Ministério da Saúde exonera diretora do Departamento de HIV/Aids

A medida ocorre uma semana após o novo ministro afirmar que o governo precisava voltar a estimular a prevenção do HIV, “mas sem ofender as famílias”

A médica sanitarista Adele Benzaken foi exonerada da direção do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A decisão foi tomada nesta quinta, em meio a uma série de manifestações pela permanência da médica no cargo e uma semana depois da polêmica em torno cartilha, lançada há seis meses para homens trans.

Adele Benzaken, que comandava departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde Foto: Reprodução/Facebook exonerada
Adele Benzaken, que comandava departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde Foto: Reprodução/Facebook

O novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou em entrevista à Folha que o governo precisava voltar a estimular a prevenção do HIV, “mas sem ofender as famílias”.

Adele assumiu a direção do departamento em 2016. Em sua gestão, o País começou a adotar a profilaxia pré-exposição (PrEP), que prevê o uso de antirretrovirais não como tratamento do HIV, mas para prevenir a infecção. Com amplo apoio de organizações não governamentais, a permanência de Adele era considerada como uma garantia da manutenção de ações modernas de prevenção, de combate ao preconceito e de promoção dos direitos humanos.

— Não foi de comum acordo. Ficou muito claro que a exoneração era por conta da cartilha — explicou Adele. De acordo com ela, houve uma ordem para que o documento fosse retirado do ar, que foi cumprida. Entretanto, ela diz ocorreu uma cobrança, porque ainda era possível encontrar a cartilha na internet e sobre a distribuição do material nos estados .

O Fórum das ONG/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), grupo que reúne 98 organizações, enviou na quinta-feira um ofício endereçado ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendendo a manutenção de Adele. O texto ressalta avanços no combate ao HIV nos últimos anos, como uma campanha governamental que incentiva a adesão ao tratamento antirretroviral.

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Com informações de Isto É, Folha de S. Paulo e G1.

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