Durante as eleições municipais que se realizaram no último dia 15 de março, na França, a mulher transexual Marie Cau, de 55 anos, ganhou a eleição para a prefeitura da pequena comunidade Tillioy-lez-marchiennes, no nordeste de seu país, localizado na fronteira com a Bélgica.

Sendo a primeira trans a ocupar um cargo do gênero, o povoado conta com cerca de 600 habitantes. No entanto, Cau disse a agência de notícias AFP que não se considera uma ativista.

“As pessoas não me elegeram por eu ser ou não transgênero, elas elegeram uma campanha” – disse ela, que comenta também que “espera impacientemente” pelo dia em que esse tipo de acontecimento deixe de se tornar um evento. Contudo, reconhece que sua eleição ajuda a “trivializar” e mostrar que pessoas trans podem ter uma vida social e política normal.

Marie Cau acredita que não foi eleita por ser trans, mas sim por suas propostas de governo. Foto: Reprodução
Marie Cau acredita que não foi eleita por ser trans, mas sim por suas propostas de governo. Foto: Reprodução

Os ativistas pela causa LGBTQIA+ da França celebraram a vitória de Cau. Marlène Schiappa publicou no Twitter (via Claudia): “A visibilidade trans e a luta contra a transfobia também dependem do exercício de responsabilidades políticas e públicas. Parabéns Marie Cau!”, disse.

Outra que se manifestou foi a cofundadora da Associação Nacional Transgênera da França, Stéphanie Nicot, afirmando que a eleição mostra que os franceses estão “mais e mais progressivos”, elegendo uma pessoa por seus valores, independente da identidade de gênero.

Eleita sob o lema “Decidir Juntos”, Marie Cau não tem experiência prévia na política, tendo exercido profissões como engenheira e técnica agrícola. Já sua transição se iniciou há quinze anos atrás, enquanto a cirurgia de transgenitalização foi feita há cinco anos atrás. Curiosamente, ela não precisou mudar os nomes em seu documento.

“Não precisei mudar o meu primeiro nome porque Marie é o meu terceiro nome de nascimento e uso-o há dois anos, conforme me permite o Código Civil”.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".