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A Aliança Nacional LGBTI+ emitiu um comunicado, no último dia 21 de janeiro, pedindo com urgência, que o Ministério da Saúde priorize as pessoas que vivem com o vírus HIV para a vacinação contra a COVID-19.

O grupo baseia seu argumento em uma pesquisa divulgada pela revista HIV Medicine, que indicou que as pessoas com HIV podem ter até três vezes mais probabilidade de apresentar sintomas graves do coronavírus.

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Segue a nota na íntegra:

“AO MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE IMUNIZAÇÃO E DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS, COORDENAÇÃO-GERAL DO PROGRAMA NACIONAL DE IMUNIZAÇÕES

SOBRE VACINAÇÃO CONTRA CORONAVÍRUS PARA PESSOAS VIVENDO COM HIV

Diante da escassez de vacinas nesta primeira etapa da imunização contra o coronavírus, o Ministério da Saúde priorizou alguns grupos trabalhadores da área de saúde: profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e também profissionais de apoio, como cozinheiros e pessoal da limpeza de hospital, motoristas de ambulância, cuidadores de idosos.

Indígenas aldeados em terras demarcadas, pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas e pessoas de 75 anos ou mais também devem receber a vacina nessa primeira fase. Os próximos a serem imunizados, em uma segunda fase, serão os idosos entre 60 e 74 anos.

Quem tem HIV deve entrar na lista de prioridades? A ex-diretora do Departamento de IST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dra. Adele Benzaken, afirmou que pessoas com HIV devem ter prioridade no acesso à vacina. ‘Venho dizendo isso há um tempão. Principalmente as com CD4 baixo. Não têm nenhuma contraindicação para as pessoas com HIV se vacinarem.’ A imunidade baixa é fator de risco para infecção pelo coronavírus.

Uma pesquisa divulgada pela revista HIV Medicine indicou que pessoas com HIV com contagens de CD4 abaixo de 350 têm quase três vezes mais probabilidade de apresentar sintomas graves da COVID-19 do que pessoas com contagens de CD4 mais altas, corroborando os alertas da British HIV Association e da European AIDS Clinical Society de que pessoas imunossuprimidas com HIV têm probabilidade de desenvolver a forma grave da doença.

Assim, vimos através deste, solicitar que pessoas vivendo com HIV e AIDS, possam fazer parte do calendário de vacinação contra o Coronavírus como grupos prioritários nas primeiras fases, assim como acontece na vacinação da gripe. Já acompanhamos algumas discussões da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids do Departamento de Doenças e Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde neste sentido.

ONG pede prioridade na vacinação para pessoas vivendo com HIV
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Considerando que as pessoas com HIV e aids, principalmente aquelas com diagnósticos com mais de 10 anos em uso de antirretrovirais, podem ter nível de colesterol alterado, hipertensão, diabetes, obesidade causada pela lipodistrofia, comprometimento hepático, renal, ósseo onde fica caracterizado adoecimentos crônicos, de modo que o contágio com a COVID-19 causaria um agravamento no quadro clinico destes pessoas.

Infectologistas como ex-diretora do Departamento de IST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dra. Adele Benzaken, recomendam que pessoas com HIV e CD4 baixo tenham prioridade no acesso à vacina. Essa é também uma recomendação do Dr. Valdez Madruga, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo. ‘Quem tem HIV e outras comorbidades, é idoso, CD4 baixo e carga viral detectável, tem mais chances de desenvolver um quadro grave caso tenha COVID-19. Por isso, essa pessoa deve ser vacinada contra o novo coronavírus o mais rápido possível.’

O coordenador do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Alexandre Gonçalves, contou que ‘estudos recentes conduzidos no EUA, Europa e África têm demonstrado piores desfechos entre as pessoas vivendo com doença causada pelo novo coronavírus quando comparado à população não infectada pelo HIV. As descobertas vêm de uma análise de todos os casos de infecção por coronavírus diagnosticados em pessoas com HIV em hospitais de Madri, Milão e 16 cidades alemãs.

Considerando o Art. 196. da Constituição Federal de 1988, que determina que ‘A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação,’ a Aliança Nacional LGBTI+ solicita em caráter de urgência ao Ministério da Saúde que tais recomendações seja atendidas, evitando assim danos aos usuários, como também reconhecemos que só através do diálogo construtivo entre a sociedade civil, gestores e os órgãos fiscalizadores dessas políticas, fortalecermos o Sistema Único de Saúde e garantiremos uma assistência integral para pessoas LGBTIs e para as pessoas vivendo com HIV e aids em nosso país.

21 de janeiro de 2021

Toni Reis
Diretor Presidente da Aliança Nacional LGBTI+

Gregory Rodrigues Roque de Souza
Coordenador de Comunicação da Aliança Nacional LGBTI+
Coordenador Titular da Aliança Nacional LGBTI+ em MG

Augusto Patrini Menna Barreto Gomes
Coordenador Nacional para HIV/AIDS da Aliança Nacional LGBTI+

Robson Lourenço da Silva
Coordenador Adjunto de Comunicação da Aliança Nacional LGBTI+
Coordenador Adjunto da Aliança Nacional LGBTI+ em Pernambuco”

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"

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