A Secretaria da Educação de São Paulo (SEDUC-SP) anunciou no dia 16 de junho que afastou a diretora Elizabeth Azevedo e a professora-mediadora, identificada apenas como Marinês, da Escola Estadual Aníbal de Freitas, em Campinas (SP), após Lucas (11) ter sofrido bullying e ser repreendido no WhatsApp após sugerir a realização de um trabalho sobre os LGBT+. Um dia antes, a escola teve sua fachada coberta por mensagens escrita pelos alunos com os dizeres “Ou Aceita ou respeita”, “Eu respeito a diversidade” e outros.
A polêmica com o Lucas se deu no dia 11, quando a irmã dele, Danielle (26), resolveu publicar os prints da conversa em uma rede social. “Oi gente, então, que tal a gente faz (sic) um trabalho sobre o mês do LGBT?”, comentou a criança, tendo uma série de reações negativas dos pais e responsáveis que chamaram a mensagem de “absurda” e “desnecessária”.
A diretora da escola, Elizabeth Azevedo, mandou uma mensagem endossando as atitudes LGBTfóbicas “Quem é você, por favor? Retire seu comentário, por favor. Muito obrigada. Diretora”. Em seguida, Lucas recebeu uma ligação da mediadora escolar, Marinês, que o ameaçou a tirá-lo do grupo caso o comentário não fosse removido, questionando também ao Lucas se ele “achava normal querer saber do assunto com a idade dele”.
Danielle disse que quando chegou em casa, seu irmão estava sem reação e com os olhos marejados. “No telefone, uma mulher gritava com ele, dizendo que o que ele fez era inapropriado. Sem entender, perguntei o que aconteceu e ele me explicou”.
A irmã pegou o telefone e conversou com a Marinês, que era irredutível em seus posicionamentos. “Ela queria a todo tempo me convencer que o Lucas estava errado e que eu estava passando a mão na cabeça dele. Ela não me ouvia, só gritava”, disse, acrescentando que a mediadora só parou de falar quando ela disse que homofobia era crime.
Após o episódio, Danielle enviou mensagens no grupo sobre o estado de Lucas e questionou no grupo de WhatsApp se eles “não entenderam o que fizeram”. As falas foram ignoradas e em pouco tempo a vice-diretora da escola bloqueou o envio de mensagens no grupo.

“Lucas ficou dois dias sem comer direito e chorando nos cantos. Por isso, sabia que não poderia deixar daquela forma. Enviei mensagem pra diretora pra ir lá presencialmente e ela não me respondia, não me atendia e não falou nada sobre o ocorrido”, conta. Ela só conseguiu um horário após outros pais cobrarem um posicionamento da escola. No entanto, o encontro, marcado para dia 15 de junho foi cancelado.
A diretora enviou um pedido de desculpas, mas diferente do combinado, foi enviada à Danielle e não no grupo da turma, além de que estava tarjada como “encaminhada”. “Para mim, ela não escreveu. Porque se ela encaminhou é porque outra pessoa o fez”, disse a irmã de Lucas.
Na nota recebida por Danielle, estava escrito que a escola “acredita na diversidade e nos direitos de todas as pessoas de ocupar os espaços de cidadania”. O documento também afirma que, junto à Seduc-SP, colaboradores da escola passarão por formação para enfrentar preconceitos, rever as formas de comunicação entre alunos e família, e apurar eventuais responsabilidades funcionais.
Com informações do Correio Braziliense e G1
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