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No Brasil, há levantamentos sobre homicídios de pessoas LGBTI+ e estimativas sobre a representação de transexuais na prostituição. Contudo, não existem pesquisas que tracem o perfil da comunidade LGBTI+ do país. Buscando contribuir com a produção de conhecimento científico no país, a startup sem fins lucrativos, TODXS Brasil, lança a primeira parte da Pesquisa Nacional por Amostra da População LGBTI+.

O relatório apresenta dados com foco nas condições socioeconômicas e demográficas da população LGBTI+. Por meio de um questionário online, mais de 15 mil internautas informaram a faixa etária, a identidade étnico-racial, a identidade de gênero, a sexualidade, religião, nível educacional, estado civil, domicílio e se possuem algum tipo de deficiência.

De acordo com o relatório, demograficamente, a população LGBTI+  está concentrada na região Sudeste, com 42,68%, seguido da região Nordeste com 24,91%, Centro-Oeste com 13,45%, Norte com 10,58% e, finalmente, a região Sul com 8,38%.

Além disso, a pesquisa dimensiona se os participantes contaram sobre a identidade de gênero ou sexualidade para pessoas próximas. A partir das respostas, constata-se que 52,06% de respondentes são publicamente LGBTI+, 19,66% contaram somente para familiares e amigos, 18,11% apenas para pessoas amigas e 8,08% somente revelou entre amigos e colegas de trabalho. Enquanto, 1,41% dos respondentes não contou para ninguém, 0,48% contou somente para família e 0,20% somente para colegas de trabalho.

“Esses dados são importantes para comunidade, pois, pela primeira vez, seremos capazes de fornecer a granularidade necessária para entender a população LGBTI+ do Brasil em todos os estados e a profundidade que precisamos ao olhar para essa população em seis dimensões diferentes”, afirma o diretor executivo da TODXS, Leonardo de Oliveira.

Identidades

De acordo com a pesquisa, as pessoas LGBTI+ autodeclaradas de cor branca na pesquisa, correspondem a 50,64%, de cor parda a 31,23% e de cor preta a 14,85%. Apenas 1,19% se declararam da etnia amarela, 1,02% indígena e 1,04% não desejou declarar e 0,03% são de outras etnias.

Em relação à identidade de gênero, 88,05% de respondentes são pessoas cisgênero, sendo 44,32% de homens e 43,73% de mulheres cisgêneros, portanto, o perfil majoritário da pesquisa é de pessoas cis. As pessoas transexuais e travestis correspondem a 3,53%: 2,15% são homens trans, 1,16% são mulheres trans e 0,22% são travestis. E as pessoas não binárias somam 6,02% dos respondentes. Contudo, o relatório salienta que, pelo fato da pesquisa ser online, pessoas transexuais, grupo mais marginalizado da comunidade, não possui tanto acesso à internet, assim influenciando no resultado.

Sobre a orientação sexual, 65,47% das pessoas que participaram desta pesquisa se declararam como homossexuais, seguidas pelas bissexuais, com 26,75%. Dentro da categoria homossexual, houve uma maior representatividade da identidade masculina, com 53,86% das respostas, seguida pela identidade feminina, com 39,55% de respondentes.

Educação

A Pesquisa conclui que há indícios de um maior nível de escolaridade entre homens cisgênero em relação a pessoas trans e mulheres cis, haja vista que o percentual para as pessoas que declararam como maior grau de escolaridade o ensino universitário completo é maior entre aquelas que se declararam homem cisgênero (54%).

No geral sobre o perfil educacional da população LGBTI+,  63,64% possuem o nível universitário como o mais alto, 22,98% cursaram até o Ensino Médio, 12,25% finalizaram um curso de pós-graduação (mestrado, pós-graduação, doutorado), 1,09% fizeram até o ensino fundamental e apenas 0,03% não possui escolaridade registrada.

Apesar das diferenças percentuais na escolaridade, a maioria respondeu que escondeu ser LGBTI+ durante o ensino médio, com 67,28%; enquanto 32,72% não esconderam ou disfarçaram a identidade.

Metodologia

Sobre a metodologia, a pesquisa foi realizada a partir da aplicação online de um questionário, que coletou respostas de habitantes das 26 capitais estaduais do país e do Distrito Federal, de 04 de abril de 2019 a 03 de julho do mesmo ano. Somente pessoas maiores de 18 anos participaram da pesquisa, a qual contou com a colaboração de 15 mil brasileiros.

“A Pesquisa foi construída, principalmente, através de categorias presentes no Censo IBGE, o que possibilita que outras pessoas pesquisadoras utilizem os dados produzidos e que exista algum grau de comparação com outras pesquisas. A pluralidade da população LGBTI+ sempre foi um ponto de extrema importância para nós, uma vez que nosso objetivo era retratar as várias identidades dessa população e não apenas parte dela, por isso buscamos mobilizar diversos marcadores sociais da diferença e seus entrecruzamentos para compreender suas múltiplas vivências”, afirma Gabriela Melo, diretora de Pesquisa & Desenvolvimento da TODXS.

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