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No último domingo (5), o Fantástico, da Rede Globo, mostrou detalhes da investigação que apura denúncias de assédio sexual de dois jovens contra religiosos do Mosteiro de São Bento, em São Paulo. O programa mostrou detalhes da investigação da polícia e conversou com uma das vítimas, que não quis se identificar. Com informações do G1.

Uma das provas apresentadas foi uma série de troca de mensagens entre um dos jovens, que trabalhava como alfaiate do local, e um dos monges. Nelas, Rafael Bartoletti, o Irmão Hugo, envia fotos sem camisa e manda um “beijão molhado” para o rapaz. Além disso, o monge também tinha o costume de abraçá-lo e descer as mãos até quase tocar em suas nádegas.

(Foto: Reprodução/ Fantástico)

Em depoimento à polícia, o jovem disse ainda que pediu ajuda a outro monge: Marcílio Miranda Proença, chamado de Dom Francisco. Mas, segundo o rapaz, em vez de tomar providências, ele também passou a assediá-lo. Dom Francisco passou a abraçar o rapaz por trás, chamá-lo de gay, e dizer que, quando o alfaiate chagasse à maioridade queria manter relações sexuais com ele.

Ao Fantástico, outro rapaz que trabalhava na biblioteca, conta que também foi assediado por um superior hierárquico. “Às vezes, a gente estava de costas organizando os livros, limpando, ele meio que encoxava a gente. Teve uma vez que eu estava hospedado lá, ele bateu na porta, entrou, e queria deitar. Ele falou que queria dormir comigo. Eles tentavam tocar na gente”, relembra.

Rafael Bartoletti, o Irmão Hugo, é um dos religiosos acusados por assédio sexual (Foto: Reprodução/ Fantástico)

Mesmo com a tentativa de levar as denúncias aos superiores do mosteiro, os jovens não obtiveram resultado. A situação foi piorando, até afetar a saúde das vítimas – os dois afirmam ter tentado suicídio antes de resolverem deixar o local de vez e se juntarem para denunciar os casos.

“Eu entrava em pânico na rua. Dentro do mosteiro, às vezes eu, andando assim, começava a chorar muito e vinham pensamentos suicidas. Pelo fato que era a única forma de acabar com aquilo. Que era um vazio, uma dor. Era algo que eu não sabia o que que era, eu não controlava”, afirma a vítima.

Após mais de um ano de investigação, em junho do ano passado, quatro religiosos foram acusados de abuso sexual pelo Ministério Público. Um deles morreu de Covid-19 em dezembro de 2020, mas os outros seguem respondendo processo. Eles foram ouvidos pela polícia e negam o crime. De acordo com o Fantástico, o mosteiro está sob intervenção do Vaticano devido às denúncias.

Em nota, o Mosteiro de São Bento manifesta repúdio e intolerância a eventuais desvios de conduta de quaisquer de seus membros. Também informa que os denunciados foram afastados e respondem não só perante a lei civil, mas também à Justiça eclesiástica.

Mosteiro de São Bento (Foto: Reprodução)

 

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)