” (ela faz voz de choro) e ela falava: “Não chora não, sua mãe está morrendo, mas você está um lixo minha filha. Você não aprendeu nada com a sua mãe. Quando você era hippie, você ensinou a sua mãe a estar macrobiótica, vegetariana, e você não aprendeu nada comigo. Eu aprendi ‘lixo’ com você. Lixo é reciclável” (risos). Ela desligou a ligação e dez dias depois morreu. Como é que eu não ia fazer outra coisa a não ser ‘reciclar o lixo’? Ela me deu esperança de ter sucesso, porque em novembro de 1998, seis meses antes desse telefonema, eu já havia deixado uma série de hábitos nocivos chamado: vícios. A primeira coisa: cigarro careta. Meu Deus, se as pessoas que fumam soubessem o bem que faz parar de fumar, fariam um certo esforço. Você respira melhor, canta melhor, você sente o olfato melhor, você tem mais fôlego… tudo. Y otras cositas más. E quando você larga, larga logo o pacote inteiro.

No passado você tinha fama de ter um gênio forte… (ela interrompe a entrevista dizendo: “Continuo”, aos risos).

Mas eu gostaria de lhe dizer uma coisa. Eu nunca bati, machuquei fisicamente ninguém, nem aquela cantora em 1981. Nunca dei um tapa nela, e nem ela em mim. E até hoje eu carrego essa cruz de infâmia e calúnia. Admiro muito o canto dela, quero o bem dela, não desejo mal nenhum. Foi imperdoável e continua sendo a omissão. Ela poderia ter dito a qualquer hora, desde aquele ano até hoje, ela poderia simplesmente dizer: “Olha, a Ro Ro nunca me bateu”. Não custava nada. Ela calou, e quem cala consente né. Aí eu fiquei com essa bosta dessa má fama, mas também só acredita nessa fama quem não presta.

Angela Ro Ro Foto Alexandre Moreira

Esse temperamento forte tinha relação com algum fato na infância, adolescência?

Na minha juventude eu era um doce de pessoa. Na minha infância, na minha adolescência, eu sempre fui ótima aluna e muito obediente. Talvez eu tenha sido obediente demais aos adultos. Eu fui vítima de uma curra aos nove anos pelo meu tio. Foi brutal. Ele não usou o pênis, porque era um broxa, e contundentemente me arrebentou o ânus com objetos. O nome dele era Benjamin. Eu olhei pra cara dele. Ele tinha trancado a porta do quarto da minha mãe, e foi na cama dos meus pais. Na verdade, ele concorria com o meu pai, porque tentava conquistar a minha mãe, e descontou em mim, e foi lá em casa quando minha mãe havia saído para fazer umas compras. Eu abri a porta. Eu gordona. Eu não estava dançando funk, é porque hoje põe a culpa até numa menina de 5 anos né, que ela é quem estava seduzindo o pedófilo cretino; um monstro foi seduzido pela garotinha de nove anos? Não! Eu era gorda, andava com os pés para dentro, tinha o dente quebrado, não tinha nada de sexy. Ele que era um maluco tarado, então ele trancou a porta, o pênis não ficou ereto, e ele enfiou objetos no meu ânus. Arrebentou o meu reto e tenho sequelas até hoje. Sabe o que eu fiz? Levantei, mesmo sangrando, comecei a limpar para a minha mãe não ver vestígios, e só aos 27 anos eu contei isso para a família. A criança fica tão louca de trauma, que não abre a boca. Eu não sei que gênio forte você diz. Porque desde a infância e adolescência, eu sempre fui muito dócil e doce. Nunca tive problemas com ninguém. Apenas quando eu comecei a ficar famosa, eu comecei a dar entrevistas, e eu abro a boca e sai tudo. Eu não escondo nada, e isso para a maioria das pessoas é insuportável.

Quando você se percebeu lésbica?

