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O slogan do programa jornalístico “Documento Especial” fazia jus ao nome: “Televisão verdade”. E de fato era. O programa passou por três emissoras: Manchete (1989 a 1991), SBT (1992 a 1995) e Band (1997 e 1998). O ápice foi no extinto canal carioca abordando temas considerados polêmicos, mostrando de forma aberta e sem censura a realidade brasileira, muitos deles relacionados ao universo LGBT+, incluindo a vida de transexuais e garotos de programa.

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Apresentado pelo jornalista e ator Roberto Maya, o “Documento Especial” era uma espécie de “Globo Repórter”, mas com destaque aos temas controversos que, até então, não eram expostos na TV. Antes da exibição, um aviso em letras garrafais alertava sobre o conteúdo desaconselhável para crianças e pessoas sensíveis. A cada semana, um assunto atual; alguns episódios se tornaram memoráveis, como “Vida de Gordo”, que foi a maior audiência da história do jornalístico. 

A trilha sonora era caprichada e sempre de acordo com o tema abordado. A música “Cenas de Violência e Tensão”, da cantora e compositora Sylvia Patricia, ficou eternizada em várias matérias sobre transexuais e prostituição.

Era pós-censura

A Rede Manchete soube explorar alguns assuntos provando que a melhor fase do “Documento Especial” foi na falida emissora da família Bloch. No primeiro mês de exibição, atingiu 9 pontos de audiência – num horário ingrato que costumava dar traço.

As reportagens se concentravam no eixo Rio-São Paulo. Com objetivo de retratar os fatos de forma imparcial, revelava ambos os lados da história com intuito de não apelar para um caminho tendencioso, em que mocinhos e vilões revelavam seus pontos de vista sobre a situação.

Em 1990, “Crimes contra homossexuais”, mostrou a violência praticada geralmente por garotos de programa. Em “Profissão Prostituto”, descortinava o cotidiano noturno de michês das ruas cariocas no auge da Aids, em que cenas do espetáculo “Noite dos Leopardos” tiveram destaque.

Ainda hoje algumas matérias repercutem com por depoimentos bizarros, como Os pobres vão à praia”, de 1989 (com depoimentos preconceituosos), “Muito Feminina” (sobre lesbianismo), “Condomínios” (1993), Guerra Social” (violência urbana), Surfe Ferroviário”, “Noites Cariocas” (também sobre violência, mas no SBT), “Os Picaretas”, “AIDS e Prostituição” e tantas outras pautas interessantes.

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Reprodução: Roberto Maya

Zona Sul do Rio de Janeiro

Noites Cariocas (1992) e Delírio na Madrugada (1989), mostraram as confusões na cidade maravilhosa, principalmente na zona sul, com flagrantes de assaltos a prédios, mercado do sexo (transexuais), ações da polícia nas comunidades e brigas de rua.

Mas o episódio Condomínios (1993), que abordou o transtorno quando se tem vizinhos indesejáveis morando em uma “cabeça de porco” ou em um “treme-treme” (expressões usadas quando um edifício tem centenas de habitações e muita confusão), virou até meme recentemente. Na reportagem, o foco foi o popular prédio ‘Baratão 200’, localizado na rua Barata Ribeiro, em Copacabana, com seus 45 apartamentos por andar, totalizando 507 imóveis. Dono de uma péssima fama no passado quando era um reduto de prostituição e tráfico, atualmente, a má reputação é algo superado.

Em um trecho do programa, uma moradora, sem saber que está sendo filmada (um pioneirismo das câmeras escondidas), fala do vizinho homossexual e das ‘reuniões sexuais’ promovidas por ele em casa, finalizando com a frase: “(…) aonde tem bicha tem sossego?” (sic). 

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Ao longo de sua trajetória marcada por altos e baixos, o “Documento Especial” teve 430 episódios. Sucesso de público e crítica, em várias ocasiões foi líder no ibope, chegando a conquistar 47 pontos de audiência, algo possivelmente improvável nos dias de hoje. Chamado de sensacionalista, para muitos o programa era apenas registos “sem filtro” de uma faceta da sociedade segregada, marginalizada e minoritária, que muitos desconheciam existir.

Para assistir ao episódio “Condomínios”:

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