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Em 2019, os vereadores da cidade polonesa de Krasnik, aprovaram uma resolução colocando a cidade como uma “zona livre de LGBT”. Segundo uma reportagem do jornal O Globo, agora Krasnik está “lutando para conter os danos” da medida.

“[A decisão] pôs em risco milhões de dólares em financiamento estrangeiro e, segundo o prefeito Wojciech Wilk, ‘transformou nossa cidade em sinônimo de homofobia’, o que ele insiste em dizer que não é verdadeiro.” – diz a reportagem.

Uma cidade francesa cortou parceria com Krasnik; a Noruega, da qual o prefeito da cidade esperava receber US$  10 milhões a partir deste ano para financiar projetos de desenvolvimento, suspendeu e disse que não daria subsídios a nenhuma cidade polonesa se de declarasse “livre de LGBT”.

“Nós nos tornamos motivo de chacota na Europa, e quem mais sofre são os cidadãos, não os políticos locais” — lamentou Wilk, que agora está pressionando os vereadores a revogar a resolução que colocou os 32 mil habitantes da cidade no meio de um debate furioso sobre valores tradicionais e modernos.

Cidade polonesa se arrepende de lei homofóbica: "Viramos chacota na Europa e perdemos milhões"
Reprodução

O prefeito Wojciech Wilk admitiu estar preocupado com o fato de que haverá poucas chances de garantir fundos estrangeiros para financiar projetos como ônibus elétricos e programas para jovens caso haja a retirada do status de “zona livre de LGBT”

“Minha posição é clara: quero que essa resolução seja revogada, porque é prejudicial para a cidade e seus habitantes”. – disse Wilk.

A União Europeia, assim como a já citada Noruega e também a Islândia, divulgaram que vão cortar o financiamento para qualquer cidade polonesa que viole o compromisso da Europa com a tolerância e a igualdade. O Parlamento Europeu também aprovou uma resolução em março dizendo que os 27 países do bloco são uma “Zona de Liberdade LGBT”.

A resolução que declara a cidade polonesa como “livre de LGBT” foi elaborada pelo vereador Jan Albiniak, que disse que não tem nada contra gays, chamando-os de “amigos e colegas”, mas que a medida visa debelar ideias que “pertubassem a maneira normal e regular como nossa sociedade funciona”.

A ideia veio após assistir a um vídeo online onde ativistas dos direitos do aborto discutiam com homens cristão na Argentina. Mesmo não tendo a ver com questões LGBT ou com a Polônia, Albiniak disse que o vídeo mostra “que estamos lidando com algum tipo de mal e podemos ver mundialmente manifestações de comportamento demoníaco que devem ser interrompidas”.

Já em nível nacional, o presidente do partido Lei e Justiça, Jaroslaw Kaczynski, afirmou ao jornal “Gazeta Polska” que a Polônia deve resistir a ideias LGBT que estão “enfraquecendo o Ocidente” e que são “contra todo o senso comum.




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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"