Para a associação entre o número “24” e os gays há duas explicações, sendo que a mais difundida é relacionada ao jogo do bicho, onde o 24 representa o veado. A outra é a sonoridade do número, já que pode ser associada ao som de “vim de quatro”.

Quanto a outros termos que muitos usaram para referir a LGBTs, principalmente com intenção de ofender, a pesquisadora da Universidade de São Paulo, Stela Danna, doutoranda em linguística pela USP e pesquisadora do Centro de Documentação em Historiografia Linguística explica a origem de alguns.

Saiba a origem dos termos pejorativos para os gays
Foto: Reprodução

Viado teria vindo das palavras “desviado” ou “transviado”, sendo uma referência a pessoas que teriam se “desviado da normalidade”. Outra hipótese seria uma referência ao animal mesmo, delicado e tímido, além de que o filme Bambi, de 1942, representa um personagem frágil que, muitas vezes, são associadas ao feminino. “Todos esses aspectos teriam contribuído para que se associasse o termos aos homens homossexuais”.

Bicha já é uma referência a fêmea do veado, tendo origem na palavra francesa “biche”. No Brasil, o termo começou a ser usado no início do século 20 para designar, de modo pejorativo, os homens homossexuais. Já na frança, a palavra “biche” era usada de modo afetuoso para se referir a uma mulher jovem, e aqui no Brasil já foi usada também para se referir as prostitutas.

Sapatão teria surgido do poeta Gregório de Matos (1636 – 1696), em que aparece a figura de uma mulher chamada Luíza Sapata, que era lésbica. Outra possibilidade vem dos calçados masculinos, pois nos anos de 1970, com a retomada do movimento feminista, muitas mulheres passaram a usar os sapatos destinados aos homens, que eram maiores e mais confortáveis.

Por fim, a palavra gay era, originalmente, designada para uma pessoa espontânea, alegre e entusiasmada.  A partir dos anos 20, o significado mudou e passou a designar pessoas que se relacionam com outras do mesmo sexo e, quando chegou aos países lusófonos, era utilizado de modo pejorativo contra os homens. Ao longo do tempo, os homossexuais se apropriaram da palavra e tiraram a carga insultuosa, e hoje em dia é a forma mais comum deles se referirem a si mesmos.

Por que substituímos a sigla “GLS” por “LGBTQIA+”?

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".