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No último dia 1 de janeiro de 2022 foi encerrado o prazo para que todos os países que integram a Organização Mundial de Saúde (OMS) deixasse de considerar a transexualidade como um transtorno mental e adequar seus protocolos, entrando em vigor a nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID 11).

A decisão da OMS veio em junho de 2018, retirando a transexualidade como transtorno mental da CID, e esta foi oficializada em 2019. Agora, as pessoas trans passam a constar no setor de direito à saúde, como pessoas em idade provecta e grávidas.

Assim como aconteceu com a palavra “homossexualismo”, que deixou de ser considerado doença em 1990 e passou a ser chamado de “homossexualidade”, a partir de 2018 a palavra “transexualismo” também passou a ser considerada, oficialmente, inadequada. Pela nova edição da CID, a transexualidade passa a ser entendida como uma condição natural do ser humano.

Vale dizer que no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP), publicou um pouco antes da OMS, em 2018, uma resolução orientando que os profissionais da área já não tratassem as transexualidades como patologias. Já o SUS cobre a cirurgia de redesignação sexual e o processo de transição de gênero desde 2008.

Transexualidade deixa de ser considerada doença em todos os países que integram a OMS
Reprodução

Transexualidade na história e na ciência

Assim como dizem que a homossexualidade existe “desde que o mundo é mundo”, pode-se fazer uma afirmação semelhante referente a transexualidade, que é documentada, de forma oficial, desde a época do Império Romano. Porém, há outros registros ainda mais antigos que podem indicar a existência de pessoas trans.

Segundo Filo, filósofo judeu helenizado do século I e morador de Alexandria, haviam “homens que viviam como mulheres, chegando até a se emascular e retirar o pênis”.

Há também poemas romanos escritos por Manilo e Juvenal acerca de indivíduos que tinham “vergonha e ódio de serem vistos como homens”. Vários imperadores romanos são descritos por se travestirem, sendo o caso mais emblemático o de Heliogábalo, considerando que ele se casou formalmente com um poderoso escravo, adotando o papel de esposa, e chegou a oferecer metade do seu império para algum médico que pudesse fazer uma cirurgia para sua transição de gênero.

As pessoas trans também se fazem presentes nas mitologias, incluindo a greco-romana Vênus Castina que seria uma “deusa que se preocupa e simpatiza com os anseios de almas femininas presas em corpos masculinos”.

No entanto, é importante não confundir com outro Deus que eles cultuavam chamado Hermafrodita, que era o patrono da união sexual e filho de Hermes e Afrodite, possuindo mama e pênis. Este se refere aos indivíduos que hoje conhecemos como intersexuais e, durante muito tempo, era este o nome utilizado.

Quanto a visão científica, um estudo da neurocientista Julie Bakker, da Universidade de Liège, houve um exame de ressonância magnética em 160 pessoas trans diagnosticadas com disforias de gênero, medindo microestruturas cerebrais.

O estudo foi comparado com ressonâncias magnéticas de pessoas cisgêneras, e chegou-se a conclusão que as pessoas trans tem atividades cerebrais mais semelhantes ao do gênero com o qual elas se identificam, o que pode dar os primeiros indícios sobre porque elas se veem e se entendem no “corpo errado” desde criança.

“Embora mais pesquisas sejam necessárias, agora temos evidências de que a diferenciação sexual do cérebro difere em jovens com disforia de gênero, pois mostram características funcionais do cérebro que são típicas de seu gênero desejado“, disse Bakker.

“Estaremos então melhor equipados para apoiar esses jovens, em vez de apenas enviá-los a um psiquiatra e esperar que o sofrimento deles desapareça espontaneamente”.

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Jornalista formado pela PUC do Rio de Janeiro, dedicou sua vida a falar sobre cultura nerd/geek. Gay desde que se entende por gente, sempre teve desejo de trabalhar com o público LGBT+ e crê que a informação é a a melhor arma contra qualquer tipo de "fobia"