2020 realmente está sendo um ano bastante difícil, inclusive para o jornalista Matheus Ribeiro. Em abril, Ribeiro havia pedido demissão da TV Anhanguera (afiliada da Rede Globo em Goiás) e assinou contrato com a Record TV. Funcionários do novo canal fizeram uma carta de repúdio à diretoria, que acabou vindo a público, diziam que ele só havia sido contratado por ser gay. Na época, vários comentários homofóbicos foram feitos ao jornalista, como o do ex-Bandnews Luiz Gama.

Na última semana, Matheus usou suas redes sociais para comentar sobre suposto nude vazado. No dia seguinte, reagiu a um assalto e levou um soco, ficando com olho roxo.

Neste domingo, um novo infortúnio aconteceu com o apresentador do telejornal DF Record. Em seu Twitter, Matheus relata que sofreu homofobia por frequentadores de um restaurante em Brasília. O jornalista conta que estava abraçado com o seu noivo, o capitão da PM Yuri Piazzarollo, quando ouviu comentários homofóbicos vindo de uma mesa.

Matheus Ribeiro - Reprodução
Matheus Ribeiro – Reprodução

“Cheguei há pouco numa lanchonete, junto com Yuri. Estávamos abraçados, fizemos nosso pedido e eu fui para a mesa, enquanto ele esperava no balcão. Na mesa da frente, três tristes exemplos do que ainda há de pior nesse mundo: gente ignorante e preconceituosa. Um senhor careca começou a dizer coisas do tipo ‘esses viados se pegando’, ‘esse mundo tá perdido’, ‘não existe mais homem de verdade’. Pareceu-me até um lamento, talvez por não ter encontrado um companheiro à altura daquilo que busca, tamanho o incômodo. A segunda pessoa, uma mulher loira, ria meio desconfiada, talvez temendo uma reação. Colocava a todo momento o guardanapo sobre a boca cheia de coxinha gordurosa. Olhava para mim, falava algo, mastigava mais um pouco. O terceiro sujeito, de cabelinho enrolado, estava bem de frente a mim. Parecia menos contaminado pelo teor homofóbico do papo, mas estimulava a conversa, nessa altura já percebendo que eu estava ouvindo. Foram uns três, quatro minutos. Tempo suficiente para que minha cabeça fervesse. Nunca tinha passado por uma idiotice dessas. Mas já devia saber que era questão de tempo. Levantei-me, fui até o balcão e abracei novamente o Yuri. Não cheguei até aqui pra ficar de cabeça baixa. Pegamos o lanche, nos sentamos e contei a ele, que só quis me acalmar. O café estava quente e eu, fervendo. A ponto de querer tirar satisfação. Mas Yuri me convenceu a ficar quieto. Quando o trio se levantou, chamei a atenção do puxador das falas criminosas: ‘Hey, senhor! Boa noite!”. Seguido, claro, de um beijo na boca do meu noivo. Fiz um registro da mesa. Minha responsabilidade jurídica me faz borrar os rostos”, narrou em seu Twitter.

Apresentador Matheus Ribeiro relata homofobia em lanchonete de Brasília
Reprodução/Twitter @MRibeiroTV

SAIBA O QUE FAZER CASO SEJA VÍTIMA DE HOMOFOBIA

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) lançaram uma cartilha do que fazer caso a pessoa sofra ou presencie um caso de LGBTIfobia. O texto é assinado pela secretária de Articulação Política da Antra, Bruna Benevides, que explica que a LGBTIfobia se enquadra na Lei 7.716/89, a lei antirracista. É possível conferir o PDF neste link.

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