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No Ceará, os medicamentos que combatem o HIV, como Lamivudina, Raltegravir e Etravirina, estão com estoques baixos. O Kaletra, direcionado às crianças com vírus, está em falta. Com isso, os usuários que precisam receber o medicamento para 90 dias, estão recebendo apenas para 30. As informações são do G1.

A Secretaria de Saúde do Ceará (SESA) informou, em nota ao Sistema Verdes Mares, que a previsão de chegada do Lamivudina e do Raltegravir é dia 22 de dezembro. Já o Etravirina deverá chegar só na primeira quinzena de janeiro de 2021. Ainda não há previsão para reposição do Kaletra.

“Estamos muito preocupados, pois sem o repasse, as milhares de pessoas soropositivas que vivem no estado podem perder o controle do vírus no organismo” – diz Vando Oliveira, Coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV /AIDS Núcleo Ceará (RNP+CE).

O baixo estoque ocorre justamente no mês da conscientização e combate à AIDS, o Dezembro Vermelho. De acordo com o ofício da RNP, o Governo Federal está indo na contramão dos direitos das pessoas com HIV.

“Com a pandemia, os pacientes se preocuparam em ir buscar seus medicamentos por medo do contágio. E se esse período diminui de 90 para 30 dias, eles precisam ir mensalmente ao local de entrega” – diz a infectologista do Hospital São José (HSJ), Melissa Medeiros.

Medicamento para crianças que vivem com HIV está em falta; repasse é feito pelo Ministério da Saúde
Foto: Ato realizado em 2017 em frente ao Posto de Saúde Carlos Ribeiro – Reprodução/ pca.org.br

Governo suspende exames de HIV, AIDS e hepatites virais pelo SUS

O Ministério da Saúde publicou uma nota explicando que houve uma suspensão das coletas de amostras para exames de genotipagem do HIV, AIDS e da hepatites virais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O teste é fundamental para definir o tratamento mais adequado a quem desenvolve resistência a medicação. As informações vieram da Isto É.

Isso aconteceu porque o contrato com a empresa que realizava venceu em novembro de 2019 e, apenas no dia 7 de outubro do ano citado, o ministério realizou um pregão para buscar uma nova fornecedora do serviço. A empresa vencedora não anexou todos os documentos exigidos pelo edital e por isso houve a suspensão. Neste dia 8 de dezembro haverá um novo pregão e caso o vencedor passe por todo o processo burocrático, há uma expectativa de que o serviço retorne em janeiro.

Para minimizar os prejuízos, as crianças de até 12 anos e gestantes que convivem com o HIV continuarão a ter os exames. Quanto aos pacientes que convivem com hepatite C, estes devem receber os medicamentos velpatasvir e sofosbuvir, que dispensam a genotipagem.

Governo suspende exames de HIV, AIDS e hepatites virais pelo SUS
Reprodução

Procurado pela reportagem da Isto É, o Professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (USP) e membro da SBI, Paulo Abrão, diz que a falta do exame pode comprometer “gravemente” a saúde dos pacientes com HIV, afirmando ser necessário planejamento para evitar a descontinuidades dos serviços deste tipo.

Vale lembrar que em fevereiro deste ano, Jair Bolsonaro disse para a imprensa em Brasília que uma pessoa portadora do vírus HIV acaba sendo uma “despesa para todos no Brasil”.

“O Alexandre Garcia [ex-jornalista e apresentador da Globo] comentou que a esposa dele, que é obstetra, atendeu uma mulher que teve primeiro filho aos 12 anos, o segundo aos 15 e no terceiro já estava com HIV. Uma pessoa com HIV, além de ter um problema sério para ela, é uma despesa para todos aqui no Brasil”, disse Bolsonaro na época.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".