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Uma semana após o Brasil bater o recorde de pessoas trans eleitas nas eleições municipais, novos dados do Trans Murder Monitoring (“Observatório de Assassinatos Trans”, em inglês) apontam que, apenas nos primeiros nove meses de 2020, 124 pessoas transexuais foram mortas no Brasil. Com isso, o país ocupa o inglório topo do ranking dos mais violentos para essa população pelo 12º ano consecutivo. México e Estados Unidos vêm em seguida, com 45 e 24 assassinatos reportados, respectivamente. A informação é da revista Exame.

A Associação Nacional de Transexuais e Travestis (ANTRA) estima que, dos casos identificados, 82% atingiram pessoas afrodescendentes.

Por ser rejeitada pela própria família e também pelo mercado de trabalho, a esmagadora maioria das pessoas trans é levada a buscar seu sustento em trabalhos informais, principalmente na prostituição. A soma dessa conjuntura desfavorável com a pandemia de covid-19 e o aumento da brutalidade policial pelo mundo faz de 2020 um dos anos mais violentos para a população trans.

Dandara, morta no Ceará / Reprodução

Só até setembro, foram 350 assassinatos reportados — um aumento de 6% em relação a todo o ano passado. Dessas mortes, 82% aconteceram na América Latina, sendo 43% delas no Brasil, onde os dados locais são compilados pela Antra. Além da Consciência Negra, nesta sexta, 20, também é celebrado o Dia Internacional da Memória Transgênera.

Rejeição familiar, a marginalização econômica e, principalmente, a impunidade para os atos violentos são os fatores que explicam a alta contínua nesses números ano após ano. Mas, no Brasil, discursos de ódio vindos dos altos escalões da administração pública exacerbam ainda mais essa realidade.

“Quando um presidente da República diz algo homofóbico com orgulho, é um sinal para os brasileiros de que eles podem fazer o mesmo”, explica Cristian Cabrera, pesquisador da Human Rights Watch em entrevista à EXAME. “Isso incentiva a violência, pois sugere que as pessoas não serão punidas pelos seus atos de violência.”

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Jornalista pela Universidade Federal de MS, foi repórter de economia e hoje, além de colaborar para o Gay Blog, é servidor público em Joinville (SC). Escreveu ''A Supremacia do Abandono'', livro disponível em amazon.com.br.