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A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar uma denúncia, feita no dia 7 de julho, contra o vereador William Soares (Solidariedade) de Itatiba, no interior de São Paulo, por prática de discriminação dizendo que o “ativismo LGBT visa destruir a família”. As informações são do G1.

“Então, o ativismo LGBT visa isso, destruir a família, e aqueles que são conservadores tem que se posicionar e eu me posiciono. Aqui, vale a gente lembrar, não é nenhuma questão pessoal ou de você ter uma homofobia, não se trata disso, mas se trata de um posicionamento. Se é destruir a família, se é causar dano a família, como é que podemos concordar e aceitar?”, disse.

“Não, porque aquilo que as pessoas tem de mais, aquilo que prezam mais, que é mais caro para nós, aí você vai ver nas passeatas, nas paradas, as pessoas se utilizando de elementos que são considerados sacros, santo, para fazer as suas manifestações. Então isso é bastante difícil de aceitar”, continuou.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou por meio de uma nota que o vereador foi ouvido no dia 14 de julho, e o inquérito policial foi encaminhado para apreciação da Justiça, junto à Vara Criminal do Município. O vereador informou à afiliada de Rede Globo, TV TEM, que ele apenas manifestou um pensamento enquanto exercia a função pública.

Vereador é alvo de inquérito policial após dizer que "ativismo LGBT visa destruir a família"
Reprodução

POR QUE O VEREADOR FOI HOMOFÓBICO SEGUNDO A LEI? 

De acordo com um artigo escrito por Leonardo Sakamoto ao canal Geledes, existe uma diferença entre opinião, sendo que a liberdade de expressão consiste em um direito fundamental estabelecendo pelo artigo 5º da constituição, e discurso de ódio que é difícil de ser interpretada pela sociedade por ser carregada de subjetividade.

No entanto, a diferença básica entre ambos é que a opinião visa apenas mostrar um posicionamento sem causar nenhum tipo de prejuízo ao alvo opinado, enquanto o discurso de ódio procura destruir o outro, muitas vezes utilizando dados falsos e informações distorcidas.

Segundo um artigo do Jornal do Comércio, a liberdade de expressão não pode invadir a intimidade, vida privada, a honra e a imagem daqueles ao qual são dirigidos. Quando alguém diz que o “ativismo LGBT” visa “destruir a família”, a pessoa ultrapassa os limites do artigo 5º, incentivando que haja hostilidade ao LGBTs e, portanto, se configura em crime de ódio.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"