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O Estado de S. Paulo informou que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu desculpas, em depoimento à Polícia Federal, na última quinta-feira (25), sobre as declarações feitas em entrevista ao jornal, em que afirmou que o “homossexualismo (sic)” é “fruto de famílias desajustadas”. 

O ministro disse aos investigadores que não quis “desrespeitar ninguém” com a fala e afirmou que, na sua visão, “a família dos gays são famílias como a sua”, diz o Estadão.

Conforme apuração do jornal, a próxima etapa do caso deve ser um pedido do relator, ministro Dias Toffoli, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) envie uma nova manifestação e esclareça se quer insistir na abertura de um inquérito.

Milton Ribeiro/ Reprodução

Segundo o termo de declarações da PF, informa o Estadão, Milton Ribeiro respondeu no depoimento “que na sua percepção a família dos gays são famílias como a sua, que (ele) respeita e acolhe a orientação de cada um, que sua prática é a aceitação”. O ministro disse que “não acredita em intolerância” e que “vivemos em um país democrático e que as pessoas podem ter qualquer orientação e respeita todas”.

Rejeição a acordo

Em novembro do ano passado, o ministro da Educação rejeitou o acordo oferecido pela Procuradoria-Geral da República (PGR) que poderia livrá-lo da abertura de inquérito por homofobia no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em manifestação enviada ao STF, Ribeiro comunicou oficialmente que recusa a proposta de acordo e pede o arquivamento do caso. O ministro também reiterou “o seu mais firme pedido de desculpas, já formulado publicamente, a toda e qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida pelas palavras proferidas”.

A admissão de que o ministro cometeu crime de ato preconceituoso contra homossexuais poderia ser interpretada como um sinal contraditório do próprio governo Bolsonaro, que tenta no STF justamente “relativizar” o conceito de homofobia.

Perfil

Milton Ribeiro é o quarto ocupante da pasta da Educação do governo Bolsonaro. O pastor da Igreja Presbiteriana foi nomeado em abril do ano passado, após Carlos Alberto Decotelli, que não chegou a assumir devido à repercussão de uma série de informações falsas descobertas em seu currículo.

Anteriormente, a pasta estava ocupada por Abraham Weintraub, que acabou saindo em meio a tensões com o Supremo Tribunal Federal, após ser gravado se referindo aos ministros do STF como vagabundos.

O primeiro ministro foi Ricardo Vélez Rodríguez, que abandonou o cargo em abril após uma gestão marcada por crises e polêmicas, como exemplo, a intenção de mudar a forma como o golpe de 1964 e a ditadura militar eram retratados nos livros didáticos.




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Jornalista pela Universidade Federal de MS, foi repórter de economia e hoje, além de colaborar para o Gay Blog Br, é servidor público em Joinville (SC). Escreveu ''A Supremacia do Abandono'', livro disponível em amazon.com.br.

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