Excesso de dor anal provocada pelo sexo tem tratamento

A nova versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), o medicalizador das nossas emoções, sentimentos, afetos e desejos, feminilizou  a dispareunia, definida anteriormente como dor genital associada ao intercurso sexual. Transformou-a exclusivamente feminina e relativa ao coito vaginal, redenominando-a para “transtorno de dor genito-pélvica/penetração”. Isso porque já era heteronormativa, e via como única possibilidade de sexo o vaginal.

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Porém, etimologicamente dispareunia significa dificuldade com companheiro (a) de leito, sexualmente falando, claro. Por aí poderíamos incluir a dor genital masculina durante o coito, causada por motivos vários. E poderíamos também adicionar a dor ao coito anal, aos homens e mulheres com tal prática  sexual, que por alguma situação adversa, o ato que era prazeroso passou a ser doloroso, dificultando ou impossibilitando a penetração anal.

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A dor que a pessoa sente quando é passiva (receptiva) no sexo anal secundária à alguma adversidade, pode ser gerada, por exemplo, após um episódio que leve a presença de “coágulos de sangue” e isquemia nas veias dentro do canal anal, causando importante processo inflamatório local, conhecida trombose  hemorroidária, já devidamente tratada; ou na presença de dor por longa data na pelve e no períneo (síndrome da dor pélvica crônica), sem correlação com infecção, nem doença; ou na dor que é classicamente percebida no períneo, do ânus ao clitóris / pênis, relacionada com uma lesão do nervo, que gera a neuralgia do pudendo. As três situações  apontadas, podem deixar os músculos do assoalho pélvico mais “rígidos”, hipertônico e/ou hiperativo, impossibilitando o relaxamento voluntário adequado da musculatura ao redor do ânus. Outra adversidade pode vir em decorrência de uma radioterapia pélvica, em decorrência do tratamento de um tumor nesta região. Tal tratamento quando dispensado na região perineal, pode gerar o estreitamento (estenose) do canal anal e hipertonia do esfíncter anal , no caso do câncer de reto por exemplo.

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Todos os casos acima podem ser abordados pela fisioterapia pélvica. Relaxamento dos músculos do assoalho pélvico por meio de terapia manual, eletroterapia e biofeedback e massagem podem ser utilizados, dentre outros. Porém é importante pactuar com o paciente sobre os possíveis sucessos terapêuticos, de acordo com a avaliação prévia e o prognóstico. Assim, especialmente em lesões complexas como a gerada pela radioterapia, o sucesso terapêutico pode não ser sinônimo de cura. Em todos os casos, é importante saber que o prazer sexual e orgasmo estão preservados e que os parceiros devem explorar suas potencialidades erógenas, muitas vezes por meios até então não experimentados, visando a satisfação sexual para ambos.

Ah, e sexo sempre com segurança, muito desejo e consentimento! E no caso coito anal, além do bom relaxamento dos músculos da região anal, os lubrificantes são mais que recomendados, os dois diminuem a possibilidade de lesões, reduzindo a exposição às infecções sexualmente transmissíveis.


16117355_1117231791708884_1254974044_nMauro Barbosa Jr (CREFITO 2: 78585F) 

Mestrando em Ciências – Pós-graduação em Ciências Médicas/UERJ – pesquisa em saúde sexual masculina, Fisioterapeuta da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro. Responsável pela ambulatório de fisioterapia em saúde sexual masculina na Clínica Vivace, Membro da Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana, Professor das pós-graduações da InterFISIO e Universidade Castelo Branco, módulo de saúde masculina.

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