Quem viveu os anos noventa provavelmente lembra da sigla GLS, que era usada para designar a comunidade que hoje chamamos de LGBTQIA+. Você sabe por que houve a mudança?
GLS foi um termo criado no Brasil em 1994 por André Fischer em uma conversa Camila Carvalho na busca de uma tradução para “gay friendly”. A tropicalização da sigla teve motivação a estratégia de comunicação de lançamento do BBS e Festival Mix Brasil do respectivo ano.
Em suma, GLS foi um acrônimo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes e seu objetivo inicial era puramente mercadológico, mas em pouco tempo foi adotado pela sociedade brasileira. O “S” de simpatizantes vinha para representar as pessoas heterossexuais que apoiavam o movimento.

Posteriormente, a própria organização do Festival Mix Brasil fez uma autocrítica ao perceber que as três letras excluíam algumas orientações e identidades. Como nos Estados Unidos já se utilizava a sigla LGBT, em 2008 o termo GLS foi oficialmente substituído, com o objetivo de se aproximar das outras culturas que já a utilizavam. Inicialmente era dito como GLBT, porém as letras “L” e “G” foram trocadas de lugar para valorizar as lésbicas no contexto de diversidade sexual, considerando que a visibilidade dos homens gays é muito maior do que a das mulheres homossexuais na sociedade.
Além disso, o “T” inclui as pessoas trans, colocando a identidade de gênero junto com a orientação sexual. Como o objetivo é a luta por direitos e a promoção das mais diversas identidades de gênero e orientações sexuais, a sigla foi ganhando mais letras, e hoje é mais conhecida como LGBTQIA+, sendo que o “+” é para incluir todas as pessoas que não se enquadram nas outras letras e nem nos héteros e cisgêneros, como pansexuais, agêneros, arromânticos, não binários, gênero fluido etc.
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