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Em uma sociedade heteronormativa, é comum os pais não saberem lidar com perguntas das crianças em relação aos LGBTQIA+ e, em muitos casos, preferem evitar o assunto. O consenso é de que o tema deve surgir naturalmente em casa, quando a própria criança pergunta, já que isso eventualmente acontece.

Foto: Reprodução

“O mais importante disso é entender que a criança só pergunta quando ela está pronta. Não há um momento ideal, é desde sempre, sempre que a criança perguntar de um coleguinha que é diferente, de algo que está sentindo… E os pais devem responder na linguagem da criança, podem falar que ‘nem todo o mundo é igual’ e é importante deixar claro que isso não deve ser problema, que se deve respeitar o amiguinho fala. Depois, mais tarde, na adolescência, aparecem as dúvidas mais sexuais e podem vir as informações de intersexo, travestis, transexuais, não-binários…”, esclarece o psicólogo Eliseu Neto.

“A criança só entende o que está pronta a entender. A informação da qual ela não está pronta, ela não vai assimilar. Não há violência na verdade, o que é ruim é a mentira. A mentira causa confusão, causa decepção. Quando a criança descobrir que os pais mentiram, aí cai a qualidade do relacionamento familiar, pois os pais são vistos como fontes de informações e de conhecimentos. Isso pode inibir diálogos, a criança pode entender que ‘aquilo’ não pode ser falado, que sexo é algo que não pode ser conversado. E quanto mais os pais abrirem diálogo, maior a qualidade da relação com os filhos, e é isso que é fundamental de ser construído”, ressalta Eliseu.

Reprodução

CRIANÇAS RESPEITAM

Ainda que algumas religiões julguem LGBTs, é importante ressaltar que qualquer pessoa deve ser respeitada e não agredida, nem verbalmente ou fisicamente. Os valores reais que os educadores se atentam é que crianças precisam aprender, desde cedo, como por exemplo, que as pessoas são diferentes, não só em relação a sexualidade, mas também quanto a etnias, religiosidade etc e que todos têm sentimentos.

Caso os pais sejam questionados pelas crianças “mas isso pode?” ou “isso é certo?”, independente dos valores individuais de cada família, é importante que não haja a propagação de preconceitos, já que este último prejudica todos, muitas vezes o próprio filho, que pode gerar bullying nas escolas.

Ser sincero, claro, direto ao ponto e evitar propagar preconceitos são as “chaves” para tratar sobre o tema.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".