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Um triste episódio marcou a noite da última sexta-feira, 25 de dezembro. Final de tarde sob chuva, no Rio de Janeiro, entre 19 e 20 horas. No bairro da Glória, entre os ecos da história e os ruídos modernos de um aplicativo qualquer, um homem branco cisgênero que dizia ser ativo convidou Bezerro ZS (nome fictício) para fazer amor em seu lar, cujo número do apartamento seria revelado na portaria no momento da chegada.

Assim que chegou ao endereço do desejo, Bezerro topou com a realidade no escuro da expectativa: o porteiro, com expressão burocrática, avisou que o ativo já havia deixado “um” subir. Sem olhar nos olhos, sem espaço para protestos.

Bezerro engoliu seco. E, enquanto tentava digerir aquela devolutiva sem afeto, percebeu que não estava só: à sua volta, outros três passivos também aguardavam, com semblantes entre o cômico e o trágico, como se participassem de um concurso silencioso de humilhação compartilhada.

A chuva, fina e persistente, não ajudava. Molhava os ombros e a autoestima, enquanto os quatro olhavam fixamente para o portão, ainda esperando — sabe-se lá o quê. Um sinal. Uma chance. Um pedido de desculpas? Mas o interfone permaneceu mudo, e o apartamento, inalcançável.

E foi assim, sob a chuva e a sombra de um desejo mal agendado, que Bezerro descobriu: naquela noite, o amor não subia. Só escorria.

Em seu Twitter, Bezerro militou: “O ativo babaca chamou vários passivos e o 1º que chegou no local dele entrou. O resto ele deixou na chuva. Não sejam babacas a esse ponto, sério”.

“Pedi o número do apartamento via redes sociais, ele só me bloqueou. Percebi que não ia dar em nada ficar ali. Como eu morava na mesma rua, voltei para casa. Mas tinha uma gay que foi de Uber e pagou 40 contos. E estava chovendo muito”, contou Bezerro em exclusividade ao GAY BLOG BR.

Questionado se o ativo era bonito de rosto e corpo, Bezerro diz que era “o suficiente pra valer a pena sair na chuva, mas nada divino não”, lembra. “R0l4 boa”, continuou.

Bezerro, que possui 26 anos, também conta que não havia menor possibilidade de acontecer algo entre os convidados molhados: “Quatro passivas sedentas por r0la na portaria de outro prédio, na chuva, no Natal, como ia rolar algo?”.

Apesar do imbróglio, Bezerro está bem resolvido com a situação e disse que se houvesse outra oportunidade não hesitaria: “Não guardo rancor. Rola é rola. Claro que iria. Mas nunca seria alguém de confiança. Se me chamassem pra comer uma pizza depois de marcar foda com ele, eu iria sem hesitar”.

Após a história viralizar no Twitter, muitos gays se solidarizaram com Bezerro: “Minha DM está com dezenas de mensagens de amigos solidários. Estou rindo muito dos comentários. Só isso já vale também”, ponderou.

Ativo deixa 4 passivos esperando na chuva: 'Só entrou o primeiro que chegou no local'
Ativo deixa 4 passivos esperando na chuva: ‘Só entrou o primeiro que chegou no local’

CONFIRA OS MEMES

Ativo deixa 4 passivos esperando na chuva 'Só entrou o primeiro que chegou no local' - Ilustração
Ativo deixa 4 passivos esperando na chuva ‘Só entrou o primeiro que chegou no local’ – Ilustração



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