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O ex-BBB Gilberto Nogueira, mais conhecido como Gil do Vigor, revelou em sua biografia “Tem que Vigorar!” que passou por um treinamento de “cura gay” enquanto foi missionário. Na ocasião, ele entendia que poderia deixar a homossexualidade se atendesse ao chamado divino, mas agora ele defende a ideia de que ser gay não é doença.

Gil do Vigor contou que se reprimia ao atuar como missionário mórmon da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em 2011, ele foi até São Paulo para ser “curado”.

“Durante a missão, eu me reprimia. Negava quem eu era. Achava que, por ser missionário, fosse ser ‘curado’. Como se homossexualidade fosse uma doença. Era algo que me dilacerava profundamente”, disse Gil do Vigor em seu livro, acrescentando também que tinha um amigo que dizia que não queria andar com ele na rua porque ele não tinha “jeito de homem”, e isso era “errado”.

Nesse processo, Gilberto então era filmado e o amigo dava “dicas” de como ele ter um jeito mais masculinizado para ficar “parecendo homem”.

“Essas coisas absurdas pelas quais passava me faziam demorar ainda mais para aceitar minha sexualidade, para aceitar que não sou doente, que é tudo um enorme preconceito” – disse Gil.

Ele chegou a namorar uma mulher da igreja e que foi um longo processo para aceitar quem ele é.

Gil do Vigor continua sendo gay após "cura gay"; orientação sexual não é doença
Reprodução

GIL DO VIGOR TENTOU A CURA GAY, MAS POR QUE ELA É PROIBIDA?

Segundo o vídeo Existe Cura Gay? do Nerdologia, existem muitas características nossas que queremos mudar e não necessariamente se tratam de doenças, citando que uma ruga na testa, por exemplo, dificilmente será considerada uma doença pela sociedade, mas a pessoa pode procurar um cirurgião plástico para aplicar botox e se livrar dela.

Partindo dessa premissa, uma pessoa pode saber que homossexualidade não é doença e mesmo assim, por crenças e valores morais, ela queira sair daquela condição, já que isso é motivo de sofrimento. Ou seja, a pessoa sente atração sexual por pessoas do mesmo sexo, mas gostaria de desejar o sexo oposto.

Ignorando o fato daqueles que renunciam seu desejo sexual em prol de viver uma vida heteronormativa sob o argumento religioso de que “isso é o certo”, um estudo científico publicado em 2008 pela Ohio State University em parceria com a University of Minnessota, avaliou todas as tentativas de terapia publicadas nos últimos cinquenta anos, incluindo psicoterapia individual ou coletiva; tratamento eletroconvulsivo; indução de náusea ou vômito; hipnose e reorientação de orgasmo.

Todas as tentativas falharam em reorientar o desejo sexual dos pacientes, causando aumento no número de depressões profundas, disfunções sociais, pensamentos suicidas e outros danos psicológicos. O estudo também concluiu que essas tentativas não tinham fundamentação teórica, haviam sérias falhas metodológicas e violavam princípios éticos e direitos humanos.

Já um outro estudo publicado na Professional Psychology: Research and Practice 33, fez uma entrevista com mais de 200 clientes que passaram pela terapia de reorientação sexual. Destes, apenas 26 declararam que a terapia era de alguma ajuda e só 9 disseram passar a desejar o sexo oposto. Já o restante, os danos psicológicos foram os mesmos citados anteriormente.

Os testes de hipótese apontam que, assim como os héteros não mudam sua orientação sexual pela presença de gays (ou seja, não há nada que faça a pessoa desejar o mesmo sexo), os homossexuais também não são convertidos em héteros.

A conclusão é de que não existe nenhum método que reoriente o desejo sexual de ninguém, já que a homossexualidade se trata de mais uma variação da natureza. Além disso, os gays que buscam ajuda por estarem sofrendo devido a sua condição, param de sofrer quando aceitam sua homossexualidade e não são mais perseguidos por aqueles que estão a sua volta.

O que acaba com o sofrimento é a aceitação, não a reorientação.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"