Apenas 9% da população sabe que soropositivos em tratamento não transmitem HIV

Embora tenhamos avançado quando o assunto é a compreensão e tratamento de HIV, infelizmente ainda há quem enxergue o quadro de um soropositivo com os mesmos olhos da sociedade na década de 1980.

Dados recentes revelam que apenas 9% da população sabe, por exemplo, que pessoas soropositivas em tratamento regular não transmitem o vírus HIV.

A informação foi revelada através de uma pesquisa feita pela fundação americana Terrence Higgins Trust e publicada no site científico New England Journal of Medicine. Segundo os dados levantados, entre esses 9%, 12% são bissexuais e 25% são gays.

“Só 1 em cada 4 homens gays sabem disso, mesmo a comunidade gay sendo uma das mais informadas sobre o assunto. Isso revela que ainda há um longo caminho de conscientização das pessoas pela frente” – declara o doutor envolvido na pesquisa, Michael Brady, em entrevista ao site Pink News.

De acordo com a publicação, a evidência de que soropositivo em tratamento não transmite o vírus já vem sendo estudada há mais de duas décadas, comprovando que a probabilidade de transmissão do HIV está diretamente relacionada com a quantidade de vírus presente na carga viral ou no sangue da pessoa.

E é aí que entra o tratamento que, quando regular e eficaz, age reduzindo essa quantidade de vírus para níveis indetectáveis.

“É triste ver que, em 2017, as pessoas ainda estão sendo tratadas de forma diferente por causa do seu estado de HIV. Esses medos são infundados, porque podemos dizer, com confiança, que as pessoas que estão em tratamento efetivo não podem transmitir HIV – não são infecciosas.” – alerta Dr. Brady.

FAZER O TESTE É MUITO IMPORTANTE SIM

A ignorância sobre o tema reflete em uma reação discriminatória e, por muitas vezes, preconceituosa, o motivo da dificuldade do infectado seguir a vida como qualquer outra pessoa.

De acordo com a publicação, uma pesquisa feita pela YouGov com cerca de 2.000 pessoas, revelou que 1 em cada 3 adultos tem medo de prestar primeiros socorros a alguém que seja soropositivo. Já 39% de todos os entrevistados não ficariam muito confortáveis ao descobrirem que a paquera é portadora do vírus HIV, mesmo se estiver em tratamento.

O que precisa ficar claro é que, conforme informam os estudos, as chances de transmissão do HIV são bem maiores em pessoas que ainda não sabem que possuem o vírus, do que soropositivos que fazem o tratamento adequado. Por isso fazer o teste é tão importante.

Se a informação fosse difundida de maneira clara e ampla, casos de preconceito como o divulgado pelo Huffington Post, onde um rapaz soropositivo em tratamento foi impedido de fazer uma tatuagem, seriam consideravelmente amenizados.

E outra, com esclarecimento e o fim do estigma que é “ter HIV”, muitas pessoas teriam mais coragem de realizar o teste e, assim, iniciar o tratamento (que no Brasil é gratuito), anulando as chances de transmitir o vírus à outras pessoas.

“Você ouve sobre pessoas que estão muito assustadas para serem testadas, por causa do estigma que está ligado ao HIV. As pessoas são então diagnosticadas muito tarde. O estigma pode ser um assassino“. – conta à Pink News, Alex Causton-Ronaldson, diagnosticado com HIV em 2014.

TODOS PRECISAM SABER

Parar difundir esse conhecimento, a fundação que realizou a pesquisa, Terrence Higgins Trust, iniciou uma campanha mundial, nomeada como “Can’t Pass It On“, algo como “Não pode passar“.

Evidências científicas mostram que as pessoas em tratamento efetivo para o HIV não são infecciosas. Este é um avanço extraordinário que ainda não foi filtrado para o público. Em primeiro lugar, significa que não deve haver novas infecções por HIV. Podemos impedir que o HIV seja repassado, incentivando as pessoas a serem testadas e tratadas. Em segundo lugar, deve tirar todo o estigma, e realmente permitir que as pessoas tenham relacionamentos e vivam vidas normais sem medo. É por isso que apoio totalmente a campanha ‘Can not Pass It On’” declara Christian Jessen, doutor ‘celebridade’ do Reino Unido.

vale lembrar que usar camisinha continua sendo o melhor tratamento preventivo não apenas para HIV, mas para uma gama de doenças.

Fonte: SOS Solteiros e Pink News
Anúncios