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Advogada e professora de filosofia, Rochelly Potiguar (PDT) concorre a deputada federal no Rio Grande do Norte. Mulher trans, ela tem 27 anos e mora em Natal (RN).

Em 2021, Rochelly, foi aprovada, em primeiro lugar, para exercer o cargo de juíza leiga em um concurso de Foz do Iguaçu (PR). A jovem permaneceu no cargo por pouco tempo, até chegar a conclusão que a política era seu lugar. 

Como candidata, suas propostas seguem quatro eixos principais: educação, saúde, meio ambiente e diversidade. “[…] A minha proposta geral é ‘legislar com o povo e para o bem do povo’, pois senti na pele e sinto a ausência de estado”, afirma. Rochelly conversou com o Gay Blog BR para o especial “Eleições 2022“.

Rochelly Potiguar, candidata a deputada federal pelo PDT do RN (Foto: Arquivo pessoal)

Confira na íntegra a entrevista com Rochelly Potiguar

GAY BLOG BR: Qual a sua formação e trajetória profissional?

Rochelly Potiguar: Vixe, tenho uma vasta trajetória profissional. Sou filha de empregada doméstica, formada em Direito pela Universidade Potiguar (UnP), advogada,  pós-graduada em Direito Constitucional pela Damásio Educacional; licencio Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e dou aulas de Filosofia e Direito Constitucional, mas também já sai nas ruas para vender cartelas de bingo, vendi Natura e Avon e fui cabelereira.

GB: O que motivou a se candidatar?

Rochelly: Primeiramente, cumpre esclarecer que após formada em Direito segui a carreira da magistratura, queria ser juíza de Direito. Estagiei durante dois anos com um magistrado em uma vara específica da fazenda pública (tratando questões voltadas ao estado, município, servidores públicos, professores), sentenciando, decidindo e despachando nos processos conjuntamente com o juiz togado. 

Fiz um processo seletivo para juíza leiga em Foz do Iguaçu, no Paraná, fui aprovada em primeiro lugar no ano 2021. Exerci a função de juíza leiga por pouco tempo, pois apesar de ser meu grande sonho (me tornar juíza) e a realização profissional, percebi que somente atenderia quem chegasse até mim (os jurisdicionados através dos processos e eu iria decidir, despachar e sentenciar sobre os conflitos deles ou fazerem eles chegarem a um acordo, estava dando certo). 

No entanto, acabei percebendo que meu potencial para atender, ouvir e poder fazer pelas pessoas era bem maior que eu estar dentro de um gabinete atendendo pessoas com filtro especifico, podendo eu fazer para a sociedade como um todo. Chutei o pau da barraca e pedi meu desligamento da nobre função de juíza.

Após as aulas de filosofia e de ler a obra milenar Ética a Nicômaco, escrita pelo filosofo, pós-socrático Aristóteles em homenagem ao seu filho Nicômaco, cheguei a conclusão que a política era o meu lugar. Me filiei ao partido político e estou ai candidata a deputada federal pelo meu estado do Rio Grande do Norte.

GB: Quais os desafios enfrentados ao ser uma candidatura abertamente LGBTQ+?

Rochelly: Quanto ser transexual, acredito que nem sofro tanto, pois tenho um ar de autoridade, por ser advogada e isso assusta bastante os transfóbicos de plantão. No entanto, pelo fato de ser mulher… Ai sim, como mulher, são inúmeras dificuldades que vai desde tratamento (me chamam de “meu amor” e eu odeio isso), assédio pelos eleitores nas redes sociais principalmente; o fundo partidário que é pífio (recebi apenas 10 mil reais de FEFC para fazer minha campanha como deputada federal e isso não paga nem o carro de som que custa R$ 12.500,00 para 30 dias), atraso no pagamento das verbas, desigualdade de distribuição das verbas dentro do partido entre as próprias mulheres (umas levam mais, já outras menos) tudo isso e muito mais desmotiva, eu quero fazer pela sociedade e não encontro condições para fazer isso.

GB: Quais são as suas principais propostas? Há pautas exclusivamente para LGBTQ+?

Rochelly: Sim, não poderei especificá-las, pois ainda estou conversando com a sociedade civil, ONGs, representações e etc, para poder lançá-las. Todavia, a minha proposta geral é “legislar com o povo e para o bem do povo”, pois senti na pele e sinto a ausência de estado.

Como propostas específicas, que são doze e as dividi em três grandes áreas, cada uma com quatro propostas específicas. Na educação, saúde, meio ambiente e na diversidade LGBTQIAPN+ com quatro propostas cada. Nesta ultima, a criminalização da LGBTfobia na Constituição Federal de 88, feita pelas mãos de legisladores, como eu, caso eleita e não apenas por julgamento do STF.

GB: Quais medidas você acredita serem necessárias para combater a LGBTfobia?

Rochelly: Primeiramente, colocar a sociedade para pensar e estuar sobre gênero e diversidade já é um bom começo. Pós isso, conscientizar as pessoas das violências que elas cometem, que outras pessoas sofreram e como combater. (isso é uma técnica de empatia utilizada na conciliação e mediação judicial, sei disso pois também fui conciliadora por dois anos em um Juizado especial e no CEJUSC em meu estado o Rio Grande do Norte).

GB: O que você pensa sobre o uso e políticas da PrEP?

Rochelly: Necessária, importante e salutar. No entanto precisamos investir mais em ciência e tecnologia para que consigamos de vez uma vacina ou outro método de cura e de imunização total do HIV. Além disso, as pessoas precisam se conscientizar mais sobre as ISTs, pois o PrEP e o preservativo sexual são eficazes, mas não são 100% para garantia de evitar contaminações, que podem ser fatais.

GB: Como você avalia o governo de Bolsonaro?

Rochelly: Olha, se eu fosse fazer minha avaliação aqui, daria mais folhas que o nascimento da tragédia de Nietzsche. Assim, avalio tal governo pela postura do próprio, que imitou os brasileiros com falta de ar, bem como tratou tal tragédia genocida como uma “gripezinha” e isso é inaceitável!

GB: O que você diria aos eleitores?

Rochelly: Rochelly é de origem popular, é filha de empregada doméstica, desde 8 anos de idade, mora na Periferia de Natal (Zona Norte). Sempre estudou em escola pública, ganhou uma bolsa de estudos, se formou em Direito e se tornou advogada. Você acha que ela votaria contra o povo, tirando direitos sociais, trabalhistas e previdenciários?!

Confira a lista de candidaturas LGBTQIA+ de 2022 neste link.

Lista de candidatos LGBTQ+ nas eleições 2022 | Deputados, Senadores, Governadores




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)