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A dupla sertaneja Pedro Motta e Henrique gerou polêmica pela música Lili, lançada no último dia 19 de dezembro, devido à letra amplamente considerada transfóbica. Em resposta, a plataforma de streaming musical Deezer Brasil se manifestou dizendo ter retirado a música da plataforma argumentando que não compactua com a transfobia.

O posicionamento da Deezer foi elogiado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) no Instagram:

“É urgente romper com a desumanização das pessoas trans e o pacto que fizeram contra nós. É nesse tipo de posicionamento e ação antitransfobia que acreditamos. Esperamos que mais empresas se posicionem e artistas, inclusive LGBTI, também. Diga não a transfobia! Respeite as travestis!”.

Quanto à letra, a música narra um homem que se apaixona por uma mulher, mas que se sente enganado por ela ser travesti.

“Depois de um mês de namoro apaixonado, iludido e bobo dentro de um motel chorando arrasado acabei de descobrir que eu fui enganado/ Agora eu entendo por que ela não queria fazer amor, uma voz feminina, uma pele macia me enganou tão bem/ Depois de uma farra embriagada, ela se entregou, só que ela não tinha o que mulher tem/ Ô, Lili, ô, Lili, por que você mentiu para mim? O, Lili, ô, Lili, o amor da minha é um travesti”. – diz a letra da música.

Após a repercussão negativa, os dois se manifestaram com um vídeo no Instagram negando serem “homofóbicos” e que estavam apenas “zoando”:  “Estamos aqui para esclarecer uma coisa. Estão nos chamando de homofóbicos [sic]. Gente, de forma alguma! Nunca vocês ouviram que Pedro Motta e Henrique é [sic] homofóbico, Pedro Motta e Henrique está [sic] zoando a pessoa”.

Após a publicação do vídeo, a conta da dupla se tornou privada, já que ambos foram criticados por utilizarem a nomenclatura errada para a situação proposta. A já citada ANTRA disse que a tentativa de “piada” da letra é um incentivo as mortes da população trans.

“Talvez vocês não saibam, mas o Brasil é o país que mais assassina travestis do mundo por ódio que muitas vezes, é incentivado por esse tipo de piada de extremo mau gosto. Estamos à disposição para o diálogo. E a nossa recomendação é que desde já vocês cancelem o lançamento e a divulgação, pois a música é flagrantemente discriminatória” – disse a associação em nota.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".

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