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Nesta quinta-feira (20) inicia o Festival Sundance e um dos 59 curtas-metragens selecionados é o Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui, da roteirista e diretora Érica Sarmet. A obra audiovisual explora a geração mais velha de lésbicas,e nasce aliada ao desejo de investigar cenas de sexo lésbico. As informações são da Folha de S. Paulo.

Zélia Duncan e Bruna Linzmeyer em cenas do curta-metragem(Foto: Reprodução)

O Sundance é um dos maiores festivais de cinema independente americano e acontece de forma online. A edição registrou um número recorde de inscrições de curtas: 10.374. Érica concorre na categoria internacional com outras 16 obras audiovisuais.

A diretora é conhecida pela militância LGBTQIA+ e por pesquisas acadêmicas sobre pós-pornografia. Para o seu curta, ela queria como protagonista uma atriz na faixa dos 50 anos de idade e que fosse lésbica ou bissexual assumida. A busca foi difícil até Érica encontrar Zélia Duncan.

“A gente tinha até feito piada. Estava superdifícil encontrar atriz assim, mas cantora tinha um monte, né?”, diz a diretora em entrevista a Folha de S. Paulo.  “Era muito importante que o elenco, e principalmente essa protagonista, tivesse algum envolvimento emocional no filme, da mesma maneira que eu estava engajada”, pontuou ela.

(Foto: Reprodução)

O curta “Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui”

A cantora interpreta uma motoqueira solitária  no curtta, que se envolve com um grupo de jovens lésbicas. As garotas são interpretadas por Camila Rocha, Clarissa Ribeiro, Lorre Motta e Bruna Linzmeyer, que apresentou Érica a Zélia

No curta, uma das pautas do grupo é as diferenças da experiência lésbica entre gerações, como a “vergonha e medo” que a personagem de Zélia sentia de ser descoberta gay quando mais jovem. “Queria homenagear figuras importantes na minha formação, que lutaram para que a gente pudesse existir de uma maneira mais plena”, disse Érica.

(Foto: Reprodução)

Uma das cenas mais marcantes de “Uma Paciência Selvagem”, é a orgia entre as cinco personagens que desafiou a diretora. O objetivo era filmar e tentar retratar o desejo da mulher “sem recorrer aos códigos da linguagem pornográfica”, algo que ela estudou em seu mestrado. “Queria fazer algo que fosse excitante, que desse tesão, mas sem recorrer a esses enquadramentos machistas e a certos códigos da pornografia”, diz Érica

Um dos recursos usados foi o uso do som para mostrar o prazer das mulheres. “Então o que se faz [tanto no cinema como na pornografia] é pôr as personagens gritando em cena. Por isso a nossa cena é silenciosa, só tem a trilha, sem recorrer a gemidos e barulhos que são formas mais comuns de representar o sexo”, revela a diretora. 

“A gente conversou muito sobre limites, sobre o que cada pessoa sentia confortável de mostrar, de não mostrar, de ser tocado. Era importante que ninguém ficasse desconfortável com aquilo”, finaliza Érica. “Uma Paciência Selvagem” é o segundo curta da roteirista e tem 26 minutos de duração.

Assista ao trailer:




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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)