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Segue até o dia 26 de novembro a mostra online e gratuita “Cintilando e causando frisson – 140 anos de João do Rio”. A exposição inaugural o Museu Bajubá, presta uma homenagem ao cronista racializado e homossexual que foi pioneiro na imprensa brasileira do início do século XX.

Morto há exatos 100 anos,  João do Rio foi um repórter que se dedicava com profundidade a suas crônicas sociais, a fim de registrar as tranformações urbanas. Em seus textos, também abordava as vivências e locais de sociaibilidade de pessoas que vivenciavam sexualidades fora do padrão daquela época.

Joao do Rio em 1921 (Foto: Acervo Biblioteca Nacional)

“Cintilando e causando frisson – 140 anos de João do Rio” é dividida em 10 eixos temáticos que somam cerca de 90 imagens. A exposição aborda recortes como transformações urbanas, produção literária, atuação na Academia Brasileira de Letras (ABL), momentos importantes da vida do autor e também sua morte.

Todo o acervo está disponível online e gratuitamente para consulta no endereço www.museubajuba.org. 

Posse de João do Rio na Academia Brasileira de Letras (Foto: Acervo Biblioteca Nacional)

O Museu Bajubá e a memória LGBTI+

O Museu Bajubá surge como um espaço de preservação da memória e do patrimônio histórico e cultural da população LGBTI+ no Brasil. Além disso, busca trazer clareza sobre o passado da comunidade no país, a fim de compreender o local em que essa população vive.

O espaço de memória é uma iniciativa da historiadora e pesquisadora Rita Colaço, especialista em memória LGBTI+ e doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). São co-fundadores do projeto os pesquisadores Luiz Morando e Remom Matheus Bortolozzi, também especializados em memória LGBTI+ brasileira.

Segundo a organização, o Museu também tem o intuito de minimizar apagamentos das vivências LGBTI+ promovidos ao longo dos anos. Dessa forma, o “[…]  Bajubá se dedica a reunir, organizar e difundir conteúdo documental, socioeconômico e cultural de toda a diversidade sexual e de gênero que envolve pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexo, entre outras”.

Prostitutas foram tema de João do Rio (Foto: Augusto Malta)

Ainda são poucas as pesquisas sobre memória LGBTI+ no Brasil, especialmente com relação aos registros e mapeamentos sobre vivências entre pessoas de sexo e gêneros considerados fora do padrão em tempos anteriores. Para a organização, “as iniciativas de preservação dessa memória, além da garantia à memória propriamente dita, são ações fundamentais para um grupo social que ainda é vítima do conservadorismo vigente”.

Parques, praças, ruas, avenidas, bares e galerias tiveram papel central na formação da identidade sexual de lésbicas, gays e travestis de épocas passadas. Esses caminhos de memórias serviram como espaço de sociabilidade dessa população. “São momentos e lugares que ficaram sem registro. O resgate e a preservação dessas histórias e narrativas é algo importante”, afirma Morando.

Neste primeiro momento, Museu Bajubá tem se dedicado ao resgate das memórias vivenciadas e dos territórios constituídos nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG).

Serviço

Exposição: “Cintilando e causando frisson – 140 anos de João do Rio”;
Até 26 de novembro de 2021;
Online e gratuita no site www.museubajuba.org

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Jornalista formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (RS).