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A discussão sobre gênero e orientação sexual é recente na Move3, empresa de logística, tendo se iniciado há aproximadamente 3 anos. “Nunca foi dada atenção a isso, mas sempre foi algo tratado com naturalidade”, diz Gezinei Rodrigues (27), gerente de marketing do grupo. O publicitário, que é abertamente gay, conta que, por entender muito do movimento LGBTQ, começou a levantar alguns debates sobre o tema quando chegou na empresa na tentativa de trazer mais leveza para o assunto. “Não acho que tenho todo o crédito, mas coloquei em discussão coisas que até então não eram colocadas”, explica.

Atualmente, o grupo conta com uma “Política Zero Discriminação”, que faz parte dos documentos oficiais. Casos de homofobia e outros tipos de preconceito são severamente punidos, podendo acarretar demissões. Além disso, o universo da comunidade LGBTQIA+ é abordado constantemente na empresa. “Tentamos trazer ideais, explicar essa sigla, tanto na TV corporativa, quanto em comunicados que mandamos internamente. A gente busca trazer depoimentos de pessoas, ouvir as pessoas quando elas têm algo a dizer a esse respeito para que se sintam aceitas e cada vez mais parte do meio”, conta Gezinei.

Para o CEO do grupo, Guilherme Juliani, identidade de gênero e orientação sexual sempre foram assuntos tratados com naturalidade, no sentido de não fazer diferenciação entre os colaboradores. Na visão do empresário, o tratamento igualitário entre os membros no dia a dia é o fator mais importante da inclusão, que extrapola a necessidade de promover palestras institucionais sobre o tema. “O que nos interessa aqui são os talentos e eles podem estar em pessoas de quaisquer gostos, orientações, preferências. Fazer com que elas se sintam reconhecidas e peças fundamentais na empresa é muito importante para nós”, diz o CEO.

Guilherme Juliani. CEO da Move3 - Divulgação
Guilherme Juliani. CEO da Move3 – Divulgação

O ambiente inclusivo também é relatado pelos profissionais de outros setores da Move3. O gerente de auditoria Raphael Ferreira (31), também abertamente gay, e a gerente operacional Milene Guedes (50), lésbica, falam que se sentem acolhidos nos ciclos de colegas e que todos respeitam as suas orientações sexuais. As declarações, apesar de representaram, em última análise, um direito da população queer a não discriminação, não condizem com a realidade da maioria das pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho brasileiro.

Uma pesquisa da consultoria Mais Diversidade divulgada em junho deste ano ouviu 2.168 membros da comunidade no país e constatou que 1.520 deles, o equivalente a 70%, não se sentem seguros no ambiente de trabalho. Dos entrevistados, 434 disseram não falar sobre a própria sexualidade ou identidade de gênero no local onde trabalham e 759 relataram terem presenciado casos de preconceito dentro das empresas.

Nesse sentido, Gezinei lembra que, como fruto da sociedade, a homofobia também se faz presente na organização em algumas ocasiões. “Não que nunca tenha tido história de homofobia ou discriminação no decorrer da história da empresa. Houve, e muitas, inclusive. Mas eu acredito que buscamos essa retaliação e estamos abertos a ouvir”, relata. A investigação e punição em casos como esse são vistas com bons olhos pelos demais colaboradores homossexuais, que acreditam ser essa a melhor forma de lidar com o preconceito já considerado crime, desde 2019, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Menos palestra, mais diversidade, mais lucro

É justamente a punição em casos de homofobia, atrelada à abordagem do tema com naturalidade, que faz com que a empresa se destaque como um ambiente de trabalho inclusivo para os funcionários. Ainda que as organizações atualmente se declarem LGBTQIA+ friendly e promovam debates e palestras sobre o assunto, no Brasil, a contratação desses profissionais ainda encontra obstáculos na heteronormatividade.

Uma pesquisa realizada pelo projeto ‘Demitindo Preconceitos’, em 2020, aponta que 38% das indústrias e empresas, de 14 estados brasileiros, têm restrições para contratar pessoas LGBTQIA+. “Por mais que essa discussão aconteça hoje em dia com tanta força na sociedade, não quer dizer que aquilo que está sendo feito na teoria esteja sendo feito também na prática”, opina Gezinei.

Os dados, no entanto, divergem das evidências de que os ambientes de trabalho mais diversos são mais lucrativos. De acordo com um levantamento realizado em 2020 pela consultoria McKinsey, companhias diversas apresentam um Ebit (lucro antes de juros e impostos) 53% acima da média de seus pares. A pesquisa ouviu 3.900 colaboradores de 1.300 das maiores empresas de seis países — Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Panamá.

“A partir do momento que você abre para essa cultura de igualdade, respeito, aceitar as diferenças, você abre espaço para muitos talentos, principalmente para essas minorias que, muitas vezes, não têm tanto espaço no mercado. Quando trabalho com essas minorias, estou dando valor a talentos que não tinha tido a chance de se mostrar”, diz o gerente de marketing, contando que, na sua equipe, conta com outro colaborador abertamente gay, uma lésbica, e outra que é bissexual. A partir daí, eu tenho pessoas que colaboram com todos, vestem a camisa. Isso é um grande benefício”, completa.

Raphael também compartilha dessa visão e acredita que um ambiente diverso traz muitos benefícios para Move3, em comparação a outras empresas do setor. “Todos somos seres humanos com capacidades, qualidades e defeitos. Uma vez que a empresa preza pelo serviço independente de características, e sim focando no profissionalismo, todos temos a ganhar: a empresa, o colaborador e tão logo a sociedade”, diz o gerente de auditoria.




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