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Natural do Mato Grosso do Sul, Diogo Pinto sempre quis ser ator e correu atrás dos seus sonhos ainda muito cedo, mas esbarrou com preconceitos que permeiam a vida de qualquer ator em início de carreira.

Foi para São Paulo investir na profissão, mas acho que as coisas estavam demorando para acontecer. Foi quando, por obra do acaso, recebeu um convite para ir aos Estados Unidos, em 2013, e viu aquilo como a sua grande chance de trilhar um caminho na terra do cinema: Los Angeles.

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Reprodução: Diogo Pinto

Ainda em nosso país, o jovem ator criou a personagem Val Brazil, uma sonhadora talentosa e desajeitada que apareceu no curta-metragem “Desconstruindo Val”, que estreou no dia 28 de março nos EUA. Durante uma conversa por telefone, o ator falou sobre a carreira e os desafios que enfrentou quando desembarcou na terra do Tio Sam.

Este é o seu primeiro trabalho cinematográfico?

Antes eu tive experiências atuando e até mesmo trabalhei como assistente de produção, mas é a primeira vez que “visto a roupa de produtor” e trabalho do começo ao fim. Me senti um maestro no concerto, orquestrando todos os artistas talentosos e seus instrumentos. Quero mais.

Como você descreveria a personagem Val Brazil?

Ela é muito especial, ingênua, sonhadora e tem vida própria. Não é muito talentosa, já que é esquisita e desajeitada, mas características como a determinação e a confiança que fazem dela especial. Ela não liga para o que as pessoas pensam, tem orgulho das suas origens e é humilde. A Val do curta-metragem tem tudo isso, mas também essa desconstrução/transformação que a vida pode fazer na vida de uma pessoa, especialmente em terras estrangeiras.

Como foi o processo de filmagem do curta-metragem que envolveu vários atores em cena?

Tudo começou na escolha do elenco, a diretora Brandi Self e eu fizemos a seleção de atores durante dois dias. Foi muito trabalhoso organizar ensaios e reuniões com todo mundo. Depois, tentei ao máximo adequar a disponibilidade de cada ator para montar o roteiro de filmagem. Tivemos que mudar o final do filme por atrasos no primeiro dia e alguns atores não poderiam ultrapassar o horário combinado. Tivemos que improvisar. Todos os profissionais foram muito talentosos e dedicados. Aprendi muito nessa minha primeira produção. Especialmente não filmar as cenas mais importantes do filme no primeiro dia de gravação. Quando a equipe é nova e não se conhece direito existe um entrosamento inicial para “acertarem os botões”. Foram quatro dias de gravações, percebi mais sintonia a partir do segundo dia.

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Reprodução: Diogo Pinto

Como surgiu a oportunidade de trocar SP por Los Angeles? E como foi o início na terra do cinema?

Foi em SP que consegui explorar mais o universo do cinema. Fiz oficina de atores na Fatima Toledo, depois mudei para o Take a take, oficina de atores do Miguel Rodrigues. Foi em uma de suas classes que a Val Brasil nasceu. Miguel foi uma das primeiras pessoas que acreditou no meu talento e me deu oportunidade, hoje somos amigos e colegas de trabalho. Um dia, meu amigo Higor precisava de alguém para acompanhar a mãe dele pela primeira vez numa viagem de avião internacional. Ele me ofereceu e não pensei duas vezes. No outro dia, eu já estava de malas prontas. Na cabeça de todos eu só vim a passeio, mas meu coração já estava me despedindo do Brasil. Eu não tinha intenção de voltar, pois precisava da experiência de viver na terra do cinema. Vinte e quatro dias depois, eu já estava morando em Hollywood. O início foi muito difícil, tive que aprender tudo “do zero”, inclusive a me comunicar. Trabalho e moradia eram meus únicos focos. Limpei muito chão, cozinha e banheiro de balada no primeiro ano. Fazer duas refeições por dia era um luxo que eu não tinha. Mas, aos poucos, fui fazendo novos amigos que me orientaram e me ajudaram. Acho que só comecei a me estabelecer no terceiro ano.

Você já é ator há bastante tempo, como definiria a sua carreira no Brasil?

Comecei no teatro há cerca de 20 anos na minha cidade natal, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Dediquei cerca de 10 anos trabalhando na área até ser vencido pelo cansaço, já que a vida de um artista em Campo Grande é uma realidade como a de qualquer outra cidade: muito difícil, especialmente se você não é o padrão de beleza que a TV exige. Fiz jornalismo para me aproximar da TV. Queria ser apresentador e repórter, mas nunca consegui uma oportunidade. Mas com o passar dos anos percebi que o cinema era minha paixão. Me mudei para São Paulo para fazer cinema e realizar o sonho de trabalhar em novelas, mas também não consegui, por não estar preparado. Sempre levei minha vida como se fosse uma contagem regressiva, sem muito tempo para tentar realizar tudo o que quero, porque o tempo realmente não para, e eu não queria terminar como um velho rabugento frustrado criticando todos os filmes que passavam na sessão da tarde, dizendo que eu faria melhor, mas do sofá da sala. Então, eu cansei das “portas se fecharem na minha cara” e me mudei para Los Angeles. Mas aqui não é tão diferente do Brasil e às vezes é até mais desafiador, considerando que é uma cidade cheia de artistas de todos os tipos. Apesar disso, o cinema está aqui e é tudo que eu sonhei. Não tem para onde ir depois daqui, então o jeito é juntar todas as minhas forças para “fazer acontecer”. Foi quando larguei o trabalho de bartender na época para me dedicar tempo integral dirigindo “Uber / Lyft”, onde comecei a juntar dinheiro para pagar a primeira parte do meu projeto, a filmagem. Acho que foram pelos menos uns dois anos dirigindo, dia e noite.

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Reprodução: Diogo Pinto

Como você avalia o governo Bolsonaro? Sobretudo em relação à atuação com a
comunidade originária?  

Eu acompanho o Governo do Bolsonaro de fora. Depois que eu vi um vídeo dele dizendo que prefere um filho drogado a um filho gay e aquela outra entrevista constran gedora com Elliot Page, lavei minhas mãos. Não tenho energia para tentar entender o porquê ele ainda é o Presidente do Brasil. Aqui, nos EUA, todas as notícias relacionadas com ele vem em forma de piada, assim como o Trump foi. É quase a metade do mundo achando que ele é um péssimo presidente. É muita gente.

Quais são seus próximos projetos?

Quero sentir como os festivais irão receber a Val. Eu quero puxar um longa-metragem ou uma minissérie, mas dessa vez com investidores, esse é o meu primeiro passo depois do lançamento. Estou fazendo oficina de atores novamente, està sendo bem interessante, estou me preparando para o showcase que vai acontecer em abril. Estou com esperanças de encantar os olhos de algum agente de casting e abracar um projeto, já que Hollywood esse ano está de portas meio que abertas para a comunidade Latina.

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