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Conforme o Relatório Parcial de 2021 feito pelo Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+, produzido pelo grupo Acontece Arte e Política LGBTI+ e pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), de janeiro a agosto deste ano 207 pessoas foram assassinadas ou se suicidaram em decorrência de crimes de ódio e da LGBTIfobia no Brasil.

Até agosto deste ano, a média mensal de mortes violentas de LGBTI+ no Brasil é de 25,8, portanto, faltando quatro meses para serem computados no levantamento anual do Observatório, caso a tendência se confirme, 2021 deve superar os 237 casos registrados em 2020. No entanto, muitos crimes contra a população acabam impunes e, em alguns casos, até mesmo sem a identificação dos responsáveis.

Segundo o Relatório Parcial divulgado pelo Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil, gays e mulheres trans e travestis estão entre as principais vítimas da LGBTIfobia no nosso país, com 102 e 86 casos respectivamente; seguidos por lésbicas, com 8 mortes violentas registradas; homens trans, com 2 casos; e bissexuais, com 1 caso registrado. O Relatório aponta ainda que 3 heterosexuais foram assassinados por serem confundidos com LGBTI+ e mais 5 mortes em que a motivação do crime foi a LGBTIfobia, porém, o registro feito pela imprensa local não informava a orientação sexual da vítima.

Até agosto de 2021, as unidades da federação que apresentaram o maior número de mortes foram São Paulo (28 casos), Minas Gerais (24 casos), Bahia (22 casos) e Rio de Janeiro (16 mortes), justamente os quatro estados mais populosos do Brasil. Porém, se considerarmos as populações de cada unidade da federação, os locais mais violentos, a cada um milhão de habitantes, foram Mato Grosso (3,36 mortes por milhão), Alagoas (2,37 mortes por milhão), Amapá (2,27 mortes por milhão) e Sergipe (1,71 morte por milhão).

Em relação à cor/raça das vítimas, nos casos em que foi possível identificar essa característica, há uma distribuição aproximada das mortes entre pessoas brancas e pretas/pardas: 33,82% das vítimas eram brancas (70 casos), 32,37% eram pretas e pardas (67 casos) e o restante (33,82%) não foi possível identificar (70 casos). A idade das vítimas varia de 13 a 67 anos.

Distribuindo-se os casos por decênio, percebe-se que a maioria das mortes ocorreu com pessoas adultas jovens que possuíam entre 21 e 30 anos: 55 casos, que se referem a 26,57% do total. As demais faixas etárias das vítimas correspondem às seguintes proporções: 11,11% de 11 a 20 anos (23 mortes); 15,94% de 31 a 40 anos (33 mortes); 13,04% de 41 a 50 anos (27 mortes); 6,28% de 51 a 60 anos (13 mortes); e 4,35% acima de 60 anos (nove mortes). Não foi possível identificar a idade de 47 casos registrados, o que corresponde a 22,71% do total.

Para Alexandre Bogas Gastaldi, Diretor Executivo da Acontece Arte e Política LGBTI+, o Relatório Parcial reforça que 2020 foi um ano atípico por conta da pandemia, um dos motivos para a redução no número de mortes violentas de LGBTI+ naquele ano.

Brasil teve 207 mortes por LGBTfobia entre janeiro e agosto de 2021
Foto: Luiz Danttas – (Instagram: @_danttaslu) – Reprodução

“Com a diminuição das necessárias medidas de distanciamento social, para conter a pandemia, mais LGBTI+ voltaram a ficar expostas à violência contra suas vidas e seus corpos. Ao que tudo indica, teremos em 2021 um crescimento significativo no número de casos, em relação ao ano anterior, o que impõe medidas emergenciais por parte do poder público, no sentido de assegurar a vida e dignidade da população LGBTI+. Não podemos tolerar que crimes brutais como o do jovem Lindolfo Kosmaski, gay e integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), assassinado com dois tiros e que teve o corpo carbonizado, permaneçam impunes”.

Segundo o prof. Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia, a violência contra a população LGBTI+ volta a se acentuar no Brasil, diante da inoperância dos órgãos públicos.

“Vivemos hoje um verdadeiro apagão de políticas públicas focadas na população LGBTI+. Se antes elas já eram escassas, hoje, todo o aparato estatal de amparo à esta população tem sido desmontado pelo Governo Federal. Somado aos discursos LGBTIfóbicos proferidos pelas maiores autoridades do país, o que se tem é a receita de uma tragédia silenciosa vivida pela nossa população. Por isso, iniciativas como a do Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+ são tão importantes para denunciar e visibilizar esses casos”.

Unidade Federativa

Número de Casos

Mortes por 1 milhão de habitantes

São Paulo

28

0,6

Minas Gerais

24

1,12

Bahia

22

1,46

Rio de Janeiro

16

0,91

Paraná

13

1,12

Mato Grosso

12

3,36

Pará

12

1,36

Pernambuco

11

1,13

Ceará

10

1,08

Alagoas

8

2,37

Espírito Santo

6

1,46

Amazonas

6

1,4

Paraíba

5

1,23

Sergipe

4

1,71

Mato Grosso do Sul

4

1,4

Rio Grande do Norte

4

1,12

Santa Catarina

4

0,54

Rondônia

3

1,65

Piauí

3

0,91

Goiás

3

0,41

Amapá

2

2,27

Distrito Federal

2

0,64

Maranhão

2

0,27

Rio Grande do Sul

2

0,17

Tocantins

1

0,62

Acre

0

0

Roraima

0

0

Total

207




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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"