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Um estudante da Universidade de Brasília (UnB) ganhou um prêmio por um ensaio fotográfico que registrou o cotidiano de uma travesti quilombola, que vive na comunidade Surubiu-Açu, no interior do Pará. Lourival de Carvalho, que faz Doutorado em Direito, Estado e Constituição, decidiu contar a história de Jade através da câmera. As informações são do G1.

De acordo com o doutorando, o interesse pelo tema surgiu ainda na graduação, em 2012, quando ele fez uma pesquisa sobre direito à educação superior na experiência de pessoas trans. “A ideia era saber o motivo da falta de acesso à educação para elas, e o porquê as que tiveram acesso não conseguiram ingressar no mercado de trabalho”, disse Lourival ao G1.

Jade tem 55 anos (Foto: Lourival de Carvalho)

Quando foi para o mestrado, Lourival decidiu entender em seus estudos a diferença entre a cena LGBTQIA+ nas grandes metrópoles e no campo. “Quando estava em Brasília, estudando, me falavam que, ao visitar comunidades rurais, eu iria para o vespeiro da homofobia. Porém, tive outra percepção daquele espaço, vi um olhar com menos fúria e menos preconceito”, relatou.

Em 2016, enquanto conversava com amigos, Lourival soube da existência de Jade. A procura para chegar até ela, teve ajuda de um antropólogo peruano. “Consegui as referências da comunidade e passei a procurar pela Jade, até que consegui chegar até ela”, lembra.

Jade e Lourival (Foto: Lourival de Carvalho)

Já no doutorado de Lourival, ele pesquisa sobre direito à diferença. Em 2020, o pesquisador conseguiu o contato da travesti, mas chegar até ela exigiu persistência. Entre os obstáculos para chegar até Jade, ele enfrentou a falta de transporte, internet e a pandemia de Covid-19. “São pelo menos 5 horas de embarcação de Santarém, no Pará, pelo rio Amazonas, até a comunidade”, contou ao G1. 

Jade tem 55 anos – 20 anos a mais do que a expectativa de vida de uma transexual ou travesti no Brasil – e trabalha com agricultora, apicultura e pesca na comunidade onde vive. Ela também é  “consertadeira”, uma função de respeito no lugar, baseada em técnicas de massagens e benzeduras em moradores que sofrem com dores musculares. “Naquela comunidade, ela participa dos espaços políticos de decisão como uma quilombola. Ela é uma liderança comunitária e faz parte das decisões, do destino e é líder até do time de futebol”, disse Lourival.

A premiação


Lourival ficou 23 dias hospedado na casa de Jade e, como resultado,  registrou mais de mil fotos. Com as imagens, ele montou a obra “Quilombismo travesti”, que ganhou o Prêmio Ana Galano de melhor ensaio fotográfico de 2021, no 45º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). “Fiquei muito feliz. Foi o primeiro ensaio da minha vida”, comemora ele.

O ensaio com Jade virou exposição na comunidade, com as fotos amarradas em uma rede de pesca, decorada com girassóis. As imagens foram expostas com prendedores de roupa e distribuídas no final da mostra.

Exposição realizada na comunidade paraense (Foto: Lourival de Carvalho)

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Jornalista gaúcho formado na Universidade Franciscana (UFN) e Especialista em Estudos de Gênero pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)