Câncer de mama em pessoas trans será tema de encontro de Radiologia em São Paulo

Por força do hábito ou mesmo por desconhecimento, o termo “câncer de mama” está imediatamente ligado à população feminina – não à toa, já que é responsável por quase 60 mil novos diagnósticos anuais (INCA, 2018). Esquecemo-nos, porém, de que os homens também podem ser acometidos pela neoplasia e que devem, sim, ser orientados sobre ela. Além disso, não são apenas os cisgêneros que devem se preocupar: é importante que pessoas trans também se atentem à doença. Esse assunto será discutido durante a 48ª Jornada Paulista de Radiologia, em São Paulo/SP, de 3 a 6 de maio.

O Dr. Luciano Chala é um dos coordenadores científicos e palestrante do evento e adianta que é necessário separar homens e mulheres trans para analisar a prevalência do câncer de mama.

“Mulheres trans passam por terapia hormonal para obtenção da mama com aspecto feminino. O uso de hormônio instiga um questionamento sobre eventual aumento do risco de câncer de mama – o regime conduz ao desenvolvimento de um tecido mamário com ductos e ácinos idênticos ao da mama biologicamente feminina”, explica.

Estudo publicado no periódico The Journal of Sexual Medicine acompanhou 2.307 mulheres trans que receberam terapia hormonal e concluiu que as incidências de carcinoma de mama são comparáveis aos cânceres de mama masculinos. O tratamento hormonal em indivíduos transexuais não está associado a um aumento considerável do risco de desenvolvimento tumor de mama maligno. “A ocorrência foi de 4,1 a cada 100 mil casos, superior à incidência em homens cisgênero (1,2 casos para cada 100 mil) e muito distante da reportada em mulheres (170 casos)”, conta.

O especialista afirma, ainda, que não há orientações consensuais a respeito do rastreamento do câncer de mama em mulheres trans. “Muitos indicam que deve restringir-se ao autoexame periódico. No entanto, outros sugerem rastreamento mamográfico, como realizado em mulheres cisgênero”.

Chala pondera sobre as consequências da falta de suporte que a população trans enfrenta. “Por falta de recursos e apoio, muitas usam óleos minerais ou parafina para aumentar as mamas. Isso prejudica e até impossibilita o uso da mamografia e da ultrassonografia no rastreamento”.

Já em homens trans, o tórax com aspecto masculino é obtido por meio da mastectomia subcutânea, proporcionando uma redução do risco de câncer de mama importante – porém não anula a possibilidade de desenvolver a doença, uma vez que há pequena quantidade de tecido residual embaixo da pela e da papila. Não é necessário realizar rastreamento com métodos de imagem, mas sugere-se o autoexame periódico, bem como atenção aos sintomas como nódulos e secreção sanguinolenta.

Em homens, diagnóstico tardio é principal problema 

De acordo com dados do INCA, 1% dos diagnósticos de câncer de mama previstos para 2018 são em homens. Por isso, não há políticas para rastreamento da neoplasia na população geral. “A doença é rara e quando aparece é palpável, pois a mama masculina é pequena”, explica o Dr. Luciano Chala.

A avaliação periódica é indicada apenas para subgrupos de risco, como pacientes com mutação no gene BRCA 2, com síndrome de Klinefelter, ou com histórico pessoal de câncer de mama.

A falta de informação, contudo, é uma das principais barreiras para detecção da doença.  “Como a maioria dos homens não sabe que pode ter câncer de mama, grande parte dos casos é diagnosticado tardiamente. Eles não procuram um especialista quando os primeiros sintomas surgem – ou seja, ao identificar o problema, muitas vezes já está em estágio avançado e com prognóstico comprometido”, diz.

Dessa forma, a melhor ação em relação ao câncer de mama em homens é esclarecer à população masculina sobre a doença e seus sinais. “Essa educação precisa acontecer principalmente, mas não exclusivamente, naqueles com mais de 65 anos, nos quais se concentram aproximadamente 75% dos casos”, conclui.

O assunto será discutido durante o módulo de “Mama”, que acontece de 3 a 6 de maio, na JPR 2018.

48ª Jornada Paulista de Radiologia 
Data: 3 a 6 de maio de 2018
Local: Transamerica Expo Center
Endereço: Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro, São Paulo/SP
Mais informações: www.jpr2018.org.br

Sociedade Paulista de Radiologia

A Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem foi fundada em 3 de março de 1968, na cidade de Jaú, interior de São Paulo. Atualmente, a instituição congrega mais de seis mil associados. Integrada ao Departamento de Diagnóstico por Imagem da Associação Paulista de Medicina (APM) e filiada ao Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), a SPR, representada pelos seus presidentes, tem se dedicado ao longo desses anos especialmente à defesa dos radiologistas, ao desenvolvimento científico e a dinamização da especialidade.

Maior evento de Radiologia da América Latina 

A Jornada Paulista de Radiologia é o maior evento da especialidade na América Latina. Organizada pela Sociedade Paulista de Radiologia (SPR), acontece em São Paulo, de 3 a 6 de maio. Sua 48ª edição é promovida em parceria com a Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), sob o mote “Transformando a Educação na Radiologia”.

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