O que significa ser viado nos dias de hoje? Artigos científicos, fatos históricos e notícias recentes servem de material cênico em INHAI – COISA DE VIADO, espetáculo onde os viados do Coletivo Inominável tentam responder a essa pergunta. O elenco é composto por Cayke Scalioni, Fernando Pivotto e a drag queen Alexia Twister.

Com dramaturgia de Fernando Pivotto e Cezar Zabell e direção de Zabell, o espetáculo parte da homofobia dos jesuítas no processo de colonização do Brasil até notícias recentes de conquistas de direitos da comunidade LGBT+ (com ênfase nos homens gays) para investigar os avanços, retrocessos e violências relacionados aos viados de ontem e de hoje e para imaginar e planejar o futuro que queremos para os viados de amanhã.

Inhai - Coisa de Viado volta aos palcos em março para duas temporadas e uma oficina
Foto: divulgação

Coisa de Viado

Traçando paralelos entre o veado (o cervídeo) e o viado (apelido geralmente pejorativo dado aos homens gays), Inhai investiga a ocupação dos espaços simbólicos e a construção de um imaginário coletivo. Na mitologia chinesa, por exemplo, o veado é o símbolo da fertilidade e da saúde, enquanto que no Brasil a palavra viado foi veículo da homofobia até ser retomada e ressignificada pelos próprios viados.

Da mesma forma, Inhai é um espetáculo que fala da violência histórica contra os homossexuais mas que também é um local para a celebração da viadagem. Afinal, no país em que mais se matam pessoas LGBTQI+ a celebração não é só um direito mas também uma ferramenta de transformação social.

Inhai - Coisa de Viado volta aos palcos em março para duas temporadas e uma oficina
Foto: divulgação

Espaço de Partilha

Partindo das estruturas do teatro documentário, onde fotos, notícias e documentos reais são a base poética do espetáculo, Inhai possui uma dramaturgia não-linear e em formato de esquetes, discutindo em cada quadro e cena o que é e o que foi ser viado nas infâncias (anos 80, 90 e 2000) e juventudes do elenco e o que tem sido ser viado nos dias de hoje. Além disso, a plateia é convidada continuamente a contribuir com o espetáculo, dando suas opiniões sobre determinado tema, comentando com o elenco as notícias recentes ou partilhando histórias sobre sua própria viadagem, estabelecendo então o teatro como um espaço de partilha, troca e construção coletiva.

Para fundamentar a dramaturgia, o coletivo pesquisou a história do movimento LGBTQI+ no país, principalmente através de grupos de militância como o Somos e o Grupo Gay da Bahia. Outras referências foram os trabalhos de João Silvério Trevisan, James N. Green e Bruno Bimbi, pesquisadores de nacionalidades distintas que em algum momento já voltaram seus olhares para a comunidade LGBTQI+ no país.  Os documentários São Paulo em Hi-fi, de Lufe Steffen; Abrindo o Armário, de Dário Menezes e Luís Abramo e Lampião da Esquina, de Lívia Perez também foram material de estudo do Coletivo e chegam ao espetáculo ou através da dramaturgia ou das conversas com a plateia ao longo da sessão.

Inhai - Coisa de Viado volta aos palcos em março para duas temporadas e uma oficina
Foto: divulgação

Triângulo rosa

Com um triângulo rosa (em referência à identificação dos prisioneiros gays em campos de concentração nazista) feito de lâmpadas fluorescentes servindo como cenografia e com macacões de veludo marrom similar à pelagem dos veados como figurino, Inhai negocia espaços de poesia com a secura e objetividade das notificas e fatos documentais que fortalecem a dramaturgia. O espetáculo ainda se apoia em projeções de tuites homofóbicos e infográficos como um mapa-mundi que marca em quais países ainda é crime ser gay, falando da situação dos gays em escala nacional e global.

Já a trilha sonora é composta por músicas que têm alguma ligação com a comunidade LGBTQI+

Temporada e oficina

Retomando os trabalhos em 2020, Inhai volta com duas temporadas: uma no Centro Cultural da Diversidade nos dias 17, 18 e 19 (terça, quarta e quinta) de março, às 21h; e outra no Teatro Alfredo Mesquita nos dias 20 e 27 de março e 03 e 10 de abril, sextas-feiras, sempre às 21h. Em ambas as temporadas, os ingressos custarão R$ 30,00 com meia-entrada a R$ 15,00

Além disso, como parte de sua temporada no Centro Cultural da Diversidade, o Coletivo Inominável ministrará, nos dia 18 e 19, a oficina Narrativas Viadas, onde partilhará com os participantes procedimentos e dispositivos usados na construção do espetáculo  e que servirá como laboratório de construção de narrativas sobre a viadagem. A oficina é gratuita e as inscrições estão abertas até 12/03.

SERVIÇO

INHAI – COISA DE VIADO

Centro Cultural da Diversidade
Dias 17, 18 e 19 de março. Terça, quarta e quinta, 21h
Rua Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi, São Paulo SP
No dia 19, o espetáculo contará com audiodescrição

Teatro Alfredo Mesquita
Dias 20 e 27/03 e 03 e 10/04. Sextas-feiras, 21h.
Avenida Santos Dummont, 1770 – Santana, São Paulo – SP

Duração: 80 minutos
Classificação: 18 anos
Ingressos: R$ 30,00

Oficina Narrativas Viadas
Dias 18 e 19 de março. Quarta e quinta, das 17h30 às 19h30.
Centro Cultural da Diversidade. Rua Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi, São Paulo.
Inscrições: Envio de nome, idade, telefone, endereço, currículo resumido e carta de interesse para o e-mail ccdiversidade@gmail.com
Grátis.
Classificação: 18 anos

Ficha Técnica
Dramaturgia
: Fernando Pivotto e Cezar Zabell.
Direção: Cezar Zabell.
Assistência de direção: Fernando Pivotto
Elenco: Alexia Twister, Cayke Scalioni e Fernando Pivotto.
Figurinos: Cezar Zabell.
Design de Luz: Larissa Kaluzinski.
Design de projeção: Cayke Scalioni.
Desenhos originais: Bruna Sizilio.
Operação de luz e projeção: Murilo Góes.
Operação de som: Samantha Sarahyba.
Preparação corporal: Rico Malta

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