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A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) teve um debate com o cantor Caetano Veloso e o filósofo espanhol transgênero Paul B. Preciado no último dia 5 de dezembro. Ao longo da conversa, houve a discussão de muitos temas, incluindo sexualidade, gênero, e o período em que Veloso ficou preso durante a ditadura militar. As informações vieram do G1.

Ao longo do bate-papo, Caetano Veloso comentou que as torturas durante a ditadura militar fizeram com que sua atração por homens fosse apagada.

“O espaço muito masculino da prisão militar causou um apagão no meu Narciso, na minha atração sexual e sentimental por homens” – disse – “Fiquei com uma rejeição sexual em relação à figura dos homens, que eu não tinha” – completou.

Caetano Veloso perdeu atração por homens após prisão
Reprodução

Caetano Veloso foi preso na década de 1970 por ser considerado pelos militares como “subversivo e desvirilizante”, ficando 54 dias na cadeia, algo que causou um “apagamento do reconhecimento” de si mesmo. Ele aborda esse assunto com mais detalhes em seu livro “Narciso em Férias”, onde ele conta detalhadamente a sua experiência na prisão.

Ao longo do bate-papo na FLIP, Caetano Veloso comentou sobre sua paixão por homens e mulheres durante a juventude, mas recusa se rotular como “bissexual”.

“Muitas pessoas que eu conhecia usavam essa expressão, ‘bissexual,’ para efeitos muito inautênticos. Então eu dizia: ‘também não quero’.” 

Preciado comentou sobre sua transição de gênero, refletindo sobre relação entre masculinidade e a violência.

“A masculinidade soberana se define pelo uso legítimo da violência. A história da modernidade colonial é também uma história do patriarcado, que fabricou corpos soberanos ao lhes conceder o monopólio legítimo dessa violência”, afirmou.

“E esse corpo soberano é um corpo masculino e branco, que tem o poder de ferir e matar outros corpos subalternos” – complementou.

Vale lembrar que a mediação da mesa foi feita pelo jornalista Ángel Gurría-Quintana.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".