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O zagueiro do Fluminense, Nino, comentou sobre ter usado uma camisa em homenagem aos LGBTQIA+ na véspera do Dia Internacional do Orgulho LGBT, comemorado no dia 28 de junho. Ele disse que, apesar de seguir uma religião, ele levanta a bandeira do movimento.

“O clube já faria a ação, e eles queriam que o capitão jogasse com a camisa 24. Eles vieram meio receosos falar comigo, o argumento deles era que eu era cristão e não sabiam se eu iria gostar. Eu aceitei de primeira”, contou ao Globo Esporte.

“A causa é muito nobre, são pessoas que sofrem muito, e o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+. O Fluminense fez uma causa muito bonita com isso, leiloou as camisas doando para as instituições que ajudam essas pessoas”, disse.

“No momento eu só falei o ‘sim’ para o pedido do clube, mas se eu pudesse responder, responderia que com certeza jogaria com a camisa 24. Eu vi muitas pessoas vindo falar comigo, questionando o fato de eu ser cristão, como se fosse uma contradição”, contou.

“Mas Jesus ensinou o amor, pregou o respeito entre as pessoas. E eu acho que temos que levantar sempre toda bandeira que grita pelo amor, pelo respeito. Não acho que o amor seja o melhor caminho, acho que é o único caminho. Então era a única resposta que eu tinha para dar”, disse.

O jogador do Fluminense também defende o uso da camisa com número 24.“Foi um orgulho muito grande. Se tiver de novo ano que vem, vou representar de novo, jogar com a camisa 24, porque realmente são pessoas que sofrem muito, e a gente precisa abrir nossos olhos para isso”.

Jogador cristão do Fluminense defende causa LGBT+: "Jesus ensinou o amor"
Nino, com a braçadeira de capitão em arco-íris (Foto: Mailson Santana/Fluminense FC)

Homossexualidade na visão religiosa

O relacionamento entre a homossexualidade e a religião varia conforme o segmento religioso, o tempo e os lugares. Muitas vezes há divergências entre os membros de uma determinada religião sobre os LGBTQIA+, o que leva a muitos debates.

Hoje em dia, o cristianismo tradicional ainda considera o comportamento homossexual como prática imoral ou pecaminosa, o que significa que caso a pessoa tenha “desejos homossexuais”, ela deverá renunciá-los em prol de ter uma vida mais próxima a Deus. Sentir o desejo não seria o pecado, mas ter relações sexuais, sim.  No entanto, há várias correntes mais progressistas que contestam essa visão, dizendo que a pessoa não pode ser condenada como pecadora por algo que é inerente a ela.

Dentro do judaísmo também não há um consenso, mas o rabino reformista Michel Schlesinger endossa o discurso dos cristãos progressistas, se manifestando no programa SuperPop da RedeTV! defendendo que se a pessoa nasce homossexual, você não pode condená-la como pecadora.

“Eu não posso condenar uma pessoa como pecadora se ela é baixinha, ou se ela é alta demais. Nem se tem olho castanho ou se tem olho azul. Da mesma forma, se uma pessoa é homossexual, não se pode falar em pecado”, disse.

Chico Xavier, do espiritismo, disse em 1971 no programa Pinga Fogo da extinta TV Tupi que a homossexualidade e bissexualidade são condições da alma humana e não devem ser “encarados como fenômenos espantosos” e nem serem atacadas pelo “ridículo da sociedade que desfruta de uma sexualidade dita normal” e, portanto, essas pessoas não deveriam ser “sentenciada as trevas”.

Dentro da Doutrina Espírita entende-se que o espírito humano não tem sexo. O doutrinador José B. de Campos prega que a questão mais importante no tocante à homossexualidade é a promiscuidade, aconselhando um homossexual a ter um parceiro e constituir um lar. O médium Divaldo Franco também alega que o homossexual, assim como o heterossexual, será julgado conforme a conduta moral, independente de sexualidade.

Já o Candomblé sempre acolheu os homossexuais e a condição nunca foi um empecilho para que as pessoas se tornassem sacerdotes ou tivessem alguma dificuldade dentro da estrutura hierárquica.

Para o Budismo, a homossexualidade é apenas “mais uma forma de existir”, não sendo uma ação não virtuosa (equivalente ao pecado dos cristãos) já que a pessoa não está fazendo mal a alguém. Por essa mesma razão, eles acolhem todos os segmentos LGBTQIA+, pois acreditam que a virtude ou a não virtude se dá com a intenção de seus atos.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"