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Carol Nunes, de 29 anos, é a primeira pilota trans do Brasil. Há cerca de dois anos realizou a sua transição. Ela trabalha com e-commerce de peças de carros de corrida e tem na paixão por carro e corridas parte de seu sustento. Em entrevista ao site Uol, Carol retratou parte de sua luta como pilota e casos de machismo e transfobia no automobilismo.

“Desde criança eu gostava de carro, mas principalmente carro de corrida. Então resolvi que quando crescesse teria um carro de corrida para andar na rua”, conta. Dona de Fusion GT, Carol disputa competições como a “Super Liga Desportiva de Velocidade” na categoria “Woman Experience”, destinada apenas a mulheres e a qual lidera a temporada.

Carol Nunes é a primeira pilota trans do Brasil (Foto: Reprodução/ Uol)

Carol conta que já vivia no meio automobilístico quando resolveu fazer a transição. Apesar do medo, a recepção foi melhor do que ela esperava. Mesmo sendo abraçada pelo círculo de amizades durante e após a transição, o preconceito surgiu, especialmente nas redes sociais.

“Toda vez que participei de algum vídeo em canal do YouTube, entrevista, vieram os ataques. Eu não posso ler os comentários da internet”, relatou ao Uol. Os ataques e demonstrações de preconceitos vieram sempre de modo velado. “Nunca fui atacada ou ofendida diretamente, mas sempre vem por fora ou por piadas maldosas”, afirma.

Machismo e transfobia no automobilismo

Carol relata ao Uol um caso em que foi questionada por outra competidora, sobre a sua presença dentro da categoria em que compete, por ser uma mulher trans. Apesar do ataque, ela não desistiu do seu espaço. “Eu sinto que me tornei uma referência e que outras pessoas e amigos que estão no processo de transição e gostam do universo do carro viram que podem estar ali e serem eles mesmo”, pontua.

Além da transfobia, a pilota conta que o machismo com as mulheres que frequentam o meio automobilístico ainda é forte. “Há sempre as piadas relacionadas às mulheres que estão competindo ou que aparecem com carros preparados em eventos”, relata. Carol também relembra que algumas vezes já vieram perguntar se o carro dela era de seu namorado. “Sempre julgam que nós mulheres não sabemos nada de carro”, desabafa.

(Foto: Reprodução)

A primeira pilota trans do Brasil espera que termos ofensivos e as piadas direcionadas a ela e a outras mulheres deixem de ser uma realidade. “Ouvir o termo ‘travecar o carro’ é ofensivo”. Essa gíria é usada para falar de carros que são personalizados de modo a parecer com versões mais esportivas, no meio automobilístico.

Questionada ainda pela Uol, quanto à criação de um grupo automotivo para a comunidade LGBTQIA+, Carol acha que esse não é o caminho. “Seria uma faca de dois gumes: bom para quem está chegando se sentir confortável e bem recebido, mas também um alvo fixo para os preconceituosos”. A pilota espera que em um futuro não muito distante haja respeito nesse meio, sem piadas, sem preconceitos e com espaço para todos.

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).