O “Paciente de Londres“, que é o segundo homem curado do HIV, revelou recentemente a sua identidade ao The New York Times: Adam Castillejo, que resolveu se expor para servir de exemplo a outros que também sofrem com o vírus.

“Quero ser o embaixador da esperança” – disse, explicando também que o fez por influência de Timothy Ray Brown, o primeiro homem curado do HIV, com quem conversava frequentemente.

Foto: Reprodução
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Castillejo pegou um câncer no sangue e precisou receber um transplante de células-tronco de medula óssea para se curar dessa condição. Por sorte, o doador tinha uma mutação que o tornava imune ao vírus HIV, sendo que a estimativa é de que 1% da população da Europa tenha essa condição. Foi assim que Castillejo foi curado.

A “grosso modo”, o transplante de medula substitui o sistema imunológico, e por isso não é uma opção viável para a cura do HIV em larga escala, pois coloca a saúde do paciente em risco, podendo ser fatal. Por outro lado, com dois pacientes sendo curados com esse processo, os médicos consideram “passos importantíssimo” para chegar a cura.

“Para nós, é muito importante que este não seja apenas um caso pontual ou obra do acaso e sim um importante passo para as pesquisas” – disse Richard Jeffreys, diretor da ONG Tretment Action Group.

VENCENDO MUITOS DESAFIOS! 

Além do HIV, Castillejo teve que enfrentar um câncer e teve um pós operatório de difícil até conseguir ser curado. (Foto: Reprodução)
Além do HIV, Castillejo teve que enfrentar um câncer e teve um pós operatório desafiador até conseguir ser curado. (Foto: Reprodução)

Castillejo é venezuelano, porém foi criado pela mãe em Londres desde criança após ela ter separado de seu pai. Aos 23 anos, descobriu que tinha o vírus HIV, e em pouco tempo iniciou seu tratamento com antirretrovirais.

Em 2011 veio a notícia de que estava com câncer no sangue após realizar um exame de rotina e, a partir daí, se iniciaram os tratamentos com quimioterapia.

Após a falha neste último, a alternativa seria um transplante de medula. Eventualmente encontraram um alemão que tinha a rara condição genética de ser imune ao HIV.

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“De alguém que estava condenado à morte, passei a ter a possibilidade de cura total. Estava em um ônibus de dois andares daqueles típicos  de Londres, abri um sorriso e ali começava minha jornada como o ‘Paciente de Londres” 

Após alguns adiamentos, o transplante foi realizado no dia 13 de maio de 2016, mas ele precisou vencer mais alguns desafios, já que sua saúde ficou muito debilitada. Ficou meses no hospital, perdeu 30 quilos, teve várias infecções,  e uma sequela foi perda de parte da audição. No entanto, aos poucos foi se recuperando e eventualmente pôde voltar pra casa.

Em 2019, os médicos já estavam certos de que que ele foi, de fato, curado do HIV.

O primeiro homem curado do HIV

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve um desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia".