Pussy Riot chega a São Paulo para lançar livro e show com Linn da Quebrada

O grupo russo de rock Pussy Riot está em São Paulo para uma série de atividades dentro do Festival Verão Sem Censura. A banda, conhecido pelo ativismo e pelo protesto em prol de minorias, foi presa em 2012 por cantar uma “oração punk” no altar de uma catedral pedindo para que a Virgem Maria “livrasse” a Rússia de Vladimir Putin.

O primeiro evento no Brasil, acontece em São Paulo nesta quarta-feira (29), às 19h, com a exibição do filme “Act and Punishment”. Após a sessão haverá um bate-papo com a uma das integrantes, a escritora e ativista política Maria Alyokhina. Já às 21h, será lançado oficialmente o livro Riot Days.

Banda Pussy Riot fará show em São Paulo (Foto: Divulgação)
Banda Pussy Riot fará show em São Paulo (Foto: Divulgação)

No dia 30, Pussy Riot se apresentará junto com a Linn da Quebrada na Rua Vergueiro, em frente ao CCSP. O show também parte da programação do Festival Verão Sem Censura promovido pela Prefeitura de São Paulo. Após o show, a DJ Kot, integrante do grupo, fará um set especial para marcar o encerramento do Festival.

CHEGOU CHEGANDO

Ao chegar ao país, o grupo postou um cartaz divulgando o show do dia 30 com uma caricatura de Jair Bolsonaro com a seguinte declaração:

O pôster de divulgação da apresentação mostra o rosto do presidente Jair Bolsonaro desenhado com diversos tipos de lixos, fazendo uma dura crítica ao atual presidente da república (Foto: Reprodução)
O pôster de divulgação da apresentação mostra o rosto do presidente Jair Bolsonaro desenhado com diversos tipos de lixos, fazendo uma dura crítica ao atual presidente da república (Foto: Reprodução)

“WE ARE IN BRAZIL!

Sobre esta cabeça feita e cheia de restos as Pussy Riots cantam e dançam.
Nós somos Pussy Riots. Juntos façamos aqui nossa revolta sobre esta cabeça monumento-destruição. Num monumento cadafalso na Praça Vermelha em Moscou elas cantaram e dançaram pela primeira vez para o mundo inteiro. Somos agora Pussy Riots espalhados por todo o planeta , e aqui no Brasil vamos cantar, dançar e nos revoltar como se estivéssemos sobre esta cabeça-busto-desgoverno-monumento-vazia de ideias , e façamos dela detritos!!! Somos agora Pussy Riot!”

ARTIVISMO

De acordo com a assessoria de imprensa, a obra Riot Days é um relato cru, alucinatório e apaixonado sobre a prisão da autora. Os primeiros 300 exemplares virão acompanhados por dois cordéis e serão embalados em balaclavas coloridas confeccionadas especialmente pela Cooperativa Libertas, de mulheres egressas do sistema penitenciário brasileiro.

Os cordéis, da coleção Pandemia, abordam trajetórias, narrativas, cenas, lembranças, dores, vida e morte de 5 diferentes mulheres que vivenciaram dias e noites em celas de penitenciárias femininas no Brasil.

Parte dos lucros serão revertidos à causa internacional do grupo Pussy Riot e à Cooperativa Libertas.

Já o longa-metragem Act and Punishment, tem 90 minutos e apresenta o ativismo político da banda situado na intersecção entre arte, história e política:

“Repleto de elementos visuais e textuais, o filme começa abordando a história do feminismo russo através da filmagem de pinturas em uma galeria de arte, colocando o grupo dentro de um perspectiva extensa de tradição de resistência política. A causa contra a qual se rebelam é embasada em vasto material de arquivo e entrevistas com figuras do establishment: o tratamento de outros dissidentes, atitudes restritivas às mulheres e a proximidade entre igreja e estado”, enfatizam.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

SERVIÇO

FESTIVAL VERÃO SEM CENSURA
29 de janeiro 
– 19h Exibição do filme Act and Punishment, de Yevgeni Mitta
– 20h30 Debate com participação de membros do Pussy Riot e convidados brasileiros. Mediação de Preta Ferreira.
– 21h Lançamento do livro Riot Days e sessão de autógrafos com Maria Alyokhina, autora e integrante do Pussy Riot.

30 de janeiro
– 20h Show de Pussy Riot com Linn da Quebrada
– 22h15 Festa final comandada por DJ Kot (Rosemary loves a Blackberry), musicista do Pussy Riot. Música interdisciplinar, focada em pesquisa e sem quaisquer limitações formais ou estilísticas.

Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000, em frente ao Metrô Vergueiro
São Paulo, SP

Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek e agora está em busca de novos desafios. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".