Eu tive uma juventude de cortejos. Ainda bem que desde os seis anos eu já gostava de mulher. Eu adorava as vedetes. Não foi uma curra de homem que me fez virar lésbica. Não isso. Graças a Deus eu já era lésbica de nascença. Obviamente isso me traumatizou tanto, que eu, apesar de ser sadia, broxei a minha juventude inteira. Acredite se quiser. Eu broxei a minha vida inteira, tenho provas, com as mulheres mais lindas. Se não desse processo, eu escreveria um livro: “As que eu não comi” (risos), e com subtítulo “Porque broxei”. Só vim a descobrir sexo mesmo depois dos quase 60 anos. Você acredita? Mas agora também (risos), tenho o maior tesão e dou conta de tudo (risos).

Você era amiga do Cazuza?

Sim. Eu era amiga. O Cazuza vivia me atormentando. Vivia reclamando de mim. Você acredita que o Cazuza, apesar de eu ser doidona e ter fama de mais ainda, o Cazuza não achava. Ele dizia: “Pô… tu é muito careta, para de mamaeizar”. Cara, eu não suportava aquilo, eu dizia: “Caju, porque o apelido dele era esse, vai para os quintos dos infernos, que ‘mamaeizar’? Já tem a Lucinha (Araújo) que é uma excelente mãe”. É porque tinha uma hora que a loucura era tamanha, na farra lá, que eu dizia: “Gente, gente… vocês vão se arrepender amanhã” (risos). Especialmente em coisas de sexo. Você está entendendo? Eu continuo sendo antissuruba. Não acho graça em troca de casal e swing. Eu era doida não sei de quê? Porque eu ficava vigiando os meninos. Essa coisa de muita sacanagem, troca de gente, suruba, ménage à trois, essas coisas assim, eu nunca fui ‘chegada’ não. Eu já não era broxa com uma pessoa só (risos).

Início dos anos 80
Reprodução Angela Ro Ro

Você foi uma das primeiras artistas brasileiras a revelar a sua orientação sexual publicamente, senão a primeira. Nos últimos anos, muitos artistas têm saído do armário; alguns têm se declarado inclusive pansexuais. Aliás, a primeira pessoa pública a ter declarado isso foi o cantor Serguei…

Pansexual eu acho ridículo, me perdoe. O Serguei falava isso de sacanagem. Pansexual é quando você faz sexo com árvore, com bicho, com um móvel, com qualquer coisa. Isso não existe. Pan é uma babaquice. Eu sou lésbica diamante. Gosto só de mulher. Só transo com mulher. Só transo por afeto, carinho e amor. Pra mim, tesão tá ligado a amor. Agora então, que depois de velha eu resolvi ter tesão (risos). E eu estou bem. Eu tenho a minha pele flácida e macia. Eu estou com o mesmo peso 60 kg, depois de perder 70kg, depois dos 50 anos. Eu estou achando muito bom e eu perdi com dieta como te falei, ausência de hábitos nocivos, caminhadas e bicicleta.

Mas esse negócio de pansexual, eu tenho uma filha imaginária, que se chama ‘Nem’ – nem uma coisa e nem outra – Diniz Gonçalves. Ela é apaixonada pelo Gianecchini. Ele falou que era pansexual, e ela caiu em depressão. Chorou a noite inteira, foi um inferno (risos). Mas aí ela me perguntava: “Mas ele faz sexo com o aspirador de pó? Mas ele faz sexo com a almofada? Mamãe, ele faz sexo com a árvore que nem o vovô Serguei?”. Para explicar isso para uma filha imaginária é fogo, né (gargalhadas)? Envio aquele abraço ao Gianecchini, eu o admiro muito.

Você pretende lançar uma autobiografia?

