Eduardo Albarella, conhecido dentro do meio LGBTQIA+ como Miss Biá, morreu aos 80 anos nesta quarta-feira, 3 de junho, em São Paulo, vítima do coronavírus. A informação foi confirmada pela sua sobrinha ao G1.

“Temos um ditado entre nós de que ‘quando uma de nós morre, nós morremos um pouco’. Com a perda da Miss Biá ouso dizer que só hoje perdemos muito!” – disse a Drag Queen Ikaro Kadoshi, famosa pelo programa de TV Drag Me As a Queen.

Já a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo emitiu uma nota de pesar:

“Miss Biá, persona de Eduardo Albarella de 80 anos, começou na arte do transformismo no início da década de 60 e não parou mais. Arte, irreverência e bom humor. Estamos em luto. A saudade estará sempre presente”.

Miss Biá é considerada a primeira drag queen do Brasil, já que ela começou a se vestir de mulher em 1958, quando trabalhava como office boy, em São Paulo. Anos mais tarde, ficou conhecida por fazer cover de Hebe Camargo, com direito a perucas loiras e maquiagem impecável remetendo a apresentadora.

Sobre sua carreira, o artista concedeu uma entrevista ao G1 em 2017, explicando que suas referências eram as atrizes de cinema de sua época:

“A gente tinha referências de quem era um Rita Hayworth, uma Marilyn Monroe e procurava fazer aquilo de uma forma bonita.” 

Na sua época não existia dublagens, então ela própria tinha que cantar, além de que no início dos anos 60, não existia boates especialmente designadas ao público LGBTQIA+ em São Paulo, e, portanto, ele tinha que fazer seus shows de drags em boates de héteros.

Uma das drags mais conhecidas entre os brasileiros, Tchaka, usou o Instagram para homenagear sua colega de trabalho, em um texto visivelmente emocionado.

“Hoje nossa RAINHA MÃE PIONEIRA, CORAJOSA, ELEGANTE, CRIATIVA, BEM HUMORADA E SEMPRE ATEMPORAL NO VISAGISMO, RAINHA MISS BIÁ morreu em decorrência da covid-19.

Vamos fazer uma homenagem para Miss Biá às 21h numa live especial com todo glamour, verdade, entrega e inspiração.
Miss Biá está no DNA de todas as drag queens brasileiras pra sempre.
QUEEN BIÁ, OBRIGADA!

Descanse em paz…”

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".