O americano John Wojtowicz assaltou um banco no ano de 1972 para pagar a cirurgia de mudança de sexo de sua esposa, uma mulher transexual. Sua história gerou grande repercussão na época e chegou a ter uma adaptação cinematográfica três anos depois com o filme Um Dia de Cão, estrelado por Al Pacino, em 1975.

Wojtowicz nasceu em 1945, em Nova York, e chegou a se casar com uma mulher cis, Carmen Bifulco, porém ele se identificava como homossexual, escondendo sua sexualidade da esposa. Em 1969, dois anos após o casamento, eles se separaram e John decidiu entrar para Aliança Ativista Gay, se envolvendo com diversos homens.

Em 1971, ele começou a namorar a mulher transexual Elizabeth Eden, que antes da transição era conhecida como Ernie Aron. Nesse ano eles se casaram em uma cerimônia não oficial no dia 4 de dezembro, já que na época não era permitido casamento gay.

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Aron tinha o sonho de passar pela cirurgia de mudança de sexo, mas John inicialmente foi contra a ideia. Eventualmente sua esposa foi internada por uma tentativa de suicídio, John entendeu que ela precisava deste procedimento para curar seu estado de depressão profunda. Como eles não tinham dinheiro para pagar a mudança de sexo, ele decidiu que iria roubar um banco para pagar.

Wojtowicz chamou dois homens: Bobby Westenberg e Salvatore Naturale, sendo que os três se conhecerem em um bar gay. Eles dirigiram pela rua de Nova York no dia 22 de agosto de 1972, e eventualmente pararam em um banco.

Devido a inexperiência com o crime, um deles fez com que a espingarda que carregavam caísse no chão e houve um disparo acidental, mas o trio conseguiu fugir. No segundo banco, Bobby encontrou um amigo da sua mãe, e por isso desistiram da ideia.

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Os três assistiram ao filme “O Poderoso Chefão” e o novo assalto seria baseado no clássico de Ford Copolla. Eles escolheram o Chase Bank, localizado em Gravesend, no Brooklyn, e ao chegarem deram um papel para a caixa dizendo: “Esta é uma oferta que você não pode recusar”.

O assalto foi anunciado e eles renderam oito pessoas. Os dois colegas de John conseguiram roubar 175 milhões de dólares em cheques de viagem e US$ 38 milhões em dinheiro. Logo em seguida os policiais chegaram, e foram mais de 14 horas de operação, contando com a presença de agentes do FBI, atiradores de elite, policiais, jornalistas e tudo estava sendo transmitido ao vivo pela televisão.

Wojtowicz liderou as negociações, pedindo pizza para alimentar os reféns e pagando o entregador com um pouco do dinheiro roubado. Ele também jogou um pouco do dinheiro para a multidão que estava presente, incluindo sua mãe. Westenberg foi o único que conseguiu fugir antes de tudo acontecer.

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Tais atitudes fizeram com que as pessoas que estavam lá passassem a ter mais empatia com ele. Shirley Ball, a caixa do banco, disse:

“Percebi que ele era amigável…tinha um propósito em roubar o banco… ele achava que entraria e sairia”

Eventualmente as negociações acabaram quando o FBI disse aos dois criminosos do local que aceitariam levá-los ao Aeroporto Internacional Kennedy para que pudessem pegar um voo internacional e fugir. No entanto, ao chegarem lá, haviam outros agentes esperando os ladrões para prendê-los e a partir daí uma intensa troca de tiros começou, o que acabou resultando na morte de Naturale.

John foi condenado a 20 anos de prisão, mas cumpriu cinco e foi liberado em 1978. Ainda na prisão, ele assistiu ao filme citado anteriormente que retratava sua história, porém não gostou de como as coisas foram descritas, chegando a enviar uma carta ao editor de cultura do The New York Times para fazer diversas críticas ao longa-metragem.

John Wojtowicz no dia em que assaltou o banco (Foto: Charles Ruppmann)

“[O filme] não mostrava toda a verdade, e o pouco que mostrava era constantemente distorcido e distorcido. Sugeriu muito dramaticamente que eu fiz algum tipo de acordo para trair meu parceiro, Sal… isso não é verdade e não existe um ser humano baixo o suficiente neste mundo que deixe o FBI matar seu parceiro para ele sobreviver”.

Ele também fez críticas de como sua ex-esposa foi representada no filme:

“Parece horrível, e deduz que eu a deixei e acabei nos braços de um homem gay por culpa dela. Isso é completamente falso, e sinto muito pela atriz por ter desempenhado um papel tão horrível”.

Wojtowicz continuou morando em Nova York e morreu em 2006 de câncer. Nos seus últimos anos, ficou trabalhando como assistente social.

(Com informações de Aventuras na História)

“A Era Trans” | Fábio Mariano Borges

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".