Se Deus quiser. Vou ter que lançar em volumes, eu estou com 70 anos, uma vida de muita intensidade. Eu sou muito grata à vida. Tenho que fazer lives. Porque escrever até o ano que vem, quem sabe sai alguma coisa. Tem uma equipe muito boa, que eu não vou dizer nomes agora, esboçando um projeto de fazer um documentário. Então, estão querendo fazer um documentário, eu sendo eu. Quero lançar algo biográfico, mas vai ser em volumes, então não sei se antes de um livro biográfico, eu lanço uma mistura de tudo: poesia, conto, desenho… uma série de coisas.

Foto: Alexandre Moreira

Você saiu de um relacionamento recentemente, inclusive houve um desabafo seu na internet a respeito de uma decepção amorosa.

A última namorada que eu tive me deixou. Depois eu vim saber que ela já estava com outra há um tempão. Não posso evitar de falar isso pra você, isso é o filé da entrevista. Você tentou perguntar isso antes mas eu esquivei, mas eu não vou te deixar na mão não. Ela era 30 anos mais nova do que eu. Ela teve a coragem de dizer pra mim: “Já estou com ela há um tempão sem você saber”. Apesar dela ter tido uma vida maravilhosa comigo, de praticamente um ano. Ela ficou comigo de março de 2019 até janeiro de 2020. Depois houve a separação por causa do isolamento, ela ficou em outro Estado, e eu aqui. Agora por último, ela veio dizer que estava com uma mulher dez anos mais nova que ela, e um parágrafo que ela me mandou foi este: “Eu te amo, mas eu estou com ela, porque ela é mais nova do que eu dez anos, nós somos jovens e temos a vida pela frente”. Isso me deixou triste. Caralho, eu não tenho vida, não? O que é isso? Eu sou Janis Joplin enterrada viva? É o preconceito com a idade. E recentemente, vi o que a Verônica Menezes (produtora cultural e ex-namorada de Angela Ro Ro) fez comigo. Eu vi o povo fofoqueiro, medíocre, tentando humilhar um galã, um ator maravilhoso de 49 anos apenas, por idade (ela se refere ao Fábio Assunção, que namora uma mulher mais jovem e que foi criticado nas redes sociais pela diferença de idade entre eles). Isso não é um absurdo? Mas o pior de tudo, foi essa mulher de praticamente 40 anos, que eu abri o meu lar, abri meu corpo, abri meu coração, abri meu carinho, minha intimidade, dei tudo pra ela que se pode dar sem ser material. Dei o meu amor, fiz o melhor sexo que eu já fiz na minha vida. Ela não pode reclamar quanto a sexo. E ela na minha cara, quer dizer, de longe, por causa do isolamento, dizer que está com outra que é dez anos mais nova do que ela. Eu perguntei a ela: “Verônica, e eu não tenho vida? Você está querendo me enterrar viva? Boa noite”. Eu cuido do meu jardim, dos gatos, eu subo escada, troco lâmpada, subo no telhado e dou no couro. Estou gostosa, faço um sexo bonito, com carinho, mas que doeu, doeu. Doeu a boçalidade dessa mulher, que ainda se diz produtora cultural em Curitiba. Me decepcionou primeiro pela boçalidade, porque isso não é só preconceito, isso é boçal, né? É muita burrice. Isso foi recentemente. Eu chorei, mas agora eu estou com outras coisas na minha cabeça: livro, live, filhote de gato pra cuidar mas magoou.

Quais são os seus projetos atualmente?

Eu quero trabalhar. Eu preciso trabalhar. Eu não posso mais ficar pedindo dinheiro e vivendo de doação como uma monja budista. Eu quero fazer lives. Já fiz duas lives (“Sesc em Casa” e APA, Cultura em Casa), ambas em julho, e desde então, de julho até agora, nada. Não sei se a concorrência tá muito grande, mas as minhas lives foram um sucesso, eu não esperava tanto, deu muita audiência. Eu estou precisando fazer live. Aqui em casa eu tenho um set. Eu sempre vivi às custas do meu trabalho, de mais nada na vida.

Para acompanhar Angela Ro Ro nas redes sociais: Facebook e Instagram. Site neste link.

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