Prefeito de Salvador se manifesta a favor do casal que sofreu homofobia

Antônio Carlos Magalhães Neto reforça ter criado uma coordenadoria na Prefeitura de Salvador para combater casos de homofobia em sua gestão

O prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, se pronunciou no último dia 18 de novembro sobre o caso de homofobia ocorrido no restaurante Baravento, na Barra-Ondina, em Salvador, em que duas lésbicas foram constrangidas pelo gerente.

Sou favorável a todas as políticas afirmativas de combate ao preconceito e à discriminação em relação aos LGBTs. Por isso criamos uma coordenadoria somente para isso na Prefeitura” – disse o prefeito de Salvador.

ACM Neto Prefeito de Salvador se manifesta a favor do casal que sofreu homofobia
ACM Neto se manifesta a favor do casal de lésbicas (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

A situação mencionada por ACM Neto se trata do casal Mayana Mendes e Gabriela Garrido, que trocavam carícias no restaurante, quando foram surpreendidas pelo funcionário Aurélio, dizendo que o local não era adequado para os atos de carinho.

“Há muitas crianças e famílias e tal atitude não cabe aqui” – disse o gerente.

O caso ganhou visibilidade nacional quando o humorista Fábio Porchat publicou no Twitter:

“Não é aceitável que pessoas sejam discriminadas, constrangidas e postas pra fora de estabelecimentos apenas por serem LGBTs. Para combater esse tipo de violência foi aprovado na Câmara de Salvador o PL Teu Nascimento e agora a lei aguarda a sanção do prefeito @acmneto_ Quando?”

Segundo Garrido, elas não estavam fazendo nada que pudesse constranger as pessoas ao redor.

“Cheguei no restaurante em torno das 16h, demorou quase 2h até que ele fizesse essa abordagem. Na hora do pôr do sol, eu e minha namorada sentamos na cadeira lado a lado. Tiramos algumas fotos juntas, em determinado momento acariciei o rosto dela, dei um beijo no rosto e ela me retornou com um ‘pitoque’. Foi só isso”, disse, em entrevista ao Correio 24 horas, dizendo também que chorou muito por “se sentir ultrajada”.

Gabriela é uma cliente de longa data do restaurante e, segundo ela, passou o Réveillon dos anos 2000, 2001 e 2002 por lá.

“Meu avô é morador da Barra, cresci aqui com minha família. O senhor está entendendo que o que está acontecendo pode ser considerado um ato homofóbico? Por favor, quero falar com seu superior”.

Casal lésbico sofreu homofobia em restaurante (Foto: Reprodução)
Casal lésbico sofreu homofobia em restaurante (Foto: Reprodução)

Quando o gerente chegou, ele disse apenas que “respondia pelas regras da casa”. Foi nesse contexto que a Gabriela, mesmo abalada, chamou a polícia cerca de uma hora após o ocorrido. Quando os policiais chegaram, o gerente negou o ocorrido, dizendo que a cliente estava “fazendo um show”.

“Depois disso, ele [o gerente] começou a fazer deboche da gente na cozinha” – disse.

Fortalecendo os argumentos do casal lésbico, a pedagoga Jaíra Gonçalves, de 37 anos, disse que viu tudo e comentou ao Correio que não houve “nada demais”.

“Deram um beijo, um selinho, como eu dou em meu marido, e nesse momento chegou o gerente e eu ouvi ele falando que não era permitida aquela ação (…) Não cabe mais, em pleno século XXI, a gente ter que lidar com aquele tipo de situação. Foi constrangedor demais ver aquelas meninas sofridas daquele jeito. Tô aqui para ajudar elas e pra ajudar esse mundo ‘doido'”

Já o restaurante emitiu uma nota de esclarecimento dizendo que lamenta o ocorrido.

“O Restaurante Barravento lamenta o transtorno que por ventura tenha causado a seus clientes. O estabelecimento repudia qualquer ato discriminatório, seja ele homofóbico, racista, de gênero ou social. Acredita e prega o livre respeito a todxs. Por isso, pede desculpas a quem tenha se sentido ofendido.

O Restaurante Barravento informa ainda que em sentimento e respeito aos seus clientes, toda a sua equipe de atendimento passará pelo Programa de Combate à LGBTFOBIA institucional Municipal de Salvador”.