A novela Tieta foi exibida em 1989 na Globo, 10 anos antes do Conselho Federal de Psicologia proibir o tratamento de ‘cura gay‘. E o roteiro está mais atualizado do que muita coisa por aí.

 

ENREDO DA ADAPTAÇÃO DA GLOBO

A trama começa quando Tieta (Cláudia Ohana) é escorraçada da cidade pelo pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos). Se sentindo desonrado com o comportamento considerado licencioso de Tieta e influenciado pelas intrigas da sua outra filha, Perpétua (Adriana Canabrava). Zé Esteves decide esquecer que Tieta é sua filha, e a expulsa da sua casa. Humilhada, Tieta segue para São Paulo, fugindo do conservadorismo da população de Santana do Agreste, no nordeste brasileiro.

Vinte e cinco anos depois, Tieta (Betty Faria) reaparece em Santana do Agreste, rica e exuberante. No dia em que chega na cidade, está sendo rezada uma missa em sua memória e Tieta interrompe a celebração, desfazendo o mal entendido. Agora, cortejada por todos, Tieta percebe que nada mudou em Santana do Agreste e que todos continuam hipócritas. A presença da ousada Tieta acaba mudando a rotina dos moradores da cidade. Tieta acaba se envolvendo com seu sobrinho, o jovem seminarista Ricardo (Cássio Gabus Mendes), filho da sua rancorosa irmã Perpétua (Joana Fomm). O sonho de Perpétua é que Ricardo se torne padre.

Ascânio (Reginaldo Faria) é um idealista que sonha com o progresso para Santana do Agreste. Contra o progresso está o Capitão Dário (Flávio Galvão), que tenta preservar o meio-ambiente de Santana do Agreste. Apesar das diferenças, Ascânio e Dário, são pessoas boas, mas com diferentes visões sobre o mundo. Para realizar seu sonho de trazer o progresso à Santana do Agreste, Ascânio, como secretário do prefeito Arthur da Tapitanga (Ary Fontoura), tenta facilitar a entrada na cidade do empreendimento de Mirko Stéfano, sem saber que este é uma indústria altamente poluidora, o que poderia acabar com a natureza do local. Mirko Stéfano é na realidade o filho de Arthur da Tapitanga, Arturzinho (Marcos Paulo), que foi embora há muito tempo da cidade e jurou vingança contra o pai pela morte da mãe. Arturzinho se tornou um homem sem escrúpulos e rancoroso, capaz de tudo para conseguir mais dinheiro. Para conseguir o que quer, Arturzinho chega a seduzir a ingênua Tonha (Yoná Magalhães), madrasta e amiga de Tieta, que chega transformada de São Paulo, depois de anos de privações ao lado do marido, Zé Esteves, que morre na metade da trama.

Ascânio inicia um romance com Leonora (Lídia Brondi), suposta enteada de Tieta, que na realidade é uma prostituta. Quando Ascânio descobre, se afasta dela, a renegando. No final, quando Leonora decide trabalhar e Ascânio percebendo que não pode viver sem ela, o casal reata e termina a novela juntos (diferente do romance de Jorge Amado, onde Ascânio não perdoa Leonora e o casal termina separado).

Imaculada (Luciana Braga) é uma das “rolinhas” do prefeito Arthur da Tapitanga, que oferece para ela abrigo, alfabetização e comida, em troca de favores sexuais. Porém, Imaculada consegue driblar o prefeito. Outra personagem marcante foi Carol (Luíza Tomé), amante do perigoso Modesto Pires (Armando Bógus), um homem capaz de tudo para não perder o seu poder. Carol é apaixonada por Osnar (José Mayer), o grande amor de Tieta. Elisa (Tássia Camargo) é outro destaque da trama: em crise com o marido Timóteo (Paulo Betti), ela tem sonhos românticos com o ator Tarcísio Meira. Elisa chega a preparar um enxoval, planejando um possível encontro com seu ídolo.

Outro grande destaque da trama era a “mulher de branco”, uma assombração que vaga pela cidade e ataca os homens. Por se sentirem enfeitiçados pela misteriosa mulher, eles mantêm segredo sobre a sua identidade. No final descobre-se que a mulher de Branco é Laura (Cláudia Alencar), mulher do Capitão Dário, o que causa uma grave inconsistência na trama, já que em um dos ataques da Mulher de Branco, Laura tinha aparecido em cena no mesmo instante e também precisava atravessar o rio de Mangue Seco a Santana do Agreste, o que se tornava inviável pelo fato de haver condução (barco do seu Pirica) somente durante o dia.

Outro mistério de destaque era saber o que Perpétua guardava dentro de uma caixa branca, que ela protegia com todo cuidado, mas não houve a revelação visual e nem verbal no final da novela, apesar de ter sido claramente insinuado nas palavras dos personagens que viram o conteúdo da caixa no último capítulo, e no diálogo entre Tieta e Dona Milu olhando a caixa aberta, que a caixa continha o órgão genital do falecido marido de Perpétua, o Major Cupertino Batista.

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