GAY BLOG BR by SCRUFF

Organizada pelas agências Haute e efeito, que integram o grupo UMAUMA, a festa TOKKA surgiu em 2017 e hoje é uma das maiores labels de entretenimento do mercado LGBTQIA+ do Brasil.

Conhecido por seu padrão de qualidade, o evento, que nasceu em São Paulo (SP), também levou entretenimento para diversas outras cidades do país, como Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC).

Prestes a retornar às pistas, a TOKKA já tem data, local e ingressos esgotados. A próxima edição  que ocorre no Hangar Campo de Marte, em São Paulo (SP), no dia 6 de novembro, terá um line-up formado por Etcetera, Carola, Dre Guazzelli, Aline Prado e Gustavo Alckmin.

(Foto: Reprodução)

Conversamos com a organização da TOKKA para entender mais sobre como surgiu a label party e quais os planejamentos para a volta das festas após a paralisação do setor. Por quatro anos inovando no mercado de entretenimento com foco em eventos LGBTQIA+, a organização desponta e vira referência no cenário nacional. Confira a entrevista:

  • Sentimos que os ambientes de música eletrônica, no geral, são lugares seguros para a comunidade LGBTQIA+. Como vocês se sentem em relação a isso? Esse é um dos motivos de apostarem no gênero?

TOKKA: Importante lembrar que a nossa comunidade, décadas atrás, tinha como espaço seguro, para viver em liberdade, justamente a pista de dança da música eletrônica. Por muito tempo nosso convívio social foi reduzido a esses espaços, uma vez que em ambientes públicos não era possível. Hoje em dia conquistamos diversos outros espaços (apesar da extrema violência que ainda enfrentamos), mas a pista de dança é um lugar sagrado para nossa comunidade. A música eletrônica é um drive de liberdade para nós e ter a oportunidade de criar experiências nessa linha é tanto um privilégio como uma responsabilidade.

  • Representar essa comunidade é extremamente importante, além de necessário, e o TOKKA impacta fortemente esse cenário. Quando falamos sobre o público, qual é o feedback deles?

TOKKA: O melhor feedback possível são os fatos. Estar com o evento sold out com mais de uma semana de antecedência diz muito sobre o que o público acha da Tokka. Mas isso não vem sem cobrança, pois a expectativa para o evento está bem alta. Isso aumenta bastante a pressão na nossa equipe para realizar o evento da maneira mais redonda possível. Vamos ver se os comentários positivos continuam depois do evento.

Nós começamos lá atrás com o pé no chão, com muita entrega, e sempre enxergamos como queríamos crescer e onde queríamos chegar… e poder fazer essa entrega para esse público do jeito que a gente faz, ver os olhos deles brilharem dessa forma… hoje a gente vê pessoas de outros estados vindo pra São Paulo para curtir o evento, se preparam meses, ficam ansiosas, é muito muito gratificante pra gente.

(Foto: Reprodução)
  • No dia 6 de novembro vocês retornam com uma edição super legal que reunirá muitos amantes da música eletrônica. Como estão se sentindo em finalmente poderem retornar ao campo e levar essa experiência para a comunidade?

TOKKA: Um misto de alegria com ansiedade. Depois de tanto tempo sem colocar a mão na massa, o frio na barriga está intenso. Ainda mais por falar que temos outras preocupações, além das habituais. Estamos muito focados em pontos que não podem mais ser deixados de lado, como protocolos de segurança, inclusão e sustentabilidade.

Estamos cada vez mais empenhados em não somente entregar uma experiência de qualidade, mas também fazer com que a cadeia de produção esteja atenta a esses pontos. Teremos o prazer de receber drags, pessoas pretas, equipe de produção trans, eco copo que vai evitar uso de mais de 10 mil copos descartáveis, camiseta de produção feita de garrafa pet reciclada, além de toda uma estratégia de protocolos de segurança… enfim, precisamos sempre nos preocupar com o impacto positivo e segurança dos nossos eventos.

  • Geralmente as festas do público LGBTQIA+ estão atreladas ao Tribal House, popularmente conhecido na cena. Para o line-up, vocês selecionaram DJs de diferentes vertentes e estão “fugindo” de um certo padrão, apresentando uma sonoridade super versátil. Como é quebrar essa barreira musical dentro dessa comunidade?

TOKKA: A efeito, nossa agência focada no mercado da diversidade tem no seu DNA justamente fugir desse padrão e acredito que esse é o nosso diferencial. Qualquer negócio parte de uma visão, uns vingam e outros não. Porém a visão de trazer uma sonoridade diferente para a TOKKA não somente vingou, como também está influenciando o mercado, pois hoje vemos diversos eventos buscando esse posicionamento. É um movimento natural e ficamos muito contentes em poder contribuir para uma dinâmica mais diversa dos eventos para a nossa comunidade.

(Foto: Reprodução)
  • Desde a época do vinil, a música eletrônica sempre foi um movimento de resistência, tanto da comunidade LGBTQIA+ como de outras minorias marginalizadas. A TOKKA nasceu com essa proposta, certo? Poderiam nos contar um pouco mais sobre a história e objetivos da label?

TOKKA: A TOKKA veio de uma demanda reprimida que o mercado tinha em São Paulo. Quando olhávamos a cena gay, ela já estava bastante desgastada, tanto na cidade quanto no país todo. Então, logo quando enxergamos essa possibilidade e vimos que estávamos dentro de um ecossistema como a UMAUMA, que tem várias opções de entretenimento no universo hétero, pensamos: por que não unir essa experiência que a UMAUMA/Haute tem com uma entrega ao público gay? Começamos bem pequenininhos, tudo bem pensado passo a passo, com a primeira edição para 250 pessoas, a segunda para 950, a terceira 1.500… e aí fomos crescendo. Mas sempre com esse cuidado na entrega, na produção e na música, principalmente, pois as pessoas reclamavam sempre que só haviam opções de rolês de Tribal House ou Pop. Como enxergamos o recente retorno do House e do Disco, pegamos um pouco disso que estava acontecendo, observando esse êxodo do público gay para outras experiências, e buscamos nos nivelar a isso.

Na hora que o público enxergou a qualidade de como fazíamos as coisas, eles começaram a acreditar que poderiam investir o dinheiro deles naquilo, porque o público gay no Brasil é muito pé atrás com a própria entrega dos eventos LGBT. Pode ver que mesmo antes da pandemia a galera não queria pagar caro para ir em evento gay, mas pagava caro para ir em festa hétero. Então, a gente ajudou a criar uma credibilidade, as pessoas passaram a confiar nos nossos projetos, no valor das entregas e isso ajuda a manter o nível das festa lá em cima.
A TOKKA veio por esses quatro anos ajudando a nivelar essas produções e dar uma chacoalhada no mercado, falando: “a gente precisa mudar, as pessoas estão consumindo outras coisas, outros tipos de experiência e temos que sair do lugar”.
(Foto: Reprodução)

Junte-se à nossa comunidade

Mais de 20 milhões de homens gays e bissexuais no mundo inteiro usam o aplicativo SCRUFF para fazer amizades e marcar encontros. Saiba quais são melhores festas, festivais eventos e paradas LGBTQIA+ na aba "Explorar" do app. Seja um embaixador do SCRUFF Venture e ajude com dicas os visitantes da sua cidade. E sim, desfrute de mais de 30 recursos extras com o SCRUFF Pro. Faça download gratuito do SCRUFF aqui.