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A dupla sertaneja Pedro Motta e Henrique, que gerou polêmica pela música lançada no último dia 19 de dezembro ao trazer um teor transfóbico, pediu desculpas e alterou a letra da canção “Lili”.

“Quando a gente pensou em lançar essa música, de forma alguma a gente veio denotar qualquer tipo de preconceito. A gente queria usar a música para gente poder exaltar e evidenciar o amor através dela. E como somos leigos no assunto, nós não conseguimos alcançar os nossos principais objetivos. E diante a tudo isso, durante os últimos dias, a gente parou, meditou um pouco, para conhecer melhor sobre o assunto, para que pudéssemos expressar melhor a fim de demonstrar esse amor que a gente tanto queria. E podemos pontuar também que a falta de conhecimento gerou diversas situações”, disse a dupla.

“De acordo com a página da ANTRA, que é a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, só neste ano de 2020 teve um aumento de 90% de assassinato das trans em relação ao ano passado”, continuou a dupla.

Como forma de retratação, Pedro Motta e Henrique apresentou a nova versão da música Lili:

Depois de um mês de namoro apaixonado
Aconteceu o nosso love gostoso dentro do motel realizado
Descobri toda a verdade e nem estou preocupado
Agora entendo porque ela demorou para fazer amor
Mas pra mim, amor, sexo não tem gênero e cor

Beijei sua testa e falei:
“Bebê, fica tranquila, você pra sempre será minha menina” 

Oh, Lili, oh, Lili
Não precisa esconder de mim
Oh, Lili, oh, Lili 
O amor da minha vida é uma travesti

A letra anterior: “Depois de um mês de namoro apaixonado, iludido e bobo dentro de um motel chorando arrasado acabei de descobrir que eu fui enganado/ Agora eu entendo por que ela não queria fazer amor, uma voz feminina, uma pele macia me enganou tão bem/ Depois de uma farra embriagada, ela se entregou, só que ela não tinha o que mulher tem/ Ô, Lili, ô, Lili, por que você mentiu para mim? O, Lili, ô, Lili, o amor da minha é um travesti”.

ANTRA REAGE À NOVA VERSÃO

Na postagem, que foi publicada no Instagram da dupla na noite do dia 22, a ANTRA agradeceu à dupla no campo de comentários:

“Olá @pedromottaehenrique, agradecemos o posicionamento e parabenizamos por estarem refletindo sobre o mal que causaram. Reconhecer um erro é extremamente louvável. Mas também é urgente entender que, no mesmo sentido, devem ser pensadas ações de reparação desse erro. Ainda temos um longo caminho pela frente, pois muitas piadas desse tipo continuarão sendo feitas e aceitas, principalmente no meio sertanejo. É preciso acabar com essa ideia que coloca as travestis como uma fraude ou mulheres de mentira, dignas de zombaria pública. Vocês não têm noção do impacto que episódios como esses causam na população Trans. No quanto pessoas que vivem excluídas e sem acreditar que podem algum dia ter um relacionamento foram atingidas e magoadas com letras de música daquele teor. Especialmente nesse período de festas, quando as pessoas estão ainda mais sensibilizadas. É extremamente urgente esse movimento para que possamos naturalizar as relações entre pessoas trans e pessoas não-trans. Somente por meio desse processo de convivência saudável, que não pactue com a violência ou a inferiorização da nossa população, é que será possível o engajamento no enfrentamento da transfobia. Toda a sociedade precisa refletir sobre esse infeliz episódio e assimilar que os homens que sentem atração pelas travestis precisam ser libertos do constrangimento que a própria música ajudou a incentivar. A Masculinidade tóxica é um problema gravíssimo que atinge a nossa sociedade e causa danos severos nas relações sociais, afetivas, românticas e sexuais. Cumprimentamos a dupla por ter revisado a letra da música, demonstrando ter compreendido o quanto seu teor foi violento contra nossa comunidade, em vários sentidos. Acreditamos que, agora, com a nova versão, devemos seguir juntos ampliando o debate no meio sertanejo de modo que não seja mais admitida qualquer forma ou expressão de transfobia. Embora o pedido de desculpas seja o importante primeiro passo a ser dado, não é ele suficiente para curar a ferida que foi aberta. É fundamental a promoção de campanhas de conscientização contra a transfobia para que fatos como o ocorrido não voltem a se repetir. A adesão à luta da população trans, que enfrenta níveis altíssimos de abandono, e o fortalecimento das organizações de defesa dos direitos trans são medidas urgentes. Sentimos não termos sido procuradas quando nos colocamos à disposição para o diálogo e reiteramos que estamos sempre abertas ao diálogo, reafirmando, claro, nosso lugar na defesa radical de nossa população contra toda forma de opressão! #respeiteastravestis Ps. Não deixem de tirar a versão anterior do ar”, escreveu a ANTRA.